terça-feira, 15 de junho de 2021

Abismo





















"Nem consigo ver os carros das equipes principais. 

A diferença chega a 2,5 segundos."

Carlos Sainz Jr. (em 2017, ainda piloto da Toro Rosso)

Fiquei pensando sobre a declaração do piloto espanhol.

Sobre a diferença.

Houve uma grande mudança no regulamento de 2016 para 2017.

O objetivo era embaralhar um pouco as cartas e trazer uma disputa maior
para a Fórmula 1.

Mas há limitações.

Pois a tendência é continuar a briga por vitórias apenas entre as grandes 
equipes.

A palavra certa seria disposição natural de se manter tudo mais ou menos
como está.

A razão é que a corrida armamentista não permite que as pequenas clientes
possam brigar de igual para igual com os times de fábrica.

Diria que é impossível.

Além da desvantagem de não poderem construir um chassi completamente
integrado com a unidade de força, as escuderias menores precisam lidar
com um gigante ainda maior: o desenvolvimento contínuo.

Que fique claro, não é fácil nem para as grandes.

Daí testemunharmos apenas duas equipes lutando pela vitória.

Ou, pior, uma só.

Não é difícil entender.

O projeto de um carro de Fórmula 1 é iniciado do zero.

Com a construção e destruição de centenas (milhares?) de protótipos na busca
por um conceito imbatível.

As áreas de engenharia e de tecnologia tentam descobrir o pulo do gato nas linhas
do regulamento.

Pensou no custo?

A FIA também.

Para tentar equilibrar o jogo, a entidade limita a capacidade de processamento
dos computadores usada em cada simulação aerodinâmica.

E ainda obriga a usar somente CPUs que possuem funções mais gerais ao invés
de GPUs específicas para funções gráficas.

Claro, não estou tentando dar uma de expert em informática.

Somente demonstrando os curiosos emaranhados do regulamento.

Mesmo assim as maiores escuderias conseguem investir de forma que outros
aspectos do sistema sejam otimizados.

O que acaba causando diferença no desempenho apesar das leis.

Outra coisa regularizada é a utilização do túnel de vento.

Hoje, pela regra, só pode ser ligado durante 25 horas semanais.

Quando a coisa era liberada, os times não desligavam em momento algum.

Chegando ao absurdo da Williams construir dois tuneis de vento em Oxfordshire,
um para modelos em escala e outro para bólidos em tamanho natural.

A solução atual envolve a CFD (Computational Fluid Dynamics) que nada mais
é do que a ferramenta digital que permite analisar diversas situações para ajudar
a resolver problemas do fluxo de fluidos.

Simular no computador.

A integração desses diversos setores é um dos maiores segredos do sucesso
dentro da categoria máxima do automobilismo.

A altíssima tecnologia envolvida acaba criando parcerias entre os times e marcas
como Microsoft, Boeing e Siemens para suprir as necessidades criadas.

Por isso vemos com facilidade nomes assim estampados nos carros.

Para dar chance para a menores ainda há muitas restrições de testes, principalmente
quando se fala em chassi.

Entretanto há uma terra sem lei quando o assunto é sobre software de fabricação
e teste de peças para definir sua eficiência.

O que segundo alguns especialistas, foi uma das áreas em que a Ferrari mais investiu
nos últimos meses.

E colhe os frutos.

A fabricação de peças é uma parte muito sensível.

As partes de metal são até fáceis de serem criadas.

O problema mesmo são as de fibra de carbono.

Aí a coisa muda de figura.

Pois uma peça pode levar mais de cinco dias pra ser finalizada num procedimento
normal.

Caso uma equipe não tenha uma dessas para reposição no box durante um final
de semana de GP, o time precisa buscar na fábrica no tempo certo de maneira
que esteja montada no carro e pronta para ir para a pista.

Essa logística envolve custos altíssimos.

Não são todos que possuem um avião à disposição.

Vale notar que mesmo sendo adversárias, as escuderias se ajudam e muitas vezes
umas trazem equipamentos para outras num momento de aperto.

Carona mesmo!

Uma grande equipe conta com mil funcionários.

Sendo que apenas sessenta podem estar num GP.

A transmissão de dados entre a sede e o box é importantíssima.

