terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Jose Froilan Gonzalez



























Quem olha as fotos de Jose Froilan Gonzalez pode ter uma impressão errada.

Gigante, grosseirão...

Não é verdade.

A história conta outra coisa.

Gonzalez era o protegido de Juan Manuel Fangio.

Fazia parte do grupo de pilotos argentinos que invadiu a Europa por volta dos anos 50.

Tomando suas pistas de assalto.

E no início tudo foi bem.

Tão bem que Gonzalez marcou seu nome para sempre na Ferrari.

Foi esse touro dos pampas que conquistou a primeira vitória da Scuderia Italiana
na Fórmula 1.

Claro que havia dificuldades.

Ainda mais nas partes lentas dos circuitos.

Nessa hora o lastro natural que carregava atrapalhava muito.

O fisico não ajudava...

Mas nas pistas mais rápidas ele voava.

Enfrentava qualquer um de igual para igual.

Por vezes, nem o grande Fangio podia com ele.

Até que se deu a tragédia.

Temporada de 1954.

Poucos dias depois de Gonzalez ter vencido as 24 horas de Le Mans.

Outro argentino, o jovem Onofre Marimón sofreu um acidente fatal em
Nurburgring.

A primeira morte na Fórmula 1.

Froilan Gonzalez desabou.

Chorou com Fangio ao lado dos carros no grid de largada na Alemanha.

Na corrida, deu três voltas e entregou seu carro para Mike Hawthorn.

O gigante havia deixado as pistas.

Ah sim, atuou algumas vezes como piloto convidado.

No entanto se tornou outra pessoa.

Aquele piloto que ultrapassava limites havia morrido.

Junto com Marimón.

O homem continuou a viver por muito tempo.

Alcançou os 90 anos.

Outro dia, em Buenos Aires, ele resolveu nos deixar.

Na Argentina as pessoas deviam lhe pedir histórias.

Com certeza perguntavam sobre os dia passados.

Da romântica Fórmula 1.

De como Juan Manuel Fangio, o ídolo maior, era mais rápido do que todos!

"Em algumas pistas."

Ele devia pensar.

"Em algumas pistas..." 


29 comentários:

Daniel Médici disse...

Quem for a Buenos Aires, vale a pena passar na calle Uruguay, perto do Congresso, perto da Corrientes. Tem uma concessionária da Fiat que pertence ao Frolaín - hoje deve ser tocada por seus parentes. Dá uma medida ao respeito dos argentinos a seus grandes pilotos, mesmo que não tenham sido campeões.

André Candreva disse...

Corradi,

um dos grandes nomes do automobilismo...

ótimo post...

abs...

Rui Amaral Jr disse...

Veja Humberto, por volta de 1972/3 Froilan preparava um Opala D3, e encontrei com ele diversas vezes em Interlagos e acho que no Sul.
Sabia muito bem quem era mas nunca pedi um autografo, me arependo!
Da próxima vez que encontra-lo não escapa.
Completou 90 anos, vida longa ao Campeão!

Ron Groo disse...

Cara, que texto bonito. Eu já sabia das histórias o Froilan, mas assim, tão humana, nunca tinha lido.

Paulo Abreu disse...

Quando estava em seus dias, como bem você disse no texto, nem Fangio era páreo para ele.
Prova disso foram as suas vitórias na Copa Perón de 1951 que retratei lá no blog: http://voltarpida.blogspot.com.br/2010/08/quando-jose-froilan-gonzalez-derrotou.html

E depois foi publicada na edição 2 da Revista Speed: http://speedrevista.wordpress.com/?s=Speed+2

TW disse...

Conversar com ele deve ser sensacional, relembrar tal época.

Anônimo disse...

Inimaginável uma atitude como a de Gonzalez, na Alemanha, hoje em dia...
Teve piloto (um queixudo) que correu até no dia que a mãe morreu!


Uma ligeira comparação [meio simplista!!] entre Fangio e Gonzalez, a dupla com 'cara de mau' da primeira foto...

