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terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Pequenas Passagens























Zandvoort, 1960.

Quarta etapa daquela temporada da Fórmula 1.

Campeonato que foi vencido por Jack Brabham.

A foto acima é do inglês Lance Reventlow.

Foi abreviado.

São seis palavras que formam seu nome todo.

Assim como seis são o número de casamentos da sua mãe, a socialite Barbara
Hutton, uma milionária de sua época.

Seu progenitor fazia parte da nobreza européia, por isso Lance herdou o título.

Conde.

Seus pais viveram um casamento conturbado e em poucos anos se separaram.

Logo o jovem conde teria como padrasto o ator Cary Grant que o arrastou
para Los Angeles.

Hollywood.

O glamour do cinema.

Não durou muito.

Rapidamente sua mãe arrumou um novo amor: o príncipe Igor Troubetzkoy.

Foi neste momento que Lance, ainda adolescente, descobriu o automobilismo.

A razão foi simples.

O tal príncipe havia vencido nada mais nada menos que a edição da Targa Florio
de 1948 a bordo de uma Ferrari.

Foi a fome com a vontade de comer.

O garoto (rico) cresceu apaixonado pela velocidade.

Tanto que por conta disso se envolveu de vez no mundo das quatro rodas
construindo sua própria equipe a Scarab.

A equipe teve um início promissor, mas tentou um passo maior que a perna
ao correr na Fórmula 1.

Apesar de seu fracasso em sua aventura na Europa, o conde não se abateu
e passou então a se concentrar nos modelos esportivos na América.

Assim participou e ganhou diversas corridas nos Estados Unidos no final
dos anos 50 e início dos 60.

Nada mau.

Entre seus amigos e incentivadores estava o ator James Dean, um outro
apaixonado pela velocidade.

Dentre as pessoas que trabalharam com Lance estão pilotos como Carroll 
Shelby, que chegou a ter pelo menos uma vitória a bordo de um Scarab, e
AJ Foyt.

Como tinha muito dinheiro, Reventlow nunca precisou fazer carros para
venda.

Por esse motivo existem poucos Scarabs.

Apenas aqueles que foram utilizados em corridas.

São verdadeiras raridades.

Aos 36 anos, num acidente de avião, o Conde Lance Reventlow perdeu
sua vida nas montanhas do Colorado, próximo a Aspen.

Porém 10 anos antes, em 1962, ele já havia se desligado dos autódromos.

Essa brincadeira foi deixada de lado pelo garoto rico.

Nesse instante toda a equipe técnica e suas instalações foram assumidas por
Shelby.

Ninguém melhor.

Assim Carroll Shelby começou a criar ali seus lendários Cobras e Mustangs.

Roteiro de filme.

terça-feira, 16 de maio de 2023

Jose Froilan Gonzalez



























Quem olha as fotos de Jose Froilan Gonzalez pode ter uma impressão errada.

Gigante, grosseirão...

Não é verdade.

A história conta outra coisa.

Gonzalez era o protegido de Juan Manuel Fangio.

Fazia parte do grupo de pilotos argentinos que invadiu a Europa por volta dos anos 50.

Tomando suas pistas de assalto.

E no início tudo foi bem.

Tão bem que Gonzalez marcou seu nome para sempre na Ferrari.

Foi esse touro dos pampas que conquistou a primeira vitória da Scuderia Italiana
na Fórmula 1.

Claro que havia dificuldades.

Ainda mais nas partes lentas dos circuitos.

Nessa hora o lastro natural que carregava atrapalhava muito.

O fisico não ajudava...

Mas nas pistas mais rápidas ele voava.

Enfrentava qualquer um de igual para igual.

Por vezes, nem o grande Fangio podia com ele.

Até que se deu a tragédia.

Temporada de 1954.

Poucos dias depois de Gonzalez ter vencido as 24 horas de Le Mans.

Outro argentino, o jovem Onofre Marimón sofreu um acidente fatal em
Nurburgring.

A primeira morte na Fórmula 1.

Froilan Gonzalez desabou.

Chorou com Fangio ao lado dos carros no grid de largada na Alemanha.

Na corrida, deu três voltas e entregou seu carro para Mike Hawthorn.

O gigante havia deixado as pistas.

Ah sim, atuou algumas vezes como piloto convidado.

No entanto se tornou outra pessoa.

Aquele piloto que ultrapassava limites havia morrido.

Junto com Marimón.

O homem continuou a viver por muito tempo.

Alcançou os 90 anos.

