terça-feira, 28 de março de 2017

Clipping




























Imagem feita em Le Mans.

1967.

Motores e Afins

As pessoas, vendo o drama da Honda, questionaram se não teria sido possível
a marca japonesa copiar o modelo da unidade de força da Mercedes que
trabalhava nos carros da McLaren ao invés de adotar um conceito original

A resposta é não.

A relação entre as fabricantes e suas clientes é muito peculiar.

Primeiro que todos os componentes e peças da unidade de força são construídos
dentro das fábricas.

Brixworth (Mercedes), Maranello (Ferrari) e Viry-Chatillon (Renault).

As equipes que resolvem adquirir uma dessas unidades recebem os desenhos
e especificações assim que o projeto para o ano seguinte é concluído.

Nesse instante cada cliente pode então ajustar seus carros para envelopar
o motor.

Repare a vantagem das fabricantes.

Elas constroem seus bólidos numa interação única.

Numa interdependência entre a aerodinâmica e a unidade de força.

Já as clientes fazem na verdade adaptações em seus chassis.

Geralmente as escuderias clientes só recebem suas unidade de força na
pista.

A cada final de semana.

Todos os motores tem o mesmo design (time principal e clientes).

O software que regula as especificações de limite de funcionamento do motor
também é igual para todos.

Isso determina quantas voltas podem ser feitas em cada modo do motor e
define as margens operacionais de segurança.

Interessante que durante um final de semana de GP, a empresa responsável
pelos fluidos e combustível monitora o tempo todo o desempenho tanto da
equipe principal como das clientes.

Centenas de amostras são recolhidas pelos técnicos durante os dias de testes,
qualifying e corrida.

Tudo isso ajuda entender o desgaste do motor e traçar os limites operacionais.

Ao término de cada etapa todas as unidades de força (time principal e clientes)
são inspecionadas e seladas.

Dependendo do tempo elas retornam para a fábrica ou são enviadas para a
próxima sede de GP.

(veja a dificuldade em se tentar roubar um projeto)

A interação entre as informações do time principal e as clientes ajuda a melhorar
o desempenho.

Daí se percebe a importância de se ter clientes.

Mais informação.

Assim a chance de se tomar as melhores decisões aumentam.

Fumaça e Fogo

Durante os testes de Barcelona a Red Bull acusou a Mercedes de usar óleos no
combustível para melhorar o rendimento do motor.

Como as unidades de força da Fórmula 1 funcionam num sistema fechado, a
possibilidade de utilizar óleo como combustível aumentou.

Isso violaria as regras que limitam os produtos químicos que podem ser utilizados
para alimentar os motores.

A Mercedes negou que houvesse feito tal ação.

E Toto Wolff declarou que a Time dos Energéticos estaria vendo fantasmas.

Pois bem.

No paddock de Albert Park ficou claro que a fonte da informação utilizada
pela Red Bull foram técnicos e engenheiros que trocaram a Mercedes por
outras equipes nos últimos anos.

Repare que as fontes estão no plural.

Ninguém mais duvida que a prática era corriqueira na Mercedes durante a
classificação.

Com a denúncia, as diferenças entre os tempos de largada não deverão ser
mais tão gritantes.

Formiga e Cigarra

Niki Lauda sempre teve obsessão pela perfeição em seu trabalho quando
era piloto.

Cuidava do físico numa época em que poucos pensavam nisso.

Perseguia o detalhe.

Não havia vitória sem esforço, sem testar de forma exaustiva.

Ao olhar Kimi Raikkonen na Austrália, o velho homem não se conteve.

"Veja como está comodamente sentado com seus óculos de sol.

Não há uma gota de suor!"



Fiquei com pena do Ricciardo e seus problemas.

Cruel acontecer essas coisas em casa.

Também cortou o coração o abandono de Romain Grosjean.

Fez uma bela classificação (a frente da Williams) e chegaria fácil nos pontos.

Lance Stroll

Calma.

Trocas

A cada dia ferve mais o caldeirão McLaren / Honda.

Não importando as melhorias, algumas vozes importantes já dão o ano
de 2017 como perdido.

Yusuke Hasegawa reconhece a pressão da equipe e dos pilotos.

Um acordo poderia estar sendo costurado.

Veja algumas informações.

Primeira.

A McLaren poderia romper o contrato e indenizar os japoneses.

Com isso a Honda desembarcaria na Sauber.

E a escuderia de Woking novamente utilizaria os motores Mercedes.

Niki Lauda (contra) e Toto Wolff (a favor) parecem ainda discordar.

Segunda.

Force India (conversas mais adiantadas) e Williams (no início ainda) poderiam
trocar a unidade de força da Mercedes pela Honda.

Terceira.

(essa só aqui)

Surpreendentemente, a McLaren já sentou na mesa com a Renault.

Vamos ver o que vai sair desse balaio de gatos.

Colando Cacos

Interessante.

Na Austrália houve uma reaproximação entre Jos Verstappen e Toto Wolff.

Max foi um sonho que acabou para o contrariado chefe da Mercedes.