Entre 1950 e 1954:

Fang. - 29 GPs - 150,64 pts - 13 vit - 15 poles - 13 m.volt - 541 voltas na lider - 2 tit, 2 vice
Gonz. - 21 GPs - 74,64 pts - 2 vit - 2 poles - 6 m.volt - 258 voltas na lider - 0 tit, 1 vice


Sendo que em 1950 e 1951 Fangio pilotava para a 'toda-poderosa' Alfa Romeo. Em 1952, ficou de molho.
Em 1953 e começo de 1954 pela Maserati oficial. E, em 1954, por outra 'toda-poderosa', a Mercedes-Benz;

Já Gonzalez fez alguns GPs em 1950 numa Maserati da 'Scuderia Achille Varzi'.
Em 1951, suas duas primeiras participações foram em carros particulares (uma Talbot e uma Maserati) para, só então, ingressar na Scuderia Ferrari.
Em 1952 (quando a Ferrari dominava!), fez apenas 2 GPs pela Maserati oficial.
Em 1953, foi companheiro de Fangio na equipe oficial da Maserati (terminou em 6o o campeonato ao passo que Fangio foi o campeão).
E, em 1954, voltou à Scuderia Ferrari, num ano bem atrapalhado para a Ferrari, com uma confusão de tentativas para se encontrar uma combinação chassis/motor que funcionasse, digna de pastelão italiano...

Enquanto Fangio pautou sua carreira nas equipes oficiais, Gonzalez 'pulou de galho em glaho' um bocado...


um abraço,
Renato Breder

ALEX COURI disse...

bacana a historia e as fotos mais ainda! abcs

TW disse...

E a propaganda da Pirelli ali atrás na última foto. Será que com os pneus da marca é que faziam as zebras também?

Rafael Schelb disse...

Que beleza! Uma coisa que a gente deveria aprender com os argentinos é esse envolvimento sentimental, de fato, com o automobilismo. Ao contrário de nós, eles amam o esporte de verdade, tratam com respeito.
É uma relação muito bonita, e que só faz engrandecer o esporte, e seus heróis!

Unknown disse...

cena triste em uma foto linda!

http://25.media.tumblr.com/tumblr_ldjlnq1Gps1qe1wpwo1_500.jpg

"Chorou com Fangio ao lado dos carros no grid de largada na Alemanha."

Felipe Casas

Carlos Del Valle / Podcast F1 Brasil disse...

Belo texto, e que foto do Felipe Casas hein. Gordinho querido esse JFG

fernando disse...

essa foto que Felipe Casas achou é muito emocionante - ilustra o que conta o texto do Corradi.

era um piloto excepcional - causou uma primeira impressão positiva no Comendattore ao vencer uma corrida na Argentina, ainda no fim dos anos 40, a bordo de uma das primeiras Ferrari monoposto, derrotando um esquadrão de 3 Mercedes (modelos de 1939, mas 'flechas de prata', portanto ainda carros velozes) - uma delas com Fangio, que abandonou por quebra.
tambeem na mesma época, e provavelmente com a mesma Ferrari, Jose Froilan venceu um GP do circuito da Gávea, no Rio de Janeiro.
venceu a "24 Horas de Le Mans" de 1954, em dupla com Maurice Trintignant; mas o que se conta é que o argentino pilotou por 18 horas de prova, e a maior parte desse tempo sob chuva…

Belair disse...

A foto que o Casas encontrou é realmente tocante.

fernando disse...

a corrida na qual Froilan derrotou as Mercedes em Buenos Aires foi em 1951, não no fim dos anos 40 como eu disse.
É a corrida a que se refere o Paulo Abreu no comment mais acima, e no ótimo post que ele fez sobre o evento.
A Ferrari 166 que Gonzales pilotou era de equipe argentina, com apoio do governo Perón (tinha a cor azul celeste com bico amarelo) e batizada em homenagem a Achille Varzi, que apoiava os jovens pilotos argentinos mas morreu numa corrida na Suiça em 1948.

na foto do meio, tem jeito de ser no hairpin "du Nouveau Monde", em Rouen-Les-Essarts, com o piso deparalelepípedos característico daquela curva.

Anônimo disse...

