terça-feira, 14 de março de 2017

Jim Clark
































O melhor de todos.

Jim Clark foi sempre tratado assim.

Aqueles que puderam testemunhar a Fórmula 1 dos anos 60 não carregam
nenhuma dúvida sobre o assunto no coração.

Ele parecia aperfeiçoar o que Alberto Ascari e Juan Manuel Fangio já haviam
realizado.

Um colecionador de pole-positions.

E dono de uma condução impecável.

Os outros pilotos o admiravam.

Numa época de incertezas, devido a falta de informação, o tratamento carinhoso
que Clark dava aos seus bólidos fazia toda a diferença.

Preservar o equipamento era uma grande vantagem.

Na época tudo podia quebrar a qualquer momento.

A categoria era empírica.

Por isso que, mesmo com todo o cuidado, o escocês perdeu dois títulos mundiais
por causa das falhas nas engrenagens.

No entanto nada tirava sua determinação.

Era evidente que seu talento o colocava acima dos demais.

Na prova de Spa-Francorchamps, em 1967, ele cruzou a primeira volta tão  à
frente dos outros que a organização chegou a pensar que algum acidente terrível
havia acontecido.

Exagero?

Poucos anos antes ele já havia feito algo parecido.

Abriu 3 segundos de vantagem pro resto ainda na primeira volta do GP de Mônaco.

E os 9 segundos que ele colocou no segundo colocado para conquistar a pole-position
em Nurburgring?

A superação de seu tempo de classificação em Monza durante a corrida

Performances memoráveis na chuva.

Esses momentos de sua carreira assombraram o mundo do automobilismo.

Estranho que sua trajetória não foi nada tranquila até a Fórmula 1.

Sua família não simpatizava com a ideia da velocidade.

Foi o talento que o carregou mundo afora.

Talento que despertou o olhar aguçado de Colin Chapman.

E aí o casamento com a Lotus durou para sempre.

Até que a morte os separou.

Apesar disso seu legado permaneceu.

Nas gerações que vieram depois sempre surgiu um piloto que assim como
Clark parecia desenhar os circuitos.

Posso até citar dois brasileiros.

Emerson Fittipaldi e Nelson Piquet.

Sem comparações.

Porque Clark faz parte de outra categoria.

O que dizer de um condutor que não alterava a configuração feita por seus
mecânicos?

Pois independente do setup ele conseguia tirar o melhor do carro.

Em qualquer situação.

Fosse nas 500 milhas de Indianápolis, na Nascar ou nas 24 horas de Le Mans.

Por isso que quando aparece um piloto vencedor e muito superior ao outros o
nome Clark volta a ser citado.

Por ter criado um alto padrão de qualidade.

Ainda que sua carreira tenha sido encerrada de forma precoce.

Não prejudicou a avaliação de seus feitos.

Mais ainda .

Sua história se tornou ainda mais importante quando novos parâmetros foram
estabelecidos por um certo piloto brasileiro.

Que assim como o gênio escocês teve seu tempo abreviado nas pistas.

Dessa forma ficou até mais fácil compreender o tamanho de suas conquistas.

Havia um precedente ideal.



26 comentários:

Anônimo disse...

Jim Clark pra mim não foi só o melhor piloto de F1 de todos os tempos, mas um dos melhores pilotos de automóveis de todos os tempos.
Ele vencia em qualquer coisa montada em quatro rodas.

Nenhum piloto na história foi tão superior aos seus contemporâneos como Clark foi na f1.
Foi o único piloto que entre seus adversários não se tinha dúvidas de quem era o melhor.
Foi superior em uma F1 com pistas difíceis, rápidas, carros leves, potentes, perigosos e sem downforce.

E seus concorrentes não eram fracos .
Tinha pilotos como: Jack Brabham, John Surtees, Jochen Rindt, Denny Hulme, Graham Hill, Jackie Stewart, Phil Hill, Bruce McLaren, Jo Siffert, Dan Gurney, Wolfgang von Trips e Lorenzo Bandini.

Ganhou três títulos mundiais da Tasman Series 1965, 1967 e 1968 que nada mais era que um “campeonato paralelo” de carros de F1 modificados que corriam em um campeonato somente na Austrália com muitos pilotos da F1 (um tipo de F1 de verão).

