sexta-feira, 11 de maio de 2012

Ayrton Senna

























A primeira impressão é a que fica.

E a primeira impressão que Ayrton Senna passou à Fórmula 1 não foi boa.

Não falo de pilotagem.

Em meio a nomes grandiosos ele não se sentiu intimidado.

Tímido.

Calado.

Sim.

Porém a atitude dos vencedores já estava lá.

Desde os primeiros testes.

Respeito?

Não.

Nelson Piquet, Alain Prost, Nigel Mansell, Niki Lauda.

Ele sabia que poderia vencer todos.

Bastava o mínimo de condições.

O resto ele fazia.

Se em um qualifying algum piloto estivesse com um tempo melhor que o dele, era o sinal.

Seu limite não havia sido atingido.

Excesso de confiança.

Não importava se o tempo estava acabando.

Todos sabiam que a pole seria dele.

Até o acaso da chuva estava ao seu lado.

Como lutar contra esse piloto?

Em Mônaco, 1991, Stefano Modena largou ao seu lado.

Imaginava que teria uma batalha contra o brasileiro.

Lembrando os tempos de Kart em que correram juntos.

Após algumas voltas acompanhando Senna nas ruas do principado, a distância
de repente aumentou.

Assustadoramente.

O italiano se rendeu e após a corrida desabafou.

"Não dá pra acreditar. Desanima..."

De novo.

Como lutar contra esse piloto?

A Fórmula 1 então decidiu atacar a pessoa.

Sua sexualidade.

Sua direção agressiva.

Piquet, Lauda, Mansell...

Cada um fez sua parte.

O efeito foi devastador.

Mas invertido.

O público escolheu o lado de Senna.

No mundo inteiro.

Nascia o herói.

Aquele que a cada domingo lutava contra todos.

Encantava.

Muito acima do comum. 

Até que veio a morte.

O acidente.

O acaso.

Que sempre esteve ao seu lado...

Para azar de seus inimigos.

Agora o herói se transformava em mito.

Em mártir.

Em dogma.

E os dogmas não podem ser questionados.

23 comentários:

Anônimo disse...

É exatamente isso.

Edinho

Ricardo Reno disse...

Do jeito que o aproveitamento da morte de Senna foi explorada. Com o paroxismo das qualidades, que já não eram poucas, e a suavização dos defeitos. Dogma era o mínimo em que se esperava.

A junção de herói, mito, mártir e dogma remete a santo. Só falta escrever a história da F-1 em AS/DS.

Rodrigo Keke disse...

Os signos envolvidos são fortes demais. No fim, o cara mais beneficiado com tudo isso foi Bernie Ecclestone, que viu o negócio que comandava assumir proporções gigantescas. Os signos envolvidos envolvem muito dinheiro, também.

politicamente_incorreto disse...

Falar ou escrever mais o quê? você resumiu tudo com poucas palavras.

Quando falo que não sou fã do Ayrton ninguém acredita, fã eu era do José Carlos Pace. Seu ídolo quando você tem algum você não vê defeitos nele, até seus erros têm justificativa e esse não é o meu caso em relaçõa ao Senna.

Porém só soube da existência de dois E.T's na categoria e suas trajetórias são assustadoramente parecidas que são Clark e Senna.
Tinham a obstinação e o sangue frio dos porra louca tipo o Villeneuve e a frieza e a visão de corrida de um Stewart ou Emerson, eram emocionais sem demonstrar emoção alguma. Em comum o fato que eram competitivos com qualquer merda que possuisse um motor e quatro rodas, sem tempo ruim.

Corradi, o que mais me espanta é ver uma legião de idiotas incitados por alguns blogueiros que tentam colocar no Senna a pecha de midiático, que era bonequinho da Globo e que o Galvão Bueno seria o responsável por tudo isso.

Porra!!! qualquer idiota sabe que o Senna era muito maior do que isso tudo, será que a Globo tinha também um Hiroshi Bueno para transmitir para fazer a cabeça dos japoneses? um Giuseppi bueno para fazer a cabeça dos italianos? Um Charles bueno para fazer a cabeça dos ingleses? Um Pierre Bueno para os franceses? um Pablo Bueno para os hispanicos e um Galvoenko Bueno para os russos?