Fernando,

A foto do meio - belíssima por sinal - é de 1953. Gonzalez está a bordo de uma, não menos bela, Maserati A6GCM em REIMS e não Rouen-kes-Essarts...

Fotos da lavra de Bernard Cahier:
==>> http://f1-photo.com/Ressources/Gallery/1953/France/Gonzalez_1953_France_01_BC.jpg
==>> http://f1-photo.com/Ressources/Gallery/1953/France/Gonzalez_1953_France_02_BC.jpg


E aqui, no pitlane em Reims, Gonzalez em primeiro plano e Onofre Marimon apoiado no carro.
==>> http://f1-photo.com/Ressources/Gallery/1953/France/Gonzalez-Marimon_1953_France_01_BC.jpg


um abraço,
Renato Breder

Juanh disse...

Fangio, González y Marimón, tres grandes del automovilismo mundial, aunque el último no haya podido demostrarlo.
Abrazos!

Juanh disse...

Gracias por el recuerdo Humberto!

fernando disse...

grande Breder!

realmente é Reims - nunca soube que havia pavimento de paralelepípedos lá também - a Virage du Nouveau Monde em Rouen foi sempre famosa por isso, além de ser um hairpin praticamente de 180 graus.

aliás, a segunda foto do B.Cahier que vc indica é exatamente a foto que o Corradi postou…

pela casinha ao fundo, a estrada que continua etc. talvez seja uma curva chamada Thillois, mas é chute, posso estar confundindo, mais tarde vou tentar checar com o mapa da pista - só sei que já vi muitas fotos com essa casinha e o detour da estrada.

abraço
Fernando

Marco Memoria disse...

Um dos grandes de sua época, vai engrossar o grid lá de cima !!

Carlos Del Valle / Podcast F1 Brasil disse...

Descanse em paz, mestre Touro

maxwellman disse...

Gostei do texto. Mesmo quando não há novidades sobre a F1, o Corradi nos presenteia com uma homenagem como essa.

Ituano Voador disse...

"Il cabezón, come tutti lo chiamavano, era proprio il contrario della continuità, della regolarità di Fangio. Alternava periodi felicissimi di velocità incosuete, addirittura sconosciute, con allarmanti pause. Quando si trovava in testa rallentava fino a farsi inspiegabilmente superare, quando inseguiva era un demolitore di avversari. Era dunque anche l'opposto di Alberto Ascari, sotto questo aspetto. E io confesso di noon avere mai capito perché quest'uomo rappresentasse una cosí straordinaria sinusoide nel comportamento di gara." (Enzo Ferrari, Le mie gioie terribili)

Fabio de Souza Pereira disse...

Belíssimo texto, mais uma vez.
Uma das coisas que diferencia os humanos dos sobre-humanos é a capacidade de lidar com os sentimentos, e daí decidir a vida, fazendo ou deixando de fazer;
apesar de muitas vezes não ser compreendido pelos demais.
A coragem que vem da emoção.

Paulo Bala disse...

Que história!!!!

Jefferson disse...

Salva de palmas para o post e para os comentarios!

Daylson Elder disse...

Rui,leia o texto novamente.Ele já faleceu.

Daylson Elder disse...

Eu não sabia bem a fundo esse lado do González.Belíssimo post Corradi.
Pra mim Fangio foi o melhor piloto de F1 que existiu.Numa época perigosa demais,onde existiam pouquíssimas chances de sobrevivência em caso de acidente.Fangio sofreu um mas não foi grave.O cara era demais.E pelos vídeos que vejo na Internet,nas entrevistas que ele deu,também demonstra ser muito simpático e atencioso.Uma vez fui na Argentina e visitei o Museo em homenagem a Fangio.Impressionante como eles amam e respeitam os seus pilotos.La tem o capacete dele e aquela viseira que parece mais um óculos de natação.

Fangio foi o único piloto a ganhar 5 campeonatos mundiais em 4 equipes.

Quando perguntaram,na entrevista,o segredo da sua velocidade,ele respondeu " é muito simples,freio menos e acelero mais".Parece simples mesmo.Mas sabemos que não.

Carlos Gil disse...

Frase atribuída a JFG: "In the old days drivers were fat and tires were skinny".

CG