Interessante.
Tentando desvendar a história de um piloto descobrimos muito sobre toda uma categoria.
O piloto é
Ivan Capelli.
A categoria é a Fórmula 1.
Ainda criança ele teve uma experiência marcante.
Seu pai produzia comerciais para a
Parmalat.
Certa vez levou o filho até Fiorano.
O garoto, bem comportado, chamou a atenção de Ermano Cuoghi.
O mecânico-chefe do carro de
Niki Lauda.
Num instante o menino estava dentro da Ferrari.
Capelli tinha 11 anos.
Esse italiano passou por todas as etapas de formação.
Kart,
Fórmula 3, Fórmula 3000...
Em 1985 fez sua estréia na categoria máxima do automobilismo.
Nada heróico.
A pista de Brands Hatch ele nem conhecia.
Ken Tyrrell foi seco.
"Se você quiser é assim: sentar e dirigir!"
No ano seguinte pilotou algumas vezes pela
AGS.
Um time que possuía 7 funcionários.
Já na March teve sua melhor época.
Foi quando guiou um desenho de
Adrian Newey.
Em 1992, 17 anos depois, ele voltou a sentar numa
Ferrari.
Mas nada deu certo.
Capelli estava acostumado ao ambiente das pequenas equipes.
Familiar.
Onde todos falam com todos.
O excesso de
burocracia da Scuderia Italiana arrasou com sua motivação.
Sua sinceridade é reveladora.
"Não tinha
concentração.
Depois de 4 horas de trabalho meus pensamentos estavam em outro lugar."
Outro fator foi a pressão de uma equipe grande por resultados.
O desconforto foi imenso.
Os jornais italianos chegaram a dizer que ele não tinha
glóbulos vermelhos suficientes para estar na equipe.
Foi uma decepção.
Aqueles que trabalharam com ele na
March tinham a certeza que ele no futuro seria um campeão.
Estavam enganados.
Ainda houve uma tentativa pela
Jordan.
Em vão.
Sua carreira havia terminado.
Com o passar dos anos a tristeza o deixou.
Nada melhor que o tempo para curar feridas.
Se tornou um bom
comentarista na TV italiana.
Hoje ele se empolga quando perguntado quem foi o melhor.
"Senna".
Sem hesitar.
"Eu o conhecia desde o
Kart.
Era impressionante.
Ele sempre fez coisas diferentes na pista...
Só ele conseguia fazer aquilo!"
E quando vai descrever as manobras, com seu jeito alegre, quase cai da cadeira.
Talento, oportunidade...
Ivan Capelli não pode reclamar.
Sua biografia mostra um pouco de que são feitos os
campeões na Fórmula 1.
Talento e oportunidades não bastam.
É preciso muito trabalho duro.
Dedicação.
Suportar a pressão.
E até mesmo um pouquinho de
sorte.
Não falo da ventura comum.
Mas aquela que acompanha os que se esforçam e lutam mais do que os outros.