Porra outra vez, a Globo não era amiguniha do SENNA, A Globo é amiga de quem está por cima. do campeão, do poder, do que dá retorno. Apesar dos pesares e de não gostar do Galvão Bueno tenho que reconhecer que o cara era amigo do peito do Senna desde quando o Senna era apenas uma promessa, se depois se aproveitou da proximidade para alavancar seus próprios negocios eu pergunto:
-Quem faria diferente? quero ver alguém manter coleção de carros sem dinheiro,viagens sem dinheiro, viver bem sem dinheiro. purismo e pruridos morais em regime capitalista chega a ser risível, tem jornalista que já comeu e bebeu demais nas costas do Galvão e hoje mete o pau no cara. Não suporto hipócritas, sou socialista mas não quero nenhum miserável morando na minha sala. sou a favor e defendo o trabalho e o trabalhador, mas como TODOS gosto das coisas boas da vida, sem exageros. Impagável era e é a filosofia sempre viva do Joãsinho Trinta dizia: " Pobre gosta de luxo, quem gosta de miséria é intelectual".....

Mas têm maluco que pensa com a cabeça dos outros e estraga o fígado com os ódios alheios sem se perguntar se é aquilo mesmo que ele pensa. Usam o Rental Brain e vão repetindo uma mentira e um ódio pessoal como se deles fossem o ódio e a mentira que de tanto repetida acaba virando uma verdade.

Tenham todos um bom fim de semana!!!

Rubem Rodriguez Gonzalez

zamborlini disse...

é isso aí rubão!!!

Zaca disse...

Existem Dogmas que podem ser questionados sim....
Principalmente os que uma boa e bem paga assessoria de imprensa ajuda a construir...
Os bastidores do que agora já tem gente chamando de Dogma no entanto, são bastante divergentes...
Acho que Dogmas são coisas muito superiores as nossas simples opiniões, palpites, torcidas ou por não saber ou querer ver, que dirá então enxergar...
Mas cada um com suas crenças e com seus dogmas, verdadeiros ou não.

Paulo Heidenreich Jr disse...

Minha opinião vai de encontro a do Rubem em alguns pontos.
Eu as vezes me incomodo com a imagem que algumas pessoas tentam passar do Senna. Se criou entres os frequentadores de fóruns e site de automobilismo, um ódio muito grande entre fãs de Senna e de outros pilotos. Desnecessário, até porque o automobilismo evolui com o tempo e sempre será diferente, nunca teremos "um melhor de todos os tempos", no máximo o melhor da década ou de um certo período. O diferencial do Senna foi que ele trouxe a mídia a parte política da F1, a guerra de bastidores, a parte suja de uma categoria que mexe com muito dinheiro.
Como em qualquer coisa que se faça nos dias de hoje, a televisão aproveitou o bom momento e promoveu a ascenção de um ser humano, com muita copetência naquilo que fazia e o transformou num "herói", vizando apenas o lucro, aproveitando a fragilidade da situação política do país naquele momento.

Paulo Heidenreich Jr disse...

Eu sempre fui fã do Senna, mas demorou para que eu, na minha juventude, entendesse que aqueles caras que corriam com ele não eram vilões, como os de história em quadrinhos, eram esportistas, que estavam alí como o mesmo objetivo dele. Por isso, quando vejo as discussões dos fãs mais exaltados eu fico incomodado, tentam transformar a F1 como o céu e inferno, não acordaram ainda e viram que pilotos não são deuses ou santos, eram homens habilidosos no controle de suas máquinas, alguns mau caráteres dentro das pistas, mas todos humanos.

Anônimo disse...

Cara! Você é muito bom! Parabéns por essas bios laconicas!

Alan Ferrazza

Marques disse...

Belo texto. Senna foi o mais espetacular dentro das pistas. Fora se tornou o que foi por publicidade, pelas caridades que fazia e tudo mais. Não interessa.

Marcos Antônio Filho disse...

Acho que em si, as pessoas não odeiam o Senna, mas sim a aura que se criou depois da morte dele. Sou fã do Senna, lógico que pra mim ele não era Deus, mas foi um dos melhores que vi pilotando. só que muita gente não vê por pura bobeira, deve achar que ser fã do Piquet é ir contra maré, e ser do contra é legal.(Não estou desmerecendo o piquet, outro pilotaço)

Enfim, Senna foi um dos grandes, querendo ou não. E mito, pois quem morre jovem, vivendo em alta velocidade vira mito. Vide Peterson, Gilles, Rindt, sem a mesma magnitude do Senna, mas com seu brilho próprio

politicamente_incorreto disse...

Paulo, essa de transformar todos os adversários em vilões ou o bordão idiota do Galvão: Ganhar é bom, ganhar da Argentina é melhor ainda... faz parte desse modelo televisivo americano imbecilizante que tenta nos transformar a todos em Hommers e dividir o mundo em bons e maus, isso não existe!!!!!

O Fernandinho beira mar e o Marcola devem ter em seus curriculum inúmeras boas ações apesar de serem bandidões da pior espécie, a Globo - e a televisão em geral, diga-se de passagem - tenta vender a imagem que o mau acorda dando um bico no cachorro, espancando o filho , mata o vizinho e até dormir só fez atrocidades. nada de se espantar, afinal é o MAU.

