domingo, 4 de agosto de 2013

Realismo


























Nas imagens aparece a Fórmula 1 em seu período mais romântico.

Na verdade era o final.

O profissionalismo de pilotos e equipes já mostrava o que seria o futuro.

A sorte não seria mais o principal ingrediente das vitórias.

Dan Gurney, esse que aparece na foto logo acima, serve como exemplo.

Era um daqueles que amavam mais os ajustes do que as batalhas no asfalto.

Toda aquela geração empírica com o tempo desapareceu.

Mike Hawthorn, Peter Collins, Alfonso de Portago...

Todos com histórias ótimas de serem contadas.

Depois você clica nos marcadores.

Os nobres, os ricos do grid.

Derrotados.

Ultrapassados.

Por uma Fórmula 1 rígida.

Iniciada por Stirling Moss.

Que já possuía um staff próprio.

Aprimorada por Jackie Stewart.

Que tinha a Ford e a Dunlop aos seus pés.

E elevada ao máximo com Niki Lauda.

Que fazia a Ferrari testar exaustivamente cada pedacinho do carro.

Não havia mais lugar para sonhos.

Os aventureiros seriam sempre esmagados no final.

Sem patrocinadores, sem talentos, sem evolução...

Os pilotos agora olham os dados da telemetria e sabem contar uma história com eles.

Os romantismo desapareceu.

O lirismo.

E com ele aqueles pilotos diferentes.

Que corriam pela vocação, pela diversão, para estar com os amigos ou apenas pela festa.

Como diria Suassuna.

A maioria morreu precocemente.

Do acidente.

Do acaso.

Por isso suas imagens nas fotos são sempre belas.

Como em geral são os mais novos.
 
Belos, cheios de vida e sempre em busca da aventura.

Passado.

Na Fórmula 1 a matemática venceu a poesia.

10 comentários:

Rodrigo Keke disse...

Corradi, já pensou em escrever contos sobre automobilismo? Creio que renderia coisas legais...

politicamente_incorreto disse...

O Romantismo é um péssimo negócio, daí não ter vingado em nenhuma atividade humana. Sempre será sufocado pela ganância e a necessidade de se ganhar mais e mais, sem medir as consequencias. Um dia a pirâmide vai explodir.

O último episódio da "Familia Dinossauro" apesar da simplicidade e despretensão é provavelmente a maior obra prima sobre a futilidade e a cegueira do ser humano, a vitória da ganância sobre a lógica e a razão, vale a pena ser visto. Quando vejo o patrão do Dino urrando e xultandos milhões que estava ganhando com a venda de cobertores provenientes do encobrimento do sol juro que me lembro de pessoas(?) como o Eclestone e outros que não conseguem enxergar que só a poesia e o romantismo podem dar a imortalidade ao ser humano e não o dinheiro que nada mais é do que papel pintado, não existe nenhuma poesia na grana. A não ser que alguém ache "em deus confiamos" ou "deus seja louvado" obras primas contemporâneas........

Rubem Rodriguez Gonzalez

fernando disse...

"não existe nenhuma poesia na grana"
boa Rubem, não por coincidência grana tem tudo a ver com imposto de renda para o cidadão comum (seja lá o que isso significar) e IR tem muito a ver com burocracia que por seu turno não tem nada a ver com arte (poesia).

na foto de baixo, Dan Gurney no tenebroso GP em Nürburgring 1968, disputado sob chuva E neblina. Gurney está usando o capacete Bell integral que tinha estreado no GP da Holanda pouco tempo antes - foi o primeiro na F1 a utilizar capacete integral.

Fabiani C Gargioni #27 disse...

Bela poesia, sobre a poesia Corradi!!!

Marco Memoria disse...

Pegando o gacho ai no Gonzales veja esat letra do compositor carioca Pedro Luis, o nome da musica é Ta, esta silaba é omitida no final de cada rima, mas revela todu sobre que o nosso amigo ai de cima esta dizendo e como pra bem entendedor meia palavra bas....
Vamos a letra:

Pra bom entendedor, meia palavra bas-
Eu vou denunciar a sua ação nefas-
Você amarga o mar, desflora a flores-
Por onde você passa, o ar você empes-

Não tem medida a sua ação imediatis-
Não tem limite o seu sonho consumis-
Você deixou na mata uma ferida expos-
Você descora as cores dos corais na cos-
Você aquece a Terra e enriquece à cus-
Do roubo, do futuro e da beleza augus-


Mas do que vale tal riqueza? Grande bos-
Parece que de neto seu você não gos-
Você decreta a morte, a vida indevis-
Você declara guerra à paz por mais bem quis-
Não há em toda fauna um animal tão bes-
Mas já tem gente vendo que você não pres-

Não vou dizer seu nome porque me desgas-
Pra bom entendedor, meia palavra bas-
Não vou dizer seu nome porque me desgas-
Pra bom entendedor, meia palavra bas-
Bom entendedor, meia palavra bas-
Bom entendedor, meia palavra bas-
Pra bom entendedor, meia palavra bas-

TW disse...

Perfeito! Sem mais comentários depois do belo texto! Parabéns!

Rubens disse...

Calma Corradi, a matemática já foi substituída pelo Playstation.

Também vou recitar, uma música, em rítmo de axé.

Playstation, tion tion
Playstation.

Playstation, tion tion
Playstation.

Joga a mão pro alto! Aperta o botão!
Não tem essa de talento meu irmão!

Aqui quem domina o controle é sempre o campeão!

Playstation, tion tion
Playstation.

Playstation, tion tion
Playstation.

Dáaaaa, Bahiaaaaa, axé, energia positiva! Vai vai vai!!!

Playstation, tion tion
Playstation.


Repete 3x

Acorde começa em Dó e termina em Sol.

Verde disse...

Virou ciência exata. E ciências exatas não são exatamente sedutoras.

Anônimo disse...

Lindo este escapamento da ferrari dos anos 60 quando os motores ainda eram em "V" e ainda não eram "Flat" ou "Boxer".
Tem um vídeo promocional da Shel, aquele que a ferrari vai evoluindo, aparece esta ferrari nas ruas de NovaYork ela passa como um foguete perto de um taxi, e o taxista toma um baita susto. E o barulho do motor então! Que sinfonia do V12!

Danilo Cintra

Juanh disse...

Amo los circuitos de F1 de los sesenta: Spá, Monza, Nurburgring, Clemont Ferrand... Lamentablemente, hoy tenemos Abu Dhabi, Bahrain, China, Corea, India, Singapur... Cambiamos el hermoso verde de la vegetación que rodeaba a los circuitos en los sesenta, por el horrible marrón de la arena que los rodea hoy...
Abrazos!
http://juanhracingteam.blogspot.com.ar/