Outro dia, em Buenos Aires, ele resolveu nos deixar.

Na Argentina as pessoas deviam lhe pedir histórias.

Com certeza perguntavam sobre os dia passados.

Da romântica Fórmula 1.

De como Juan Manuel Fangio, o ídolo maior, era mais rápido do que todos!

"Em algumas pistas."

Ele devia pensar.

"Em algumas pistas..." 


sexta-feira, 4 de novembro de 2022

70 x 7

Na imagem que ilustra o post aparecem Stirling Moss e Mike Hawthorn.

Não se engane com a foto.

Os dois não se gostavam.

Talvez a causa seja a forma diferente que os dois encaravam a vida.

A rivalidade nas pistas também contava.

Hawthorn gostava de chamar Moss de "carequinha".

Irritante.

Temporada de 1958.

Moss tinha três vitórias a mais que Hawthorn.

Porém o piloto da Ferrari teve mais regularidade.

E venceu o campeonato.

Em Portugal aconteceu o improvável.

Uma daquelas ações que se tornaria lenda na  Fórmula 1.

Moss liderava com facilidade e venceu a prova.

Logo atrás, faltando um quilômetro para a linha de chegada, Hawthorn perdeu o
controle do carro.

Stirling Moss olhou a situação.

Com brados, incentivou o piloto da Scuderia Italiana a retornar para a corrida
aproveitando a declividade da pista.

Hawthorn voltou e conseguiu a segunda colocação.

A direção de prova queria desclassificar o ferrarista.

A manobra feita pela contra-mão era ilegal.

Moss foi em defesa de Hawthorn que assim conservou o segundo lugar.

Como disse acima, Hawthorn foi o campeão daquele ano.

Com diferença de apenas um ponto sobre Moss.

Ética, nobreza...

Realmente não sei como nomear esse tipo de atitude.

sábado, 14 de maio de 2022

Peter Collins




























Ele era o parceiro de Mike Hawthorn.

Companheiro de festas.

De aventuras.

Isso mesmo.

Para Peter Collins a corrida era apenas mais uma aventura.

Não havia compromisso.

Tudo fazia parte do lúdico.

Collins era do time dos bem-nascidos.

O mundo era dele.

Ainda jovem, na Inglaterra, foi expulso da escola.

Matava aulas para ficar futucando carros.

Começou a vencer provas locais e logo se destacou entre seus pares.

Em 1952 chegou a Fórmula 1.

Com pouco mais de vinte anos.

Passou pela Vanwall e Maserati.

Na Ferrari encontrou Juan Manuel Fangio.

É aí que aparece um ato de desprendimento sem igual.

Final da temporada de 1956.

Na Itália os dois pilotos da Scuderia Italiana brigavam pelo título.

Collins precisava fazer sua parte: vencer a prova.

E ainda contar com a sorte para ter chances.

Fangio não podia terminar a corrida.

Um infortúnio de seu companheiro de equipe seria bem vindo.

Os dados foram lançados.

O carro do argentino quebrou.

Collins só tinha Stirling Moss na sua frente.

Durante a parada de reabastecimento, Collins olhou para Fangio
parado no box.

Sem hesitar, o inglês desceu do carro e cedeu seu lugar.

O regulamento da época permitia.

Juan Manuel Fangio chegou ao título.

Em meio a milhares de perguntas, Collins se justificou.

"Ele merecia vencer. 

Ainda tenho muito tempo."

Não tinha.

A partir daqui a história fica dramática.

Os dois anos seguintes seriam os últimos de sua vida.

E Peter Collins os viveu intensamente.

Conheceu Lousie King e em uma semana eles se casaram.

Levou a atriz americana, filha de diplomata, para morar com ele
em Mônaco.

No Mipooka, seu iate, ele e Hawthorn selaram um acordo em 1958.

Um pacto.

Não importava mais quem chegasse em primeiro.

Os prêmios seriam sempre divididos entre eles.

Isso trouxe uma rivalidade com o piloto italiano Luigi Musso 
dentro da Scuderia Italiana.

O Commendatore não tomou partido.

Só queria saber das vitórias.

Em Reims, Musso estava pressionado.

As dívidas estavam altas demais.

Precisava da vitória.

Do dinheiro.

Fiamma, sua namorada, acompanhava tudo e sofria junto.

O italiano andou acima de seus limites e acabou se acidentando.

Mesmo sendo levado ao hospital, não resistiu.

No hotel, a equipe Ferrari recebeu a notícia de sua morte.

