O anúncio feito ontem pela
Caterham não chamou muita atenção.
Mas é significativo.
A equipe de Tony Fernandes confirmou Gierdo van der Garde e Charles Pic
para a temporada de
2014.
Isso mostra que o time fez um acerto de longo prazo com a dupla.
Provavelmente com opções de renovação.
E daí?
A Caterham está se protegendo.
Com esse movimento evita o
assédio de outras equipes.
Veja o caso da
Force India.
O time foi surpreendido com a saída de
Nico Hulkenberg para a Sauber.
Contava com o piloto para essa temporada.
Pior de tudo.
O adeus de Hulkenberg não rendeu nada aos seus cofres.
Como assim?
Voltemos um pouco no tempo.
Olhe o que aconteceu com
Jenson Button.
Quando trocou a Williams pela Honda em 2005 sua saída colocou
40 milhões
de dólares nos bolsos de Frank Williams.
O pensamento é simples se tomarmos como exemplo o passe de um jogador
de futebol.
As equipes que não colocaram uma cláusula de rompimento se lascaram.
Além da Force India, a própria
Sauber foi outra que se deu mal.
Perdeu
Sérgio Perez de forma gratuita para a McLaren.
Compensou um pouco com a chegada de Hulkenberg.
Mas podia ter levado algum com a ida do mexicano para debaixo das asas de
Ron Dennis.
A coisa fica mais estranha se lembrarmos da relação histórica entre as duas
equipes.
A McLaren, há mais de dez anos, pagou uma bolada a Sauber para ter
o talento de
Kimi Raikkonen.
Podemos refletir que as expectativas sobre Button e Raikkonen eram
enormes já naquela época.
Seria o caso da Caterham ter toda essa preocupação?
Levando em consideração os recentes casos citados da Force India e da Sauber,
creio que sim.
Ferrari e
Red Bull possuem programas contínuos para revelar estrelas.
A Lotus recentemente anunciou seu projeto de jovens talentos com
sete promessas.
A McLaren acabou de contratar o jovem piloto belga
Stoffel Vandoorne
para seus quadros.
São tentativas de achar novos Vettels e Hamiltons.
Se for um novo talento confirmado nas pistas e já com um pouco de
experiência na Fórmula 1, melhor ainda não?
A chegada de novos nomes na categoria pode representar um
risco para
as pequenas em termos de performance.
Porém se render frutos, e despertar o interesse de uma grande equipe,
poderia ser muito vantajoso financeiramente.
A Caterham pode ter mostrado um caminho interessante com um contrato
mais longo.
No caso dela estaria dessa forma evitando perder além de um talento, também
um piloto que traz ótimos
patrocinadores para a equipe.
Tomando novamente o exemplo do futebol, as equipes pequenas poderiam
ganhar como os clubes formadores de talentos.
Ou ainda
alugar seus cockpits para amadurecer pilotos que necessitam de
experiência.
Abrindo portas para parcerias técnicas interessantes.
A vida das equipes pequenas não é fácil na Fórmula 1.
No entanto com boas administrações e iniciativas, como em outras
situações da vida, podem transformar problemas e dificuldades em
oportunidades.
Assim os competentes sobrevivem.
Com inteligência e criatividade.
E seguem no jogo.
Enquanto que os incompetentes acabam sendo vendidos como
sucata.