sexta-feira, 28 de abril de 2017

Vanderbilt Cup




As imagens acima contam um pouco da história da Vanderbilt Cup.

O evento automobilístico americano criado por William Kissam 
Vanderbilt II em 1904.

William gostava da coisa.

E era um piloto conhecido.

Já naquela época ele havia conseguido alguns recordes de velocidade.

O local escolhido para a realização da prova foi Long Island, em New York.

E mesmo tendo enfrentado certa resistência da comunidade local, o evento
aconteceu por 3 anos seguidos.

Acabou atraindo ótimos pilotos tanto dos Estados Unidos como da Europa.

Por conta da elevada premiação em dinheiro.

E foi justamente as equipes do velho mundo, principalmente as francesas,
que marcaram o primeiro período de vida da corrida.

Isso acabou trazendo muita rivalidade.

Já que os americanos queriam ver um time da casa cruzar a linha de chegada
em primeiro lugar.

O que só aconteceu em 1908.

Após um ano de intervalo em que a Copa Vanderbilt não foi realizada
devido a um acidente.

Onde um espectador foi morto.

Nos anos seguintes houve uma evolução notável na segurança e também
diversas mudanças no local de realização da prova.

Georgia, Winsconsin e a Califórnia foram palcos da Vanderbilt até sua
interrupção causada pela I Guerra Mundial.

Apesar disso, seu nome já estava gravado no imaginário das corridas.

Em 1936 ela retornou.

O sobrinho de William Kissan ressuscitou a prova após os anos da Grande 
Depressão.

No recém inaugurado autódromo Roosevelt Speedway, a Vanderbilt Cup
deu seus últimos dois suspiros.

E com glamour.

Atraídos pelo dinheiro, os europeus vieram com toda força.

E não deu outra.

A bordo de uma Alfa-Romeo, Tazio Nuvolari (representando a Ferrari)
venceu sem dar chances a ninguém.

A turma do velho continente repetiria o feito no ano seguinte com Bernd 
Rosemeyer pilotando uma Auto Union.

Depois de um hiato de mais de 20 anos, algumas provas foram realizadas
novamente com o nome de Vanderbilt nos anos 60.

Porém não tinham o mesmo brilho de outrora.

Já nos anos 90, como reconhecimento ao que William Kissam Vanderbilt II
havia feito pelo automobilismo americano, foi criada uma réplica da taça
Vanderbilt Cup em sua homenagem.

O troféu foi feito para ser entregue na US 500.

Com uma honra.

Os vencedores teriam seus nomes gravados nele.

A prova, realizada em Michigan, foi criada pela CART para rivalizar
com as 500 milhas de Indianápolis da IRL.

Isso tudo devido a briga entre as duas entidades americanas.

O americano Jimmy Vasser faturou essa primeira edição da corrida.

Curioso é o número de brasileiros que participaram desta primeira
US 500.

Sete!

Exército brazuca.

Estavam lá: Maurício Gugelmin, Raul Boesel, Roberto Moreno, André
Ribeiro, Gil de Ferran além de Emerson e Christian Fittipaldi.

Até 1999, essas "500 milhas dos Estados Unidos" foram premiadas com
a luxuosa Taça Vanderbilt, sendo que neste mesmo ano Tony Kanaan
conseguiu gravar seu nome ali.

De 2000 a 2007 aconteceu uma mudança.

O troféu passou a ser dado ao campeão da temporada da CART/Champ Car.

E aí somente 4 pilotos puderam ver seus nomes escritos neste período.

Os brasileiros Gil de Ferran e Cristiano da Matta, o canadense Paul Tracy e o
francês Sebastian Bourdais.

Nenhum piloto dos Estados Unidos.

Curioso.

Mesmo depois de tantas mudanças sofridas ao longo dos anos, fica claro que
(apesar de ter sido criada por eles) a Vanderbilt Cup não foi feita para as mãos
dos americanos.

Acontece.

13 comentários:

Paulo Abreu disse...