Lembro de Vettel exaltando os membros da Ferrari por sua vitória na Austrália
(2017).

"Grande ragazzi, questa è per noi. Questa è per Maranello."

Sim.

A conquista foi dividida com o quartel-general.

Porque a velocidade com que esses dados são interpretados para elaborar uma
estratégia é equivalente a habilidade do piloto.

Mais.

Os trezentos sensores que um Fórmula 1 carrega produzem bilhões de dados
que aguardam ser decifrados para se tornarem melhorias a serem aplicadas na
prova seguinte.

Como decifrar tal quebra-cabeça?

Estamos perante outra parte importante que não existe sequer uma linha no
regulamento.

Portanto as equipes podem usar um poder ilimitado para esclarecer as informações
coletadas.

E com certeza criar um modelo ideal de compreensão para tal tarefa envolve milhões
de dólares.

Repare que alguns territórios escassos de regulamentação ajudam a ampliar 
a diferença entre as grandes e as pequenas equipes.

Existem outros que poderiam ser listados, claro.

(como ter poder econômico para poder contar com os melhores pilotos)

Olhando este cenário, fico impressionado de que o abismo não seja ainda maior.

Outra frase de Carlos Sainz Jr. (quando percebe sua impotência) resume bem tudo
isso.

"São outra categoria."

São mesmo.


sexta-feira, 11 de junho de 2021

Managers
















A Fórmula 1 é um esporte diferente.

Mesmo sendo um ótimo piloto e reconhecido por seu talento você pode ser impedido de participar de um campeonato.

Pois além de sua performance é preciso estar sob um contrato sólido.

Isso faz toda a diferença.

Porque a tranquilidade de estar seguro e apoiado permite que aflore o melhor do esportista.

Ao mesmo tempo que uma pressão externa pode perturbar o equilíbrio.

Assim sendo, temos uma figura importantíssima que atua nos bastidores.

O empresário.

E, por tudo que dissemos até aqui, é fácil entender a razão do seu protagonismo.

E às vezes seu poder.

Exemplo?

Há muitos que afirmam que Nicolas Todt, empresário de Leclerc, é a verdadeira ferramenta que moveu Sebastian Vettel para fora da Ferrari...

E quem são essas pessoas?

Se joga.

Já que citamos ele, falemos de Nicolas Todt.

Dono da All Road Management, Todt pode ser considerado um dos mais bem relacionados do Paddock.

Seus pilotos costumam achar lugar no disputado grid da Fórmula 1.

Felipe Massa, Daniil Kvyat, Armstrong (F2) e o brasileiro Caio Collet (F3) são alguns de seus pupilos.

Após perder Jules Bianchi, sua estrela maior passou a ser Charles Leclerc.

Todt não esconde de ninguém a alegria de ter a joia monegasca em sua bolsa.

Outra grande tacada do filho de Jean Todt foi ter trazido para suas fileiras Mick Schumacher.

Uma dupla só sua comandando os dois carros da Ferrari é o sonho.

Julian Jakobi é outro manager conhecidíssimo.

Alain Prost, Ayrton Senna, David Coulthard e Jacques Villeneuve estiveram em seu portfólio.

Jakobi era também quem aconselhava Anthony Hamilton nos primeiros anos de Lewis na Fórmula 1.

Hoje ele tem sob suas asas o mexicano Sergio Perez.

Flavio Briatore (mais) e Luis Garcia Abad (menos) dirigem a carreira de Fernando Alonso

Depois de ter problemas milionários com seu gerente, Daniel Ricciardo deixou de ser atendido por Glenn Beavis e se juntou a agência CAA Sports que também cuida dos interesses de Nico Rosberg e do jogador de futebol Cristiano Ronaldo.

Outro que passou por distúrbios com sua empresária foi Kevin Magnussen.

Por conta disso, desde 2015, Dorte Hiis Madsen possui direitos sobre os vencimentos do piloto da Dinamarca.

A dedicada Madsen impulsiona a carreira de outro dinamarquês: Frederick Vesti (F3)

Piloto que está ligado ao programa da Mercedes e que parece contar com muito dinheiro empurrando sua trajetória.

Apesar de algumas desavenças, existem também excelentes relacionamentos entre pilotos e empresários.