Hawthorn foi o vencedor da prova.

E comemorou com Collins.

Com muita cerveja.

Fiamma não se conformava.

"Aquilo não estava certo".

Ela dizia.

Menos de um mês depois a parceria dos ingleses acabaria.

De forma trágica.

Em Nurburgring, Hawthorn assistiu ao acidente de Collins.

O piloto inglês, assim como Musso, morreu no hospital.

Hawthorn, amargurado, viveu apenas por mais seis meses.

Com o fim dos inimigos, Fiamma se sentiu liberta.

"Eu odiava os dois. 

A morte deles me trouxe paz."

Tantos sentimentos.

Num esporte que exalta a mecânica.

A engenharia.

A tecnologia.

E parece frio.

Nobreza, cordialidade, amor, intriga, rivalidade, desejo de vingança.

E ódio.

Existe coisa mais humana que a Fórmula 1?

quarta-feira, 4 de maio de 2022

segunda-feira, 15 de junho de 2020

Mist






















Alemanha.

1954.

Sem botões no volante.

Lutando apenas para enxergar alguma coisa.

terça-feira, 9 de junho de 2020

Wolfgang Von Trips


























O piloto alemão Wolfgang Von Trips era um nobre.

De uma linhagem familiar dos tempos da inquisição.

Rico.

E culto.

Falava diversos idiomas.

Sabia administrar as terras e a fortuna da família.

Dentro de seu imenso e vazio castelo, tomava conta de tudo.

Vazio porque foi pilhado durante a Segunda Guerra Mundial.

Ele poderia ter se confundido com Alfonso de Portago ou
Mike Hawthorn.

Ser mais um daqueles que nasceram em berço de ouro.

Mas Von Trips pensava diferente.

Havia um elo de ligação com sua pátria.

Na sua mente estavam as histórias de Hermann Lang,
Bernd Rosemeyer e Rudolf Caracciola.

Ele queria as honras.

Em 1956 ele passou a fazer parte da Ferrari.

A briga interna por um lugar na Scuderia Italiana era insana.

Muitos pilotos.

Poucos cockpits.

Von Trips precisava se destacar.

Vencer a concorrência.

Logo estava andando fora de todos os limites.

E com isso os acidentes foram se acumulando.

Von Trips pensava no futuro.

Foi assim que na volta de uma viagem aos Estados Unidos
ele trouxe dois Karts na bagagem.

Aquilo não existia na Europa.

Ele conseguiu uma empresa que copiasse os modelos da coisa.

Contruiu uma pequena pista dentro de suas terras.

Ele queria dar oportunidades para que outros compatriotas
chegassem a Fórmula 1.

Nascia assim a Campeonato Europeu de Kart.

Na mesma pista que curiosamente, em 1973, seria palco da
estréia dos irmãos Schumacher no automobilismo.

A reviravolta na atribulada carreira de Von Trips se daria
em 1959.

Os olhos do Commendatore já haviam visto o piloto.

E Enzo Ferrari sempre gostou dos apaixonados.

Dos que se doavam.

Enzo passou a cuidar dele.

E com algumas punições foi colocando a cabeça do alemão
no lugar.

Tudo foi ajustado.

Continuou a ser um piloto rápido.

Porém mais seguro. 

Em 1961 Von Trips já comandava a Ferrari.

O título passou a ser questão de tempo.

Uma glória para a Alemanha.

Ele chegou a etapa italiana como favorito.

Uns dias antes assistiu Berlin ser dividida por um muro.

Von trips fez a pole.

Parecia que tudo iria dar certo.

Não deu.

Falhou na largada.

E o antigo piloto afobado, que estava adormecido, acordou.

Na parabólica sua Ferrari e a Lotus de Jim Clark se envolveram
num acidente.

O carro vermelho atingiu os espectadores.

Entre os que morreram estava Von Trips.

O menino sonhador que cresceu assistindo aos duelos da
Mercedes contra a Auto Union.

As façanhas de seu herói Rosemeyer.

E que acabou tendo o mesmo trágico destino ao querer buscar
suas glórias.

A morte no asfalto.

quarta-feira, 3 de junho de 2020

Nascar
























Impressionante, não?

Daytona.

Final dos anos 50.

segunda-feira, 1 de junho de 2020

Collins


































Peter Collins.

Autodromo Nazionale di Monza. 1955.

Personagem de uma trama.

Eu explico aqui .

domingo, 31 de maio de 2020

Maquetes




































Bom dia petrolheads!

