quarta-feira, 3 de junho de 2015

Palavras


























Alguns acham que ele foi o piloto mais rápido.

O canadense Gilles Villeneuve sempre que ia para sua Ferrari dizia a mesma
coisa para sua esposa:

"Espere um pouco. Eu já volto".

E sempre cumpriu sua palavra.

Alguém poderia perguntar.

Mas e em Zolder, 1982?

Joanne sua mulher não estava lá para ouvir a frase.

Não houve promessa.

Ela estava em Mônaco cuidando de Melanie e, do futuro campeão mundial,
Jacques.

Aconteceu o acidente e o piloto não resistiu aos ferimentos.

Joanne ficou sem seu marido.

E a Fórmula 1 perdeu aquele que sempre tentava modificar o conceito de
limite.

22 comentários:

Fernando Rhenius disse...

É meu amigo Humberto... Vai explicar né?
Belo post, belo texto me obriguei a compartilhar no face....

Abraçoss

Anônimo disse...

A primeira foto não está invertida! (hehehe)...
Foi a única vez (oficial) que Gilles Villeneuve usou o número 21: Canadá, Mosport Park, em 1977.

Na segunda foto, Villeneuve está ao lado de sua Ferrari 126C2 no grid de Jacarepaguá, em 1982 (21 de março).
Exatamente 48 dias depois dessa foto estaria morrendo na Bélgica (8 de maio)...

Já na terceira foto, o número 2 denuncia ser 1980 e pela aparência geral da foto, bem pode ser Watkins Glen, última etapa daquele ano.


Curioso: Villeneuve ficou 'eternizado' com o número 27 - talvez por ter sido o de sua última temporada.
No entanto ele usou mais vezes o número 12... abaixo os números usados por Villeneuve e quantas vezes usou cada um em suas 6 temporadas na F1:

* 1977
#40 1 vez, com uma McLaren!
#21 1 vez
#11 1 vez

* 1978 e 1979
#12 31 vezes

* 1980
#2 14 vezes

* 1981 e 1982
#27 20 vezes


SALUT GILLES!


um abraço,
Renato Breder

PS: foi a mulher do Pironi que, após a morte dele, deu a luz gêmeos e batizou-os de Gilles e Didier?

Marcelonso disse...

Corradi,

Gilles andava sempre acima dos limites, era fabuloso ve-lo em ação.

Infelizmente partiu cedo demais...

abs

politicamente_incorreto disse...

Lembro até hoje que estava dentro da extinta loja Sandiz- do grupo pão de açúcar - em Niterói e ví em uma das televisões o acidente e a notícia de que o piloto estava em estado gravíssimo - analogia de morto para quem é do meio, o único que recebeu esse tratamento da imprensa e driblou a morte foi o Lauda - e mais tade soube da morte dele.
Fiquei muito triste e chateado por gostar desse esporte assassino pois invariavelmente essa era a sina dos fãs da F-1, mas o destino é irônico pois de alguns anos para cá aonde é mais perigoso pilotar carrinho de supermercados não sinto o mínimo tesão pelo que vejo. fico em dúvida se estou ficando velho, realmente a categoria virou uma merda ou o que é o pior e revela um lado obscuro e primitivo em todos nós: será que a categoria também se tornou insossa por que não mata mais ninguém?

Relutei um pouco em escrever essa consideração acima porque poderia ser mal entendido, mas levnado em consideração que o nível intelectual da rapaziada aqui está acima da média abordei esse assunto pra lá de delicado, pois apesar de ser pacifista e anti violência não sei como isso é gerenciado pelo lado obscuro da minha alma.

Para finalizar somente sobre o Gilles Villeneuve honestamente achava ele apenas um porra louca, um Mansell com menos juízo que só sabia acertar carros em guard rails. Há muito tempo traçei um paralelo entre o Tancredo Neves e o Villeneuve, o primeiro só foi considerado um santo e um político ilibado porque morreu antes de assumir e o Villeneuve só foi considerado isso tudo porque também morreu antes de ter sido alguma coisa. Honestamente acho que nunca seria campeão, faltava perfil e sobrava coragem burra e desmedida, lembrava um motociclista maluco dos anos 70 que se chamava acho que Claudio "jacaré" Pavan e morreu enfiado em um opala no centro de São Paulo disputando um "racha". Em Fuji 1977 aprontou uma bela cagada se enroscando com o Peterson que terminou com a morte de dois espectadores, era realmente ao lado de De Cesaris os perigos da categoria no final dos 70 e inicio dos anos 80.