Já o bonzinho nem precisa escovar os dentes, seu hálito é de rosas do campo misturado com jasmin. Só pratica boas ações, não cobiça a mulher do próximo, não tenta maquiar a declaração de imposto de renda, para no sinal - ou farol - para ajudar as velhinhas a atravessar a rua e é incapaz de dar um peido sequer, afinal ele é o BOM.

Esse é o maniqueísmo idiota que a Globo e o idiota mor do esporte quer passar para o público em geral e eu não engulo, para mim ganhar da Argentina é tão importante quanto ganhar de qualquer um. muito pelo contrário: Existem muito mais fatores que nos aproxima dos hermanos do que nos afasta. A rivalidade para mim termina no apito e acho super legal ser solidário com um povo tão parecido com o nosso quer seja em alegrias ou tristezas. Sorry Galvão, nessa eu não entro...

Não entro nessa nem em outras, mas também não nego que fazem um excelente trabalho profissional, tem uma cobertura boa para o público que é dirigido. afinal entendo que a Globo como empresa privada de comunicação visa e precisa de lucro e mal ou bem só assistimos F-1 porque a um interesse recíproco, afinal a nossa TVE não é a BBC, que transmite tudo sem compromisso com o mercado, afinal é estatal.

Escrevi esse amontoado de bobagens para dizer que também acho o Galvão um saco, mas não preciso fazer disso um norte na minha vida, acho a Globo manipuladora e oportunista, mas não faço disso uma bandeira. Para isso possuo discernimento e o mágico poder que só um controle remoto pode me dar, melhor do que ver a transmissão inteira e depois ir igual a um maricas ir correndo comentar em blogs por aí falando mal do Galvão e da Globo... Não assiste então, PORRA!!!!

Rubem Rodriguez Gonzalez

Marcelonso disse...

Corradi,

Esse cara foi único, e o mais legal disso tudo foi ter o privilégio de acompanhar isso tudo...


abs

Fabiani C Gargioni #27 disse...

Concordo com o Rubem, é muita frescura pra mim tbém com essa história deste ou daquele, Senna assim como Emerson,Pace e Piquet foram grandes na pista e basta!!!

walter disse...

Belo texto, Corradi! Belo texto!

Cardozo disse...

Maravilhoso piloto.

Talvez, o melhor que existiu.

Combinação perfeita entre homem e máquina.

O resto não interessa. O piloto era muito maior que isto.

* Texto no estilo Corradi, cujo site me encanta diariamente.

Anônimo disse...

Mau pra vc Corradi: perdeu um leitor depois dessa.

Átila

Anônimo disse...

Para o MARQUES: o colega viu Tazio Nuvolari, Bernd Rosenmeyer e Fangio atrás do um volante de um carro de corrida? Bom, acho que não. Também não vi. Mas sei que foram gênios da arte de guiar. Logo, pergunto: como é possível afirmar categoricamente e sem nehum pudor que Senna foi o mais espetacular das pistas? O automobilismo, meu caro, não nasceu com o Ayrton. Daqui a pouco, do que jeito que as coisas caminham, vão parodiar o ovo e a galinha e vão perguntar quem veio primeiro: o Ayrton ou a F1...

O máximo que você pode comparar, com a devida vênia, são pilotos contemporâneos que você efetivamente viu competir. E só.


O próprio Jim Clark, citado pelo Rubem, é um candidato seríssimo a destronar o "herói".

Como disse Nietzche, "O maior inimigo da verdade não são as mentiras. São as convicções".



Carlos Henrique

Oscar disse...

Grande post corradi,vc resumiu bem a essencia do mito,que perdura até hoje.
É facil notar como o senna ainda move multidões.ta rolando uma exposição muito legal sobre ele no metro aki de sp,e da pra ver que a grande maioria das pessoas não entendem nada de automobilismo,são motivadas a ir,e se emocionam profundamente, pelo mito que o senna se tornou.
belo post,parabens!

Humberto Corradi disse...

Moderando alguns comentários para evitar atritos.

Valeu

politicamente_incorreto disse...

Imagino, Corradi, imagino....... o tem é fio de 220v desencapado em dia de enchente.....

Só o Senna é capaz de fazer isso, até quem fala mal e tenta denegrir a sua imagem alcança um "ibope" bem grande, ninguém fica impassível ante a figura do Senna, acho inclusive que os seus detratores são os maiores responsáveis pela sua perenização no imaginário até daqueles que jamais o viram correndo. É impossível lêr algo sobre o piloto e não tomar um lado na discussão.

Rubem Rodriguez Gonzalez

Ricardo Reno disse...

Corradi,

E como vamos saber a opinião do Marques?

TW disse...

Uma palavra: gênio!