Mark Webber, por exemplo, conta com os serviços de Ann Neal, sua esposa, há mais de 20 anos.

E, claro, a família Robertson está com Kimi Raikkonen desde sempre.

Quem possui um gerente na intimidade do seu lar é Lance Stroll.

Seu pai Lawrence toma conta da papelada.

Assim como Nicholas Latifi.

E parece ser o caso de Nikita Mazepin também.

Max escuta seu pai, Jos Verstappen, e Raymond Vermeulen.

Um na parte esportiva e outro na parte comercial.

Funciona mais ou menos assim também com Carlos Sainz Jr.

A figura paterna está ali junto com seu primo Carlos Oñoro.

Outro que aconselha com carinho é Kamui Kobayashi.

Ele sempre tenta levar palavras de sabedoria para Yuki Tsunoda desde seus tempos de Toyota, antes da Honda.

Antonio Giovinazzi é conduzido por Enrico Zanarini.

Esse italiano gerenciou Eddie Irvine, Giancarlo Fisichella e Vitantonio Liuzzi.

Ele é bom.

Liuzzi ficou sete temporadas na Fórmula 1. 

Fisichella atuou por treze temporadas.

E Irvine esteve envolvido na categoria máxima do automobilismo por nove anos.

O Tordo (lembra dele?) sempre disse que Zanarini possui ótimo relacionamento em casa.

As equipes com vínculos italianos ouvem suas palavras.

Toto Wolff controla quatro talentos na Fórmula 1.

Lando Norris, Esteban Ocon e George Russell.

Além desses, possui uma parceria com Mika Hakkinen e Didier Coton na gestão da carreira de Valtteri Bottas.

Coton foi empresário de Hakkinen e por um período cuidou da carreira de Hamilton, quando Lewis deixou de ser atendido por seu pai. 

Enrique Bernoldi e Alexander Wurz são outros nomes que estiveram na carteira de Coton e passaram na categoria máxima do automobilismo.

Legal dizer que Coton fez parceria com o brasileiro Fernando Paiva (ex-Minardi) da Lit Entertainment. 

Paiva cuidava dos interesses na parte americana do negócio alcançando pilotos como Cristiano da Matta.

Pierre Gasly possui ao seu lado a agência Grid para cuidar de seus interesses.

Sebastian Vettel sempre tomou suas decisões sozinho.

Agora, na Fórmula 1, esse passou a ser o caso de Hamilton.

Depois de dispensar os serviços de Mark Hynes, que esteve com o piloto inglês desde 2016, Lewis está cuidando individualmente de seus caminhos.

A contratação de Penni Thow visa tratar de assuntos fora da categoria, principalmente sobre a sua Fundação e suas posições em relação aos direitos humanos.

O fato de Hamilton pela primeira vez ter negociado seu próprio contrato de 2021 com a Mercedes indica que ele não precise mais de aconselhamento.

Talvez por ser o final de uma história.




terça-feira, 1 de junho de 2021

Clipping

















Algumas notas acumuladas.

Então melhor fazer um Clipping, não?

Onde Há Fumaça

Interessante como a indústria do cigarro permanece na Fórmula 1.

Na McLaren podemos ver nos macacões dos pilotos os dizeres:

"A Better Tomorrow"

Enquanto que na Ferrari segue com o seu:

"Mission Winnow"

O primeiro é uma nova abordagem da British American Tobacco, patrocinadora do Time de Woking. 

E o segundo pertence a Philip Morris (Marlboro) que é a maior patrocinadora da Scuderia Italiana.

Até quando?

Curriculum Vitae

George Russell disse para quem quisesse ouvir em Mônaco que busca um novo contrato de três temporadas na Fórmula 1.

Olhando como outros pilotos que mudaram de equipe tiveram dificuldade de adaptação, o jovem talento inglês não descartou permanecer na Williams.

Mas ele espera ver uma contínua evolução da Casa de Grove e a possibilidade de marcar pontos.

De Mãos Dadas

Falando em Williams, o time da Dorilton Capital vai estreitando ainda mais seus laços com a Mercedes.

Com câmbio e sistema hidráulico vindos de Brackley.

A antiga política de independência de Claire e Frank é coisa do passado.

É Coisa Nossa

Você sabe que Lando Norris renovou com a McLaren.