Nas tratativas, a opção de Verstappen pela Red Bull deixou mágoas.

Como eu disse, interessante.

Ultrapassagens

Na China deverá ser mais fácil, não?





















10 comentários:

Anônimo disse...

"Lance Stroll

Calma."

Eu estou calmo, não sei se pode-se dizer o mesmo de Claire e Frank.

Ricardo

Anônimo disse...

Curioso é que a Honda já quis fornecer motores para outra(s) equipe(s). A McLaren - leia-se Ron Dennis - é que vetou a empreitada... Explica-se a evolução demasiado lenta.

Por outro lado... não existe uma "regra" da FIA que diz que uma fabricante de motores tem de fornecer seus motores para mais de uma equipe?

Trocar motores Mercedes-Benz (ou Mercedes-ANG?) por motores Honda, nas circunstâncias atuais, é cometer um "suicídio tecnológico"... ou quase. No caso da Sauber dá para entender. Muito provavelmente a Honda traria junto com seus motores um investimento na equipe. A Sauber se livraria do custo Ferrari.

Agora, Force India e Williams juntando-se à Honda só pode ser entendido - pelo menos por enquanto - do ponto de vista "dinheirístico"! Os resultados e performance sumiriam e ainda assim, talvez uns trocados sobrariam no caixa dessas equipes...

Questão: qual seria(m) a(s) equipe(s) que ficaria(m) com os motores Mercedes-Benz "desprezados"? Toro Rosso? Red Bull?

McLaren-Renault talvez... não creio numa McLaren-Mercedes Benz de novo...


um abraço,
Renato Breder

Renato Santos disse...

Exxxxxxxxxxxcelente post. Obrigado, Humberto.

Jefferson disse...

Kkkkk
Exatamente!
Até o momento acho que o menino "gastou" todo o dinheiro que paoai trouxe!

Jeferson Araujo Pereira disse...

Mercedes usando óleos no combustível: grato por finalmente ter esclarecido isso.

Nesse post ficou registrado que o alto escalão da Force India e da Williams precisam urgentemente de um psiquiatra, ou melhor, de vários psiquiatras. Classifico como maluquice essa notícia das duas equipes sobre a utilização das unidades de força da Honda.Vou além: é a notícia mais absurda dos últimos anos.Depois dos testes e da primeira corrida, o que a Honda tem que fazer é muito simples: abandonar a F1!Veja bem: não estou questionando o seu texto, as suas fontes,você é um cara normal.Os malucos estão na Force India e na Williams.Achei essa informação tão bizarra que eu li duas vezes.

Jacinto disse...

Eu tenho para mim que o pensamento do Ron Dennis quando fez a parceria com a Honda continua válido: somente as equipes que tiverem apoio integral de uma montadora terá condições de vencer o campeonato de construtores. Hoje a Mercedes e Ferrari dão apoio integral apenas à suas equipes - as demais são clientes. A Renault dá apoio integral à Red Bull em virtude da simbiose que existe: a Renault aprende muito com a Red Bull sobre a parte relacionada com o chassi. No futuro, quando (e se) sua equipe estiver indo bem, não saberemos se esta situação se manterá.
Então quem quiser ganhar um mundial de construtores precisa de uma parceria com uma montadora. Se eu fosse a Williams aceitaria a parceria com a Honda - até porque, é bom lembrar, no ano passado a Williams foi 5ª, enquanto que a McLaren foi 6ª.

Eduardo Casola Filho disse...

Muitos acham loucura a troca de motores, mas a Force India e a Williams visam um salto maior no seu patamar, querendo brigar por título no futuro (a mesma motivação que a McLaren teve), afinal, permanecer com um motor inferior da equipe de fábrica não permitirá nenhuma delas dar o passo para o topo, como pretendem, por isso anseiam em arriscar.

Claro, o projeto da Honda parece fadado ao fracasso neste momento e sem chance de reverter esse cenário. No entanto, há o desejo de ser mais competitivo e essa pode ser ua tentativa válida, principalmente se em outro lar, algum casamento dê certo.

Daniel Chagas disse...

O lance Stroll apenas comento depois do gp da China. E uma coisa, se a Force India e a Williams visam trocar a Mercedes pela Honda e continuarem a serem clientes é trocar 6 por meia dúzia. Se querem almejar o título e as vitórias tem que ser como equipe principal, se não for assim é melhor continuar a ser cliente da Mercedes.

André disse...

"Lance Stroll

Calma."

O que isso quer dizer? Você aposta ou não no rapaz?

Anônimo disse...

Não duvido da capacidade da Honda entregar um produto bom e competitivo, digno até de disputar o mundial, porém até esse dia chegar... haja paciência e muito trabalho.
Uma coisa é fato, a Mercedes, Ferrari e Renault jamais permitirão que uma equipe cliente chegue na sua frente, a única chance de chegar no topo é com um motor sem equipe própria (Honda), por isso a McLaren insiste, Willians e F India também querem.
Obs:. Red Bull anda na frente da Renault, mas seus motores são TAG.

Alexandre.