Foi campeão da BTCC fazendo verdadeiras acrobacias com um Lotus Cortina o que mostra a versatilidade como piloto.

Jackie Stewart, sobre o que fez Clark um bom piloto:

Ele era tão bom, tão limpo, ele dirigia com delicadeza tal. Ele nunca estava intimidado com um carro de corrida, ele meio que o acariciava a fazer as coisas que ele queria fazer.

Dan Gurney, disse que ele foi o único piloto que sempre foi temido pelos outros.

Quando Clark morreu, seu companheiro Chris Amon disse: "Se isso pode acontecer com ele, que chance o resto de nós temos? Eu acho que nós todos sentimos isso. Parecia que tínhamos perdido nosso líder. "

Anônimo disse...

lembro qnd meu pai falou do clark pela primeira vez. eu deveria ter uns 8 ou 9 anos. nao existia internet, nao existia onde procurar mtas informações... nao lembro que palavras foram usadas mas lembro exatamente da sensação que aquilo me passava, de que o clark nao era um piloto, que ele era uma entidade ou algo assim. nem mesmo meu pai viu o clark. ele provavelmente leu ou ouviu o mesmo que me contou, de alguem. e mesmo ate hoje, qnd vejo algo relacionado ao clark, me traz essa mesma sensação! seja um texto como esse, uma foto dele... ou simplesmente a lotus, seja ele o piloto ou não. e o engraçado, nao quero passar por bobo aqui, mas isso me traz uma nostalgia do que nao vivi. e que nostalgia deliciosa, como se eu fosse proximo do clark e de toda uma historia!

abraço

felipe casas

Mauricio Morais disse...

Corradi assino embaixo de tudo o que vc escreveu. Brilhante e verdadeiro. E o adendo do amigo anônimo também acrescenta informações interessantes.
Clark era o melhor sim.

Secastro disse...

Belo texto, Corradi.

De vez em quando é preciso realinhar os conceitos no automobilismo. Com o tempo as pessoas se confundem e começam a considerar "pilotos muito bons" como "gênios" ou algo parecido.

Me lembro de um texto do Juan Montoya (que, pelo menos na F1, era um cara rápido) que falava de uma corrida promocional que fez em dupla com Jackye Stewart em carros turismo. Em cada bateria um pilotava e o outro ficava do banco do lado, depois trocavam. Stewart fez a primeira e Montoya comentou que achou que ele andou muito devagar. Na sua bateria, Montoya decidiu "abrir a caixa de ferramentas" e usou toda a sua técnica, com derrapagens e manobras ousadas.

Ele mesmo confessou que foi muito mais devagar que Stewart.

No automobilismo atual talvez Clark, com seu carinho pelos carros, como voce bem disse, não obtivesse bons resultados. Mas é quase certo que, se os pilotos de hoje, acostumados com um monte de tecnologia, corressem nos anos 60, ou estariam mortos ou no fundo do grid.

Anônimo disse...

Esses carros dos anos 60 são demais! A verdadeira essência do automobilismo só o motor empurrando o piloto e os pneus e nada de riquefoque. Só o essencial.
Fico imaginando a emoção de se pilotar uma gracinha dessas pelo inferno verde, pela velha spa-francorchamps, dentre outros circuitos míticos da F1 nos anos 60 e 70.

Danilo Cintra

Anônimo disse...

Vale cada minuto!

Documentário completo da BBC...

Jim Clark - The Quiet Champion

http://vimeo.com/4228678#

Ron Groo disse...

O título do post é incontestável.

zamborlini disse...

espetacular texto, corradi.
é bom mostrar aos mais jovens um
talento com o do grande clark.

Rafael Schelb disse...

Difícil falar... Eu fico pensando naqueles que tiveram o privilégio de vê-lo correr... Ok, nós tivemos Piquet, Senna, Prost... Mas o que aqueles caras faziam naquelas condições... Clark, Hill, Surtess, essa geração de pilotos era uma coisa fora do comum, e qualquer comparação com qualquer outro é covardia, mesmo... Felizes aqueles que tiveram o privilégio de ver essa turma em ação...

André Candreva disse...

Corradi,

Clark foi fantástico...

e o texto também o é...

abs...

guto surian disse...