Três temporadas (2022/23/24).

Duas com uma opção de mais uma.

Com salário de 10 milhões de dólares que pode chegar até 15 milhões no momento da ativação da opção de 2024.

Mas isso não quer dizer que ele ficará na equipe.

Como assim??

O acordo celebrado entre a Mercedes e a McLaren traz, além da questão do fornecimento do motor, o direito de Toto Wolff requisitar os serviços de Norris na condução de um dos volantes da Mercedes.

Claro, com uma bela compensação (ou desconto) para a McLaren.

Batendo A Laje

A Ferrari está prevendo dificuldades de cumprir o teto orçamentário.

O problema maior é adaptar os contratos à legislação italiana.

Pediu mais prazo.

E ouviu um não.

Adidas e Nike?

Interessante notar as marcas esportivas tradicionais presentes na categoria máxima do automobilismo.

Puma (Ferrari e Mercedes), Umbro (Williams), Under Armour (Haas) e Le Coq Sportif (Alpine).

Novo Prêmio

Já temos reconhecimento pela parada de box mais rápida e para o eleito piloto do dia.

Agora haverá mais uma premiação.

Será direcionado para os estrategistas. 

Mais especificamente para a equipe que tomar a melhor decisão (rápida) durante a prova.

Será o "Workday Agility Award" com patrocínio da empresa de planejamento financeiro Workday.

Cofrinho

A Mercedes cortou muitos gastos nesta temporada de 2021.

Algo em torno de 70 milhões de euros.

Toto Wolff sabe que a Daimler não colocará nenhum centavo na equipe em 2022 e é ele que precisa tapar o buraco.

Sei lá.

Menos dinheiro pode significar menos qualidade, não?

Sondando

O promotor dos GPs do México e dos Estados Unidos, Tavo Hellmund. quer adquirir participação em uma escuderia da categoria.

Os alvos principais seriam a Alfa Romeo e a Haas.

Copia Mas Faz Diferente

A Red Bull Powertrain, divisão que cuidará do motor do Time dos Energéticos, deverá empregar 350 pessoas.

Cerca de 15% do pessoal (50 pessoas) desembarcando em Milton Keynes direto da concorrente Mercedes.

A Red Bull abordou também mão de obra da Ferrari.

Com muito dinheiro e, neste caso, com pouco sucesso.

Campeões E Contratos

O campeão Jacques Villeneuve assinou por uma temporada (1998) com a Williams e no ano seguinte deixou a equipe.

O campeão Sebastian Vettel assinou por uma temporada (2014) com a Red Bull e no ano seguinte deixou a equipe.

O campeão Lewis Hamilton assinou por uma temporada (2021) com a Mercedes e...

sexta-feira, 28 de maio de 2021

Motores, Campeões e Desejos

















Outro dia comecei a pesquisar alguns números da Fórmula 1.

Mais especificamente sobre os campeões e motores.

Dividi a coisa por períodos para poder realizar uma comparação.

Fiz assim.

Separei três blocos de 20 anos.

De 1961 até 1981.

De 1981 até 2001.

E de 2001 até 2021.

Vem comigo.

O Primeiro Bloco (1961-1981) é uma selvageria.

São 15 (quinze!) campeões diferentes.

Lá estão Jim Clark, Emerson Fittipaldi, Lauda, Hunt, Stewart, etc.

Até Nelson Piquet.

Foram 5 modelos de motores vencedores.

Ferrari, Repco, Climax, BRM e Ford

No Segundo Bloco (1981-2001) temos um número um pouco menor de pilotos que alcançaram o título.

São 11 os que chegaram ao topo.

Ali encontramos Prost, Senna, Mansell, Hill, Schumacher, Hakkinen, etc.

Interessante que aqui aparecem mais motores vencedores do que no primeiro período.

Foram sete diferentes os que empurraram os campeões.

BMW, Renault, Mercedes, Honda, Ferrari, TAG- Porsche e Ford.

No Terceiro Bloco (2001-2021) tudo fica mais restrito.

Tanto a variedade dos pilotos campeões como o dos motores.

Foram sete campeões nesta época.

Schumacher, Alonso, Raikkonen, Hamilton, Button, Vettel e Rosberg.