A intenção de William Vanderbilt, assim como a de Gordon Bennett, ao criar a Taça Gordon Bennett em 1900, era de incentivar a indústria automobilística americana. Só que ao contrário de Bennett, que fez esta competição de posse transitória e que a ganhasse, no caso o país, sediava aprova seguinte, Vanderbilt preferiu realizar as corridas lá mesmo nos EUA. Só que como você bem disse no texto, essa prova não foi feita "para os americanos", pois que a dominou muito nos tempos áureos dessa prova foram os estrangeiros, em especial os europeus que estavam anos luz à frente dos americanos na competição automobilística.
Ótima lembrança a sua.

Abraços!

fernando disse...

a Alfa de Nuvolari parece muito potente, será essa a Bimotore?


e olha lá em cima a curva em caracol do Tilke!

Anônimo disse...

Tazio Nuvolari usou uma Alfa Romeo 12C-36 na 'Vanderbilt Cup' de 1936 (a da foto).

A Alfa Romeo Bimotore era mais 'quadrada'... Foram construídas apenas 2 Bimotore: uma para Louis Chiron (com 2 motores de 2,9 litros) e a outra para Nuvolari (2 motores de 3,2 litros). Seu projeto visava pistas de alta velocidade como Tripoli e AVUS.

Na realidade, a Bimotore não era exatamente uma Alfa Romeo "puro-sangue". Foi um projeto desenvolvido pela Scuderia Ferrari (que utilizava os carros da Alfa Romeo). Poderia ser chamada de "a prmeira Ferrari"... e foi um fracasso!

Algo que eu encontrei na internet e compartilho com vocês...

* 1936 Vanderbilt Cup, Roosevelt Speedway
http://www.kolumbus.fi/leif.snellman/gp366.htm#38

* Mais sobre os carros da Alfa Romeo:
http://www.kolumbus.fi/leif.snellman/c1.htm
http://www.ddavid.com/formula1/alfabimotore.htm

* Bimotore
http://www.berlinasportivo.com/forumpics/cutaway2/alfabimotore.jpg

* Fotos, 1936 Vanderbilt Cup
http://www.vanderbiltcupraces.com/index.php/blog/article/thursday_december_29_2010_exclusive_starting_lineup_for_the_1936_vanderbilt

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Achei o 'Roosevelt Speedway' com um desenho que me fez lembrar de 3 autódromos mais modernos: Jacarepaguá, Estoril e Catalunya (ou Barcelona, ou Montmeló).


um abraço,
Renato Breder

Anônimo disse...

Ah sim, Corradi!

dessa vez eu contei certo: foram 5 posts hoje (1 de novembro)... e não 3...

outro abraço,
Renato Breder

Al Unser Jr. disse...

Gostei mesmo foi da pista, cheio de "rodamoinhos" ou "carracois".

fernando disse...

Breder, Jacarépaguá e Estoril foram desenhados pela mesam pessoa, o engenheiro-arquiteto paranaense Ayrton Cornelsen (q também desenhou o de Curitiba-Pinhais).

Fabio disse...

Também me fez lembrar o falecido Jacarepaguá

Renato Santos disse...

Eu gosto de escritor assim, que sabe o que está escrevendo, e chega a algum lugar. O texto é exatamente uma pista de corrida, você anda no trilho, filho.

Renato Santos disse...

De repente, aquele símbolo de yin-yang na pista da China não parece tão original assim... o Tilke viu esta imagem, isto é certo.

Diogo Oliveira disse...

Nossa, quando eu olhei esse autódromo, também vi Jacarepaguá. Deu uma saudade daqueles tempos...

Renato Santos disse...

Que texto tão lindo, amigo Corradi. Escrito com gasolina.

Davi de Oliveira disse...

Que história fantástica, poucos jornalistas contam histórias assim do esporte. Isso é uma relíquia. Sempre ouvia falar da taça com esse nome, mas ninguém explicava sua origem. Agora entendi.

Obrigado por nos nutrir com conhecimento tão bom e muito bem escrito.

Acompanho todo dia seu blog e sou fã do seu trabalho.

abraço

Daylson Elder disse...

Belíssimo texto meu caro Corradi.
Me senti um palpavo aqui ao ver quão leigo sou nesse tema de origens das corridas e circuitos.Todo o encanto do automobilismo se dá às informações minimalistas que exibistes.Um circuito colossal e com lindas curvas e os famosos "caracóis ".Um sentimento de nostalgia pura ao vê-la.