segunda-feira, 23 de setembro de 2013

O Segundo Raio

























Faz toda a diferença na Fórmula 1.

É exatamente o ser ou não ser.

A tal questão.

Um título muda tudo na vida.

E não precisamos ir muito longe para comprovarmos esse fato.

Tomemos as carreiras de Felipe Massa e Kimi Raikkonen como
exemplos.

Companheiros dentro da Ferrari por três temporadas.

Um alcançou as glórias de ser campeão.

O outro, mesmo chegando bem perto, se tornou uma eterna incógnita.

Uma incerteza.

Por isso um pensamento permanece.

Uma pergunta.

Apenas uma conquista deveria trazer tanto valor?

Não questiono o talento, que fique bem claro.

Porém é preciso dizer que o caminho de uma conquista pode passar pela sorte
também.

No caso da dupla citada, o destino sorriu para um e aborreceu o outro.

De novo, não questiono o talento.

Entretanto foi ótimo para o finlandês as brigas internas da McLaren na temporada
na qual atingiu o topo.

Aonde você quer chegar?

Quero dizer que um título de campeão não me comove.

E não diz tudo.

Não confirma a verdadeira grandeza.

Sempre vou olhar com desconfiança alguns que escreveram seu nome na história
como Jenson Button ou Nigel Mansell.

Um com o carro irregular e o outro com uma máquina a prova de falhas.

Acho pouco.

Preciso ver que o raio caiu no mesmo lugar duas vezes.

Atestando assim a capacidade.

Mario Andretti, Keke Rosberg, Jody Schekter, Alan Jones, Damon Hill, Jacques
Villeneuve, James Hunt, Lewis Hamilton, Mike Hawthorn, Phil Hill, John Surtees,
Denny Hulme e Nino Farina.

Olha o tamanho do vespeiro!

Peço desculpas.

É só para não deixar dúvidas.

Não questiono o talento.

A capacidade.

Mas não consigo comparar as duas listas.

Olhe os nomes abaixo.

Emerson Fittipaldi, Ayrton Senna, Nelson Piquet, Jim Clark, Mika Hakkinen,
Michael Schumacher, Sebastian Vettel, Fernando Alonso, Niki Lauda, Jackie
Stewart, Alain Prost, Jack Brabham, Alberto Ascari e Juan Manuel Fangio.

A segunda é muito, mas muito mais pesada.

Uma conquista muda tudo.

Atrai fama, dinheiro e quase sempre garante um lugar na Fórmula 1.

Mas a repetição mostra realmente de que material é feito o piloto.

Desfaz dúvidas e questionamentos.

E transforma seu nome para sempre.

Na Fórmula 1 um raio pode cair duas vezes no mesmo lugar.

Mas isso não é fruto do acaso.

Algo ali, diferente de tudo que está em volta, o está atraindo.

Seria a prova de um dom que torna um piloto maior que seus pares.

Respeitado.

Para sempre.

Como uma verdadeira lenda das pistas.

15 comentários:

Anônimo disse...

Texto FANTÁSTICO Corradi, um dos melhores que já li.

PARABÉNS!!!!

Abraço!

Mauro Santana
Curitiba-PR

Ituano Voador disse...

Boa questão, e faz todo sentido. Se não me engano, foi o Webber quem falou algo sobre isso ano passado; um título acrescenta muito ao piloto, mas dois mostram realmente a sua essência. E, de fato, comparando as duas listas, dá para ver uma nítida diferença - são todos bons, mas os debaixo são melhores do que os de cima. Só trocaria Andretti - um cara que venceu em tudo que é categoria por mais de 30 anos - por Hakkinen - um bicampeão ocasional, pela falta de adversários.

Anônimo disse...

Acho que título não é garantia de ser o melhor. Alguém que tem 2 não o faz melhor de alguém que tenha um ou até mesmo nenhum.

Shumi tem 7, Prost 4, Fangio 5 e Jim 2, mas para mim Jim era melhor que os 3.

Tem muitas variáveis para se ganhar um título até mesmo a sorte.

O Mansell que normalmente é "diminuído" pelo amigo Corradi e acredito por questão de gosto pessoal e não por uma "realidade".

É bem verdade que Mansell tinha uma instabilidade emocional e assim cometia erros.