Com apenas três marcas de motores brilhando.

Ferrari, Renault e Mercedes.

Apontando uma tendência.

Está mais difícil ser campeão.

E quase impossível se o piloto não estiver ligado a uma Equipe de Fábrica.

Uma coisa que acontecia no passado e que hoje não temos mais é uma fabricante de motores que possui uma unidade de qualidade, vende o produto para várias equipes e não possui um time próprio.

O exemplo mais gritante é a Ford.

A marca americana foi campeã com sete (!) equipes diferentes.

Todas clientes.

Lotus, Matra, Tyrrell, McLaren, Williams, Brabham e Benetton.

De 1969 até 1994 a Ford trouxe pluralidade e oportunidade para as pistas.

Foram 13 títulos de pilotos e 10 de construtores.

Lógico.

Sei que sempre haverá desequilíbrio.

Equipes grandes e mais estruturadas contra outras que contam os centavos.

Mas era mais pândego o negócio.

Nostalgia?

Pode ser.

Mas eu queria ver a McLaren vencendo algumas.

A Williams sendo temida pelas pole-positions.

A Aston Martin dando calor na Mercedes.

Verstappen brigando lado a lado com Ricciardo.

Norris sendo perseguido por Hamilton.

E Giovinazzi vencendo ao ultrapassar Stroll na última volta.

Se não for pedir muito, claro.

quarta-feira, 26 de maio de 2021

O título e o adeus































Ele diz que tem a intenção de permanecer na Fórmula 1.

Um preventivo.

Só isso.

No caso de haver um tremendo imprevisto.

Impensável.

Ele perder o título e deixar de superar a marca de Michael Schumacher.

Pois Lewis Hamilton está pronto para deixar a categoria máxima do automobilismo.

Por cima, claro.

De todo tipo de estatística e gráfico que você possa imaginar.

Seu talento é evidente.

Com suas conquistas, ele não precisa provar mais nada a ninguém.

E espera que suas marcas sejam eternas.

Os mais próximos dizem que sua cabeça já está nos próximos passos.

A música.

A mundo da moda.

Hollywood.

E continuar a ser o rosto das marcas que quiserem se associar a sua imagem para melhorar as suas próprias.

LG, Mercedes, Ineos...

(Ineos que já ajuda no salário do piloto pagando cerca de 25 milhões de euros)

Mais.

Cuidar de sua fundação e continuar a ser uma voz ativa contra o racismo.

Vegano.

Cavaleiro.

Com 36 anos, Lewis possui outra vida pavimentada fora da Fórmula 1.

Mas falta o derradeiro título mundial.

Daí a irritação em Mônaco neste 2021.

Um carro normal não vai ajudar em seus planos.

Com uma Mercedes perdida, Lewis parecia mais um piloto que briga no miolo.

Lembrei dos tempos em que se enroscava com Felipe Massa lutando por quarta posição.

Um comum.

Isso não pode acontecer.

Não nesta temporada.

Ainda mais com tal plano de vida traçado.

A Mercedes é uma máquina diferenciada.

E necessita continuar sendo, pelo menos por mais este ano.

Nas palavras de Russell:

"O que você quiser de um carro de corrida, a Mercedes dá a você, e você pode sentir isso.

O piloto controla a Mercedes.

Na Williams, às vezes, o carro controla o piloto."

Falhar agora não é opção.

E Max Verstappen não pode ser adversário.

Lembrando que 2022 será de mudanças bruscas.

É o momento exato de deixar a categoria, suas incertezas para a próxima temporada e ainda uma geração de víboras para trás.

Charles Leclerc, Carlos Sainz Jr. Esteban Ocon, Verstappen, Lando Norris, George Russell...

E ao ver os campeões Sebastian Vettel, Fernando Alonso e Kimi Raikkonen serem questionados, não há incentivo para permanecer.

Assim, se for mais uma vez campeão, ele está fora!

E se não for?

Aí.. 

Lembra do preventivo do início do texto?

Ele olhou as novas regras (e reclamou) e testou os novos compostos da Pirelli.

Mas não é um plano B.

Seria uma tragédia.

sábado, 8 de maio de 2021

Adaptação















Quem acompanha o Blog ou nossos comentários no twitter há mais tempo sabe que muitas vezes pedimos calma nos julgamentos.