Nada do que escrevi é uma afronta a memória do Villeneuve mas as impressões de quem acompanhou toda a sua carreira alí prova a prova, não era tudo isso, virou um lenda assim como hoje chamam o Kobaiashi de mito.

Rubem Rodriguez Gonzalez

Anônimo disse...

Rubem, sem receios de ser mal interpretado, ok!

Quem conhece o assunto, como o pessoal que frequenta o espaço, entende bem o que você quer dizer. . .

Era mais ou menos isso mesmo, dava espetáculo, como Montreal/78, Dijon/79 e Holanda acho que 79 também, com aquele lance de voltar aos boxes no aro, mas não tinha perfil de campeão, embora talento não faltasse. . .e a se valorizar também a postura profissional em 79, sendo escudeiro de Scheckter a pedido do Commendattore, mas com carta branca para em 80 fazer "barba, cabelo e bigode". . .pena que a T4 era uma bomba. . .
A outra chance seria em 82, mas quis o destino que nem ele nem Pironi chegassem ao final do campeonato. . .

Zé Maria

Anônimo disse...

Do piloto não vou falar, era muito arrojado e só. Mas os carros eram bonitos pra caramba!

politicamente_incorreto disse...

Você foi ao ponto Zé Maria, o problema é que o ímpeto falava mais alto. se domasse a sua total incapacidade de planejar uma corrida ou um campeonato realmente seria o gênio que apregoam que ele foi.
O próprio acidente fatal foi fruto em parte da sua incapacidade de enxergar o todo, só conseguia enxergar a próxima curva e a fazia como se fosse a última, um dia todo mundo sabia que ia dar merda... e deu.

Porém o seu acidente só foi fatal porque a Ferrari daquele ano parecia feita de papel, uma verdadeira vergonha de carro que matou um piloto e aleijou o outro numa mesma temporada,deveriam ter prendido uma meia duzia na equipe por homicídio doloso - quem faz um monoposto com um motor com mais de 1000 hp's em treinos com aquele nível de segurança deveria pagar por tal crime - mas a Ferrari sempre foi tratada como vaca sagrada na categoria e isso não é de hoje.

PS. Um dos maiores mistérios da F-1 é sem sombra de dúvidas como o Andrea de Cesaris passou incólume pela categoria em uma época bem perigosa, quem já viu a figura pessoalmente ficou embasbacada como aquele cara poderia ter super licença, para muitos ele não poderia ter nem carteira de motorista. tinha mais tiques nervosos que um fujitivo de hospício e na pista nunca decepcionou, deve ter destruído pelo menos uns 30 monopostos, muitos com perda total.......


Rubem Rodriguez Gonzalez

Rafael Schelb disse...

Pegando um gancho no que o Rubem disse, me lembro de uma frase do Piquet, que era muito amigo do Villeneuve: "O Gilles usava um capacete com número menor, daí o capacete comprimia o seu cérebro. Era só ele colocar e sair fazendo besteira." Na minha opinião ele era, de fato, meio sem noção mesmo, embora fosse muito talentoso.

E respondendo ao Breder: foi isso mesmo

Anônimo disse...

Rubem, apenas complementando sobre o de Cesaris e sua sorte. . .que eu me lembre só ela mesmo que era grande, de talento mesmo era zero, foi "bancado" pelo "papis" por toda a carreira, até a F 1, por conta da distribuição dos cigarros, você sabe a que me refiro!

Ron Dennis na McLaren acho que em 81 não deu conta do numero de monocoques destruídos pelo italiano, foi e é recorde mundial!!

Um brilhareco de que me lembro agora foi a pole em Spa, acho que em 83 de Alfa-Romeo, isso sim um verdadeiro milagre!!

Zé Maria

Anônimo disse...

Zé Maria,

em Spa, 1983, De Cesaris largou em 3o e marcou a MELHOR VOLTA... sua pole foi em Long Beach, 1982.

E quanto à passagem na McLaren, devido aos inúmeros acidentes de De Cesaris, "acabaram-se" (Ron Dennis, em outras palavras) os carros, peças, etc para o italiano em Zandvoort 1981: consta que ele não largou porque o TIME desistiu da participação dele no GP...

abraço,
Renato Breder

Anônimo disse...