Mas a perda dos títulos disputados por Mansell esta mais ligado a pura má sorte como pneu estourando, furado, quebras do que erros.

Mas errar o Senna errava bastante também menos que Mansell, mas mais que Prost, Alonso, Vettel, Schumi e outros.

Ele (Mansell) tem 1 título é verdade, mas somente agora com 3 títulos Vettel foi passar Mansell em vitórias e Alonso com 2 títulos mais corridas disputadas que Mansell e ainda sim tem apenas 1 vitória a mais.

Grand-Chelem o Nigel tem 4 como Stewart e Senna. Tem 30 voltas mais rápidas Vettel tem 20, Alonso tem 22 e esse com mais GP's disputados. Poles Mansell tem 32 Alonso 22.

Lembrando que no tempo do Nigel se quebrava MUITO mais carros que hoje. Na Era Vettel e Alonso quebra é raridade já nos anos 80 era frequente.

Títulos são números e números existem outros...


Ahhh, mas a Williams 92 era um foguete! Sim como a Mclaren do Senna, Renault do Alonso, Red Bull do Vettel, Williams do Prost, Mclaren do Hakkinen e por ai vai.

Ahhh mas a Williams tinha suspensão ativa em 92! A Mclaren do Senna também tinha e mais todas traquitanas eletrônicas da Williams. E mesmo com tudo isso e cambio no volante Senna ficou atrás do Schumacher que tinha uma benetton sem suspensão ativa eletrônicos e ainda usava cambio convencional em "H" (na palanca).

O Mansell tem 2089 voltas como lider Alonso tem 1734. Outro fato é que as pitas de hoje permitem o erro. Se um piloto comete um erro normalmente sai em uma área de escape de asfalto e nem posição se perde. Nos anos 80 errou no mínimo ficaria preso em britas ou estourado em um muro.

Pega o número de corridas que o Mansell não completou por quebra ou erro de outro piloto e compara com os pilotos de hoje.

Emerson Fernando disse...

Tens razão. A conquista de somente um título pode ser algo efêmero ou fortuito. Fruto de variantes que sobrepujam a categoria do piloto.

Já a repetição desse título é a consagração de que e exceção possa ter virado regra.

Dentre os que tem dois ou mais títulos, somente tenho dúvidas se Mika Hakkinen está na turma certa. Os outros poli são muito superiores aos mono.

Abç,
Emerson Fernando

Fábio disse...

Acompanho seu blog há uns anos....se não estou enganado...seu melhor texto. parabéns. Abraço

Igor * @fizomeu disse...

Excelente análise!!! Apenas acho que Hakkinen e Mansell estão nos "times" errados...

botecof1 disse...

Corradi texto perfeito, montagem de raciocino totalmente bem explicitada parabéns pelo texto de alta classe!!!!

Rubens disse...

Quando o Kimi ganhar o seu segundo título ano que vem o Corradi falará que um raio cair duas vezes não é lá tão rato assim; tem que ver se a árvore que não estava no lugar errado, ou algo do tipo.

Reginaldo Nepomuceno disse...

Certa vez ouvi que o valor de um campeão se dá pela dificuldade que o vice apresenta. Se as outras equipes apresentassem carros mais decentes, Vettel não seria vaiado a cada pódio.

Anônimo disse...

Só não entendo porque tanto descredito ao Mika Hakkinen.
Ele foi Bicampeão como uns poucos outros, merece sim estar na lista dos melhores.
Talento ele sempre teve, o que ele não tem é carisma, por isso talvez tanto descredito com relação a ele.

Também creio que algumas vezes o raio não caia na cabeça de alguns "escolhidos".
Ex. Villeneuve pai.

Em tempo, o texto é excelente.
abs.
Alexandre

Paulo Heidenreich Jr disse...

Particularmente acho que as vezes é desleal fazer comparativos dentro do automobilismo, não que estejas fazendo no post, pelo contrário, tu faz questão de deixar claro que não questionas a qualidade de cada um. A evolução que a engenharia sofre a cada temporada, nos faz perder o ponto de igualdade que é necessário para compararmos desempenho entre os pilotos. Acredito que esses "campeões solitários" aproveitaram muito bem a oportunidade que tiveram. Pra mim o caso clássico é Jason Button, que naquela circunstância soube ser o melhor com o que tinha nas mãos.