Pois o primeiro impulso pode trazer uma visão turva.

E isso é bem comum na Fórmula 1 entre os milhares de fãs.

Calma.

Até porque a categoria máxima do automobilismo, apesar de sua absurda velocidade, é mais do que tudo calma.

Ou você acha que um afobado conseguiria ficar naquele invólucro apertado colocando o pneu no mesmo lugar nas curvas de forma repetida?

E sem direito a erros.

Tudo isso para tratarmos do assunto deste post.

Adaptação.

Que, segundo o dicionário, é o ajuste de uma coisa a outra.

No nosso caso, o ajuste de um piloto a sua nova equipe.

E ainda, a chegada de um estreante na F1.

O tempo tem mostrado que existe um período necessário de adaptação.

De ajuste.

Vamos exemplificar.

Lewis Hamilton desembarcou na Fórmula 1 em 2007.

Ao lado do já duas vezes campeão, Fernando Alonso.

Difícil, não?

Mas houve uma cuidadosa preparação para que o piloto inglês sentisse o mínimo no impacto da mudança da GP2.

Hamilton executou um programa brutal com a McLaren.

Testes e mais testes.

Na época podia.

Lewis rodou o equivalente a 24 GPs nas mais diversas pistas durante seis meses em 2006.

Por pouco Sebastian Vettel não faturou o título de 2009.

Acho que duas coisas pesaram também para que Button vencesse.

A primeira briga de verdade da Red Bull pelo título.

O que exige um minucioso planejamento.

E o fato de Vettel ser um novato no time principal.

Mais experiente, o time do energético passou a colecionar títulos nos anos seguinte com seu piloto mais ajustado.

Sabendo lidar melhor com os desafios, principalmente em 2010 e 2012.

Penso que o tempo de adaptação pode ser de uma ou duas temporadas.

Dependendo das circunstâncias.

Lembremos de Valtteri Bottas.

Pego no laço pela Mercedes após a saída abrupta de Nico Rosberg.

Foram duas temporadas complicadas.

Depois, mais ajustado, dois vice-campeonatos.

Michael Schumacher fez um retorno para a mesma Mercedes.

E sofreu para se encaixar.

E ainda tendo como referência um subestimado (na época) Rosberg. 

Tenso.

A história parece se repetir na Alpine com Alonso e, o mal avaliado, Esteban Ocon.

Vettel pena na Aston Martin.

Sergio Perez na Red Bull.

Carlos Sainz Jr. na Ferrari.

E Daniel Ricciardo na McLaren.

Todos os citados com momentos impressionantes na Fórmula 1.

Entretanto a coisa exige trabalho.

Repetição.

Pense em Mick Schumacher, Tsunoda e Mazepin.

Ou em alguns erros primários de Russell.

Não se guie por comentaristas afobados.

O tempo é cruel.

Sim.

Porém o tempo não apaga o que o talento já gravou.

Mais.

No caso, o tempo deverá aclarar.

E tende a nos lembrar do que é verdadeiro.

terça-feira, 4 de maio de 2021

Por um Lugar ao Sol





















O meio da temporada de 2021 poderá ser de mudanças significativas em algumas equipes.

Falo da dança das cadeiras, ou cockpits, dos pilotos.

O cenário.

Aston Martin, Alpine, Ferrari, Haas, McLaren e Red Bull indicam um caminho de repetição em suas duplas.

O restante pode ser mais movimentado.

Acredito que Lewis Hamilton deixe a categoria após seu oitavo título.

Abrindo caminho para Russell na Mercedes.

Para equilibrar tal mudança, Toto Wolff tende a conservar Valtteri Bottas ao lado de George.

Assim, há uma vaga criada na Williams ao lado de Nicholas Latifi. 

Um nome?

Poderia estar indo para Danill Kvyat.

Interessante que o Russo não se desliga da Fórmula 1.

Existem algumas razões para isso.

Devemos observar que, ao contrário de seus compatriotas que passaram ou estão na categoria máxima do automobilismo, Kvyat é um cidadão do mundo.

Mais italiano que russo, rodado em diversas escuderias e de fino trato.

Esta última característica parece irrelevante ao primeiro olhar.