Rubem, achei muito bom seu comentário sobre o Villeneuve e compartilho de sua opinião sobre ele.
O Villeneuve batia a cada 2 corridas e quase sempre, devido a algum exagero.
E pior é que já vi vários desavisados compará-lo a Senna em blogs por aí.
E sobre o De Cesaris, eu acho que a diferença dele para o Villeneuve, é que o italiano não pilotou um carro de ponta como o canadense.

Uma curiosidade no GP da Inglaterra de 81:
O De Cesaris foi vítima da barbeiragem do Villeneuve, que subiu nas zebras da chicane da Woodcote e perdeu o controle do carro. Depois o canadense ainda voltou a pista com o carro todo quebrado, dando o seu showzinho para a torcida a exemplo do fizera na Holanda em 79.

Enio Peixoto

Anônimo disse...

Apenas agradecendo ao Breder pelas correções, como puxo pela memória, por vezes o Tico & Teco me aprontam essas trocas de datas! Tks.

Zé Maria

Ricardo Reno disse...

A morte é um bom negócio, para os parentes, como disse Jimi Hendrix. A dos artistas é motivo para relançamento de albuns,que não venderiam tanto se o sujeito fosse vivo. Para outros é motivo de enaltecer as qualidades, esquecer os defeitos, e imaginar o que o morto seria capaz ainda de fazer se fosse vivo.

Anônimo disse...

Era um piloto que dava espetáculo, que fazia valer o ingresso. Depois daquele pega antológico com o Arnoux em 79, não precisaria ter feito mais nada na vida, que dirá na Fórmula 1!! Brincadeiras à parte, não me espanto com o comentário do Rubem sobre o fascínio do automobilismo daqueles tempos. Só discordo da premissa. Não eram os acidentes fatais que hipnotizavam os VERDADEIROS apreciadores do esporte, mas o duelo entres os pilotos e as máquinas cruas e rudes. Hoje, a F1 é séptica, mais sem graça que água de arroz, e boa parte disso pode ser creditado na conta da tecnologia. Penso que o desenvolvimento tecnológico dos monopostos deveria se restringir à melhoria da segurança, somente, e não interferir em absolutamente nada na tocada dos pilotos. Quero de volta os volantes pelados nos carros!!

Carlos Henrique

politicamente_incorreto disse...

Concordo contigo Carlos Henrique, já citei milhares de vezes e a exaustão que os monopostos da F-1 poderiam usar a eletronica a exaustão. mas apenas para desenvolvimento, na corrida e nos treinos cronometrados deveria ser o velho trinômio embreagem, volante e trambulador. tudo mecânico, estilo caminhão velho rsrsrsrsr.... é para separar os meninos dos homens...

Rubem Rodriguez Gonzalez

Alex Senges disse...

Hj em dia os pilotos de f1 se cansam menos que pilotos de kart!

Fabiano Dantas Medeiros disse...

Poucas palavras... mas muito boas de se ler.

Abraço.


http://minhavisaofdm.blogspot.com.br/

Anônimo disse...

Legal o tema, indúz tais comentarios cabeças...vai vendo:P
FerCarSystem

walter disse...

Villeneuve não foi campeão de 1979, porque não quis; não foi campeão de 1982, porque morreu. Em 1982, a Ferrari foi campeã de construtores e Rosberg, o campeão dos pilotos, só ganhou uma prova. O campeão de pilotos teria sido ferrarista, se o carro não fosse esse lixo assassino que matou Villeneuve, em maio, e destruiu Pironi, em agosto.
Acho injusto lembrar Villeneuve, só pela boçalidade, considerando os carros ruins com os quais ele andou em várias temporadas, especialmente 1980 e 1981.

David Félix Krapp disse...

Gilles era SENSACIONAL !!! Ainda tem nego maluco no mundo que compara o Maldanado com ele... pelamor !!! Sem blasfemia !!!

Abel Costa disse...

Gostei muito do post. Texto escrito por quem gosta, não por quem tem que vender alguma coisa.

Eric Musashi disse...

O que aconteceu em 79, que Gilles perdeu por tão pouco para o Sheckter? Foram mais quebras, ou acidentes, mesmo?

Hoje ninguém liga para Sheckter e só falam de Gilles. Pelo pouco que vi, o canadense era muito temerário. Piloto show, como Senna, Mansell, e, hoje, Hamilton. Nesse grupo aí, uns melhores que os outros, mas em que lugar vai Gilles?