Acho que John Surtees com apenas 01 título e o não citado Graham Hill fariam parte dessa lista dos pilotos diferenciados, se é que podemos chamar assim.

o fato é que cada vez mais o conjunto carro/piloto tem feito a diferença, o que as vezes mascara talentos e potencializa os medianos.


Anônimo disse...

Putz, achei que nunca ouviria/leria ninguém comentar sobre o quão vazio (no sentido de merecimento) foi aquele título do mediano (galgado a gênio) Jenson Button. Em pensar que outro piloto mediano, companheiro de equipe do Button, podia ter sido campeão também. Mas a sorte não ajuda só os pilotos. Ajuda aos fâs também. Já pensou ter um campeão de F1 como Mark Weber? É digno de tirar as páginas do livro.
RIC

Ricardo Reno disse...

Corradi,

Pior é Stirling Moss, que não aprece em nenhuma já que o critério são campeonatos ganhos, mas ser vice quatro vezes dá o que falar.

Também acho que Mansell não deveria estar na primeira lista. Quanto a Hakkinen passar pelo que ele passou e ganhar, depois disso, dois campeonatos já o torna de alguma forma especial.

Ituano Voador disse...

Acho que a questão não é bem de comparação entre pilotos, mas sim de uma situação específica, que divide pilotos campeões e pilotos multicampeões, não importando, aqui, se o sujeito venceu 2 ou 7 títulos. É o fato de alguém repetir a conquista, e essa repetição acaba tornando-o especial, pois, como dito pelo Corradi, ganhar um título pode decorrer tanto do talento puro, como Andretti, Hulme, Mansell e Hamilton, por exemplo, como de circunstâncias específicas, como Button e Hunt. Agora, a repetição do feito não pode ser debitada apenas em circunstâncias alheias ao talento.
Quanto à ausência de Graham Hill da relação, creio não ter passado de um pequeno lapso! :)
Abs

Anônimo disse...

Desde 1989 me baseio pela lista do link abaixo, como foi criada na época por uma revista brasileira tem que ser levada em consideração, mas estranhamente a mesma deixou de publicar o ranking no final dos anos 90(o vento começou a soprar contra os pilotos brasileiros, acabou o interesse). Mesmo assim, resolvi atualizar ano a ano para ver como fica, acredito ser uma boa base para saber o nível dos pilotos. Para maioria no Brasil(por causa da raivinha dos pilotos de fora), ela não que dizer muito. Mas ninguém pode negar o aproveitamento que cada piloto conseguiu na F-1(fora as conquistas históricas, como por exemplo, formar um time em torno de si começando por baixo até os títulos. Casos mais recentes na era moderna: Lauda, Piquet, Prost, Schumacher, Alonso e Vettel). Bom lembrar, mais de 700 pilotos passaram pela F-1, entrar nessa lista já é um grande feito mesmo vencendo apenas uma vez no mundial.

A lista abaixo esta atualizada até o GP de Brasil 2012. Achei melhor separar os campeões dos pilotos sem títulos, mostra melhor a realidade. Essa coisa de colocar S.Moss entre os super-campeões, na minha opinião é forçar muito a barra. Pela média, ele ficaria a frente de tricampeões como Vettel, Lauda, Piquet e Brabham, de vários bicampeões e todos campeões. Uma coisa fica bem claro, em termos de eficiência, Moss foi disparado o melhor piloto sem títulos da F-1.

Lista de pilotos Campeões da F-1:
https://fbcdn-sphotos-g-a.akamaihd.net/hphotos-ak-frc1/p480x480/1589_656712867679125_1237307462_n.jpg

Abaixo, os melhores pilotos sem títulos:
https://fbcdn-sphotos-a-a.akamaihd.net/hphotos-ak-prn1/6309_656712394345839_357721970_n.jpg

Se Vettel fosse campeão no GP de Cingapura, sua situação na lista seria 33 / 114 x 42 = média 12,15. Ficaria somente atrás de Prost. Vettel teria o mesmo número de títulos do francês, mas ficaria atrás por causa da média menor. Como podem ver o número de títulos e média de aproveitamento faz muita diferença na Formula 1. Vettel caminha pra ficar ao lado do pentacampeão Fangio. Quem diria, em breve Vettel vai tirar Prost do pódio que hoje esta ao lado de Fangio e Schumacher.