Mas já afastou alguns condutores de um futuro mais promissor.

Exemplos?

No paddock dizem que Paul di Resta era uma criatura difícil de lidar.

Falam desse defeito em Hulkenberg também.

Outro que pode seguir em frente é Pierre Gasly.

Seu caminho na Red Bull está bloqueado e uma alternativa deve estar sendo buscada.

Onde?

A Alfa Romeo pode ser uma resposta.

Qual a raciocínio?

A Sauber poderá obter um novo acordo de motorização com a Renault.

Em uma parceria mais vantajosa do que tem hoje com a Ferrari.

Pois está claro que a filha preferida é a Haas.

Mas em qual lugar?

Kimi Raikkonen é um campeão.

E Antonio Giovinazzi tem entregado um trabalho digno.

Claro, Gasly ainda pode esperar.

Já que seu posto na Alpha Tauri não está ameaçado.

Percebam que os nomes se repetem.

E reparem na dificuldade de haver um novo entrante.

A Indy e a Fórmula E agradecem.

segunda-feira, 12 de abril de 2021

Devaneios

















Não é informação.

São apenas pensamentos.

Achismos.

Eu não acho que Lewis Hamilton fique em 2022 na Fórmula 1.

Seguindo a ideia, temos um buraco na Mercedes.

Com o principal time da categoria precisando de uma estrela.

Pode subir George Russell.

E continuar com Valtteri Bottas.

A saída do multicampeão inglês seria a única alternativa para uma possível permanência do finlandês conduzindo uma das Flechas de Prata.

Possível.

Pois Russell (a estrela) talvez combine mais com um piloto campeão ao seu lado.

Surge então o nome de Sebastian Vettel.

Já está na família (Aston Martin - Toto Wolff)...

Para seu posto a Aston Martin buscaria um nome de peso e mídia para correr com Lance Stroll.

Penso em Kimi Raikkonen.

Aí abriríamos duas vagas.

Na Williams (lugar Russell) e na Alfa Romeo (lugar de Raikkonen). 

Com Bottas voando.

No próximo box, Sergio Perez precisa mostrar muito serviço na Red Bull.

Os cabeças dos energéticos estão apaixonados por Yuki Tsunoda.

Max Verstappen é uma incógnita para mim.

A história precisa andar mais.

Se a Red Bull continuar competitiva e não conseguir o título, a coisa poderia pesar.

Climão, entende?

Helmut Marko já deu sinais de não confiar 100% no talento do holandês perante Hamilton.

Aliás, Marko só tem paciência com Vettel.

Depois das dificuldades enfrentadas na primeira etapa no Bahrein pelo piloto alemão em sua estreia no carro verde, ele foi um dos poucos a dizer que em algumas corridas Sebastian vai estar voando novamente.

Pode ser efeito as boas lembranças dos bons tempos.

Voltando, Max não parece ser uma figura fácil de lidar.

Pode estar cansando.

Um título perdido pode entornar o caldo da latinha.

Pensou na Mercedes?

Esquece Russell e Verstappen num mesmo time.

Toto nunca mais irá trabalhar com uma dupla de pilotos que lembre a treta entre Rosberg e Hamilton.

Ele já deixou bem claro isso.

Pensamentos, OK?

Mas 2021 / 2022 pode ser mais interessante do que imaginamos...

quinta-feira, 1 de abril de 2021

Parece Mentira

























Alguns gostam de lembrar que hoje é o dia da mentira.

Fazem brincadeiras e tentam ludibriar as pessoas.

Lembrei de uma coisa.

Existem histórias no automobilismo, que mesmo sendo verdadeiras, costumam
causar desconfiança.

Talvez pelos personagens envolvidos ou por não termos vivido o contexto em
que elas aconteceram.

São realmente inusitadas.

Acredite.

Selecionei algumas.

Parece mentira...

...que o brasileiro Pedro Paulo Diniz foi um dos nomes cotados para o lugar de
Eddie Irvine na Ferrari em 1999.

... que querendo contratar de qualquer maneira a jovem promessa Ayrton Senna,
Bernie Ecclestone tenha tentado montar às pressas uma equipe de Fórmula 1.
A coisa usaria chassis da ATS, Motor BMW e mecânicos da Brabham.