O começo de meu interesse pela F1 e as corridas em geral foi em 1971/1972 quando eu tinha 7 anos e meu ídolo era o Emerson, nesta época meu pai e meu irmão tinham coleções de 4Rodas e Auto Esporte e eu adorava fuçar estas revistas, quando achei uma sobre a morte de Clark, na capa uma foto da Lotus F2 pouco antes do acidente e a seguinte legenda " 500 metros para a eternidade" nunca mais me esqueci...

Wellporto disse...

Quando comecei a ler notícias sobre o "Flying Scottishman", ele era vivo e corria - como corria...!
Poucos pilotos de competição têm, para mim,o carisma do filho de criador de ovelhas - Gurney,Ickx, Bonnier, Bandini, Surtees, Fittipaldi...
A conquista de Indianápolis com a Lotus foi um assombro,à época, para os "reis do oval" americanos...
E o que não dizer das derrotas dos Galaxies da Willment para o Cortina Lotus,no campeonato de Saloon inglês, além da precisa condução do Lotus 30 entre os carros esporte da época...?
Esse era o piloto que meu emoções, desde os meus nove anos de idade, que me deu a noção de orfandade com sua morte...

Jefferson disse...

Parabéns pelo comentario amigo (não sei como se chama).
Conhecimento sobre o fantástico mundo da velocidade é sempre bem vindo!

Jefferson disse...

Melhor post do ano ate aqui Corradi!
(E acredito que nao sera batido!)
E melhores comentarios também!
E ate tive uma idéia.
Poderíamos votar ao final do ano para eleger o melhor. Que tal?

Sobre Clark eu nao tive a felicidade de poder vê-lo em ação.
Mas o respeito e admiração nas palavras dos privilegiados acima e do mundo da velocidade em geral me dão uma ótima referência.
Eram todos daquela época admiraveis, sobretudo James Clark Jr.

Abraço!

Gerardo Furtado disse...

Toda vez que o Corradi fala do Jim Clark eu compartilho esse gráfico que fiz sobre ele (tenho uma versão em português), vou compartilhar de novo!

https://oidamen.files.wordpress.com/2014/05/and-if-jim-clark1.jpg

Abraço,

Eric M. Souza disse...

Se ele não morre, teria tudo para ser campeão em 1968 (que venceu a primeira corrida, aliás). E considerando sua fidelidade à Lotus, também 1970 e 1972. Seria penta como Fangio, no mínimo.

Társio disse...

Sensacional!

fabehr disse...

um dia eu falei tanto de Clark pra minha mina q ela comprou uma camiseta dele (linda, por sinal) pra mim kkkk

O Escocês era monstro, junto com Fangio e Senna são o q há de melhor de todos os tempos na minha opinião.

Marques disse...

Dizem que a único ponto fraco dele era quando era perseguido, não se sentia bem se defendendo. Mas como geralmente sumia na frente dos outros, isso não era problema.

zamborlini disse...

essas re-postagens ficam realmente fantásticas.
valeu, corradi!!!

LGD disse...

Texto de arrepiar Corradi, parabéns.

Jeferson Araujo Pereira disse...

Especular sobre o que teria acontecido se ele não tivesse falecido é complicado, mas é válido.Partindo do fato de que os pilotos dos anos 60 demoravam para se aposentar, existiria até a possibilidade dele superar não só o Fangio, mas também de ser hepta bem antes do Schumacher.

Paulo Abreu disse...

Monza 1967 é o resumo do que foi Jim Clark!

Daniel Chagas disse...

Belo texto Corradi!

Eduardo Sacramento disse...

Quem foi Jim Clark?

Obrigado, Corradi e aos demais nos comentários. Visito este blog frequentemente há nos buscando também aulas de história do automobilismo como esta.

Anônimo disse...

Esse blog é um acervo fantástico.... O "Blogueiro" e os "colaboradores" tiram nosso fôlego!! Para mim, que não conheço quase nada antes de 90, leio textos como esses e me pego desejando ter nascido antes... sei que não serei julgado se fizer um paralelo com a história do Brasileiro morto em 94 (pra minha geração é inevitável)... Entretanto, esses textos são como uma catequese automobilística... ampliam nossa perspectiva. Obrigado Corradi! Fagner Serenissimos