sexta-feira, 2 de maio de 2014

O Monarca Da Outra Era
























Texto de 2011.

Não consigo pensar em outra coisa para um 2 de maio (pós Senna).

...

O título de Sebastian Vettel foi marcante.

Não é todo dia que aparece um bicampeão.

E o que me chamou a atenção foi a festa.

A exaltação, a alegria.

Vettel ainda é querido.

Carismático.

Bem diferente da figura de seu compatriota alemão.

Levando em conta a juventude.

Não é implicância.

É uma constatação.

Apesar de todos os números impressionantes Michael Schumacher não é
amado pela multidão.

Nunca foi.

Falando aqui do Brasil?

Não.

Basta uma olhada em blogs e sites de automobilismo do mundo inteiro.

Estão lá, aos montes, homenagens a Gilles Villeneuve, Jim Clark, Graham Hill,
Ayrton Senna...

Schumacher é um construtor.

Uma pessoa que mudou o rumo da Benetton e da Ferrari.

Um vitorioso.

Então onde está a admiração do público?

Qual é o porque da frieza encontrada na imprensa?

Alguns dizem que a culpa é de um brasileiro.  

Ayrton Senna impactou de tal forma a Fórmula 1 que o surgimento de
Schumacher ressoou como uma heresia.

Um farsante tentando ocupar um lugar que não era seu.

Outra teoria aponta sua ações.

Acusa suas atitudes.

Michael sempre foi um bravo.

Um piloto que buscava a vitória de qualquer maneira.

Por conta disso suas questionáveis manobras o fizeram se tornar um vilão
em muitas ocasiões.

E sua história está completa.

Não pode ser refeita ou corrigida.

Até porque ele não é de reconhecer erros ou pedir desculpas.

Se fez muitas vezes de vítima.

Sendo por isso ironizado pelos seus pares.

É a imagem que ficou.

Sete títulos mundiais.

Números e mais números deitados a seus pés.

Uma máquina programada para vencer.

Centrado.

Schumacher nunca foi um deslumbrado.

Sua história de vida não permite isso.

Lutou desde o começo, ainda no Kart.

E por isso cultivou hábitos simples.

Diferente de outros que caíram perante a fama e o dinheiro.

Qualidades admiráveis num campeão.

Porém ele carrega uma derrota.

Apesar de todos os triunfos.

Michael Schumacher  nunca conseguiu atingir os corações das pessoas.

Talvez tenha sido seu único fracasso.

Um fracasso gigantesco.

12 comentários:

Ron Groo disse...

Na boa?
Nunca vi diferença entre as atitudes de Senna e Schumacher.
Ambos eram focados na vitória.
Creio que a antipatia ao alemão pelo mundo se dá mais pelo fato dele nunca esconder ou tentar justificar seus atos com algo que não fosse só a verdade.
Mas ai é assunto pra discutir longamente a frente de uma cerveja.

RenatoS. disse...

Corradi,

os gestos, as atitudes na pista, o choro que nunca me convenceu, as histórias de irregularidade, a necessidade de um 2º piloto, a falta de adversários à altura de seu talento, enfim, são estes os motivos que nunca me fizeram vê-lo com a mesma graça que os outros.

No entanto, reconheço seu talento e gostaria muito de tê-lo visto atuando em boa parte dos anos 80. Teria sido bem interessante.

Aliás, ontem revi a corrida de Mônaco/84 e pude assistir de novo a atuação do impressionante Stefan Bellof, este sim...um piloto alemão que gostava bastante.

No mais, parabéns por mais uma análise precisa.

Abs.

juniorcaixote disse...

Cuidado, Corradi, daqui a pouco os membros da SS brasileira vêm tirar satisfações contigo. Abraços.

Anônimo disse...

Nunca saberemos quem foi melhor.
Mas o maio é apenas um.

BT

Secastro disse...

Belo texto, Corradi.

Fabrizio Salina disse...

Com certeza é um dos maiores pilotos.
Mas Aquiles precisa de um Heitor, de um Odisseu, senão, como referenciar sua grandeza?
Faltou um Prost na vida desse cidadão!

João disse...

Mentira, a mim Schumacher sempre me tocou. Conjuntamente com Michael Jordan, os meus dois grandes ídolos.

Thiago Lemos disse...

Hoje, em vez de admiração pelos feitos - sempre regados de polêmicas e porens, as pessoas hoje tem pena (da sua situação atual, em coma). Bom, pelo menos isso.

Que siga lutando por sua vida. A familia que precisa dele.

Anselmo Coyote disse...

Schumacher foi o melhor e assim como Piquet não tocou muitos. Apenas os que preferem a sinceridade. Se queres ser um leão tens de treinar com os leões. Foi o que ele fez e foi o rei dos leões.
Abs.

Anônimo disse...

Prezado Anselmo, discordando respeitosamente da tua opinião, parece-me que os Leões, todos eles, se retiraram de cena até o meio da década de noventa.

Abraço.

Ricardo Piva.

ALEX COURI disse...


É sempre chato qdo acontece apenas 1 vencedor por várias temporadas seguidas na F-1.. foi o caso do Schumacher e agora a rejeição ao Vettel se deve ao mesmo motivo.. mas hoje o Schumacher tem todo seu mérito reconhecido e é sim idolatrado a nível mundial, o mesmo acontecerá com o Vettel, é necessário um certo distanciamento de tempo para q isso ocorra! valeu

Rodrigo Vilela disse...

Frank Williams já dizia: "não creio que pilotos gentis terminam em último, mas os melhores são exigentes, buscam a vitória a qualquer custo, não aceitam nada menos que o primeiro lugar. Por isso são uns patifes"!

Senna e Schumacher são patifes!!

Como já disseram, a diferença é que Schumacher sempre tentava encontrar culpados e fazer média. Senna nunca escondia nada!

Porém, é inegável que ambos foram gênios!