...que em Kyalami, 1975, depois de largar na pole-position, Jose Carlos Pace não
conseguiu o mesmo desempenho dos treinos com sua Brabham devido a um chaveiro
que havia caído dentro do cockpit e impediu que o acelerador chegasse até o seu limite
durante toda a prova.

...que em 1983 Jean-Pierre Jarier quis enganar sua equipe negando ter tido uma
escapada, depois de abandonar a corrida de Ímola com problemas no radiador.
Mas o passeio fora da pista aconteceu. A prova foi a serpente encontrada pelos
engenheiros da Ligier entre os pedais do carro.

...que nos Estados Unidos um policial ignorante iniciou uma perseguição e morreu ao
tentar alcançar o Stratos do italiano Sandro Munari durante uma das raras provas de
Rally realizada na Terra dos Ianques nos anos setenta.

...que inscrito para participar da tradicioanl Coppa Florio, o jovem Enzo Ferrari teve
que escapar de um ataque de lobos nas montanhas de Abruzzi para conseguir chegar
ao local do evento.

... que a Red Bull, sempre de olho em jovens talentos, ofereceu uma carreira para
Lewis Hamilton antes dele assinar com a McLaren.

...que hoje é mais barato participar da Indy do que da F2.

...que em 2013, Lewis Hamilton, Sebastian Vettel e Fernando Alonso recebiam juntos
praticamente a mesma coisa que Kimi Raikkonen ganhava sozinho na Ferrari em
2008.

Então?

Parece ou não parece mentira?

terça-feira, 30 de março de 2021

Os Pilares da Honda
















E a Honda chamou a Mercedes para conversar.

Colocou o dedo na cara da alemã.

"Você sabe com quem está falando?"

Uma ilustração, claro.

Mas a fábrica japonesa chegou lá.

Entregou um motor que não deve mais nada a ninguém. 

Podemos tentar entender como a Casa de Minato alcançou tal feito.

Três pilares foram determinantes.

O fator humano.

A continuidade.

E, por fim, recursos (quase) ilimitados.

Na parte humana, a coisa tem nome e sobrenome.

Axel Wendorff.

Ao agregar como novo Chefe de Engenharia o experiente alemão, tudo se transformou.

Wendorff passou pela Ilmor, Toyota e Mercedes.

Coordenava a McLaren quando os motores alemães estavam por lá até 2014.

Junto com Andy Cowell, ele lançou as bases da fábrica de Brisworth.

Onde todos os anos saem de lá unidades de força imbatíveis para Lewis Hamilton há várias temporadas. 

Chegou a prestar consultoria para a Renault.

Mas está com a Honda desde 2019.

Trabalhando com Mario Illien, afinou a unidade de força para a Red Bull.

Ter pessoas como Wendorff fazem toda a diferença na Fórmula 1.

Isso também é uma das razões que explica a queda da Ferrari.

A Scuderia Italiana é especialista em perder excelente mão-de-obra.

Aldo Costa, James Allison...

O segundo fator que trouxe benefícios para os japoneses foi a continuidade.

E a sequência na categoria máxima do automobilismo quase sempre gera bons frutos.

Foram seis temporadas de trabalho duro.

Do nada na McLaren em 2015 até tirar sangue da testa de Toto Wolff em 2021.

Eles estão lá.

No terceiro pilar estão os recursos.

Quase ilimitados.

A Honda investiu 8 bilhões de reais nos quatro anos de parceria com a McLaren.

Bancava até metade do salário de Fernando Alonso.

Com a dupla Red Bull e Alpha Tauri a coisa se repete.

Já estão na terceira temporada juntos (2019/20/21).

São seis bilhões de reais derramados (3 para cada).

Isso mesmo.

Foram 14 bilhões de reais na empreitada!

É muito.

Demais.

E por um dos motivos de seu sucesso (dinheiro), e apesar disso, a Honda está deixando a Fórmula 1.

Interessante.

A Honda ao abandonar a categoria no passado deixou toda uma estrutura que permitiu que a Mercedes chegasse onde está.

Agora, ao sair novamente, vai deixando outra vez um legado pronto para ser aproveitado.

E como confirmou Stefano Domenicali, existem muitos fabricantes interessados em entrar na F1.

Evidente.

Assim, até eu...