Um mundo sem computadores.

Estúdio de criação e design de automóveis da Ford, 1952.

sábado, 30 de maio de 2020

Piso






















Uma foto de Indianápolis.

1952.

Reparem no piso!

Interessante que uma pequena faixa da pista ainda conserva
a cobertura original até hoje em nome da tradição.

sexta-feira, 29 de maio de 2020

Avulsas
































Bom dia petrolheads!

A Fórmula 1 na década de 50.

Colorida.

sábado, 23 de maio de 2020

Jean Behra



























O francês Jean Behra pertencia aquela linhagem da Fórmula 1 que cometia excessos.

Daqueles que corriam no limite.

Ele começou sua carreira nas motos.

Seu físico era franzino.

Quase um jóquei.

Por isso tudo lembrava outro piloto.

Tazio Nuvolari.

Daí conquistou a admiração de Enzo Ferrari.

Behra sonhava com uma vitória.

Porém sua contratação pela Scuderia Italiana veio tarde demais.

Behra estava castigado.

Tinha 38 anos.

Seu corpo acusava o número elevado de vezes em que saiu das pistas.

O rendimento não era o mesmo do passado.

Sua cabeça não aceitava o fato de ficar atrás de seus companheiros de Ferrari.

Era sempre dominado por Phil Hill e Tony Brooks.

Isso o deixava irritado.

Nervoso.

Até que um dia seu sangue ferveu.

Achou que estava recebendo um equipamento inferior.

E acusou Romolo Tavoni.

Na briga esmurrou o diretor esportivo da equipe italiana.

Imagine Rubens Barrichello dando um soco em Jean Todt...

O piloto francês foi demitido.

Mas não desistiu.

Queria provar a todos que era um bom piloto.

Na Alemanha ele embarcou na corrida preliminar da fórmula 1 com seu Porsche.

A pista estava molhada.

Era Avus...

Precisa explicar?

Na nordkurve Jean Behra perdeu o controle e bateu num poste.

Morreu sedento pela vitória.

O commendatore não foi ao seu funeral.

Mas a Ferrari se sentia culpada.

As palavras de Carlo Chiti, diretor técnico da Scuderia, deixou escapar o sentimento.

"Abandonamos um homem desesperado..."

quarta-feira, 29 de abril de 2020

Eugenio Castellotti






























O italiano Eugenio Castellotti era filho único.

Mas tinha dois pais.

O primeiro era o natural.

Um rico proprietário de terras.

Que fez com que Castellotti nascesse em berço de ouro.

Uma riqueza que permitiu ao filho adquirir suas próprias Ferraris.

As primeiras vitórias não demoraram em chegar.

Despertando a atenção da Scuderia Italiana.

Neste momento Castellotti encontra seu segundo pai.

Seu professor.

Alberto Ascari.

Um amigo e conselheiro.

Foi tentando ajudá-lo que Ascari encontrou sua morte.


Ele não aceitava a morte do mentor.

Castellotti não corria por dinheiro.

Fazia parte do grupo romântico da Fórmula 1.

Na primeira foto eles aparecem juntos.

Mike Hawthorn, Alfonso de Portago, Peter Collins e Castellotti.

Todos ricos.

Bem-nascidos.

Fangio também está na imagem.

Destoando.

Eugenio namorava a atriz Della Scala.

Formavam o casal apaixonado e modelo da época.

O piloto da Ferrari, vencedor da Mille Miglia, e a bailarina e artista de cinema.

Em 1957 a performance da Maserati na primeira etapa assustou a Ferrari.

Em Buenos Aires os carros do time do tridente ocuparam as quatro primeiras posições
na chegada.

Castelloti então vai para a sede em Modena para trabalhar.

A Ferrari precisava reverter a situação.

Eugenio morre na pista.

Da mesma forma que Ascari.

Não estava buscando glória ou fama.

Apenas tentava derrotar o cronômetro.

quinta-feira, 23 de abril de 2020

Willow Springs International Raceway
























Conhece?

Esse aí em cima é o Willow Springs International Raceway.

A principal das 6 pistas que fazem parte do Motor Sport Park de mesmo nome. 

Fica na Califórnia.

Pouco mais de uma hora de Los Angeles.

É considerada uma das pistas mais seguras e rápidas dos Estados Unidos.

Impressionante é que conservou seu traçado.

O mesmo desde sua criação em 1963. 

Inspirado nas corridas de estrada europeias.

quarta-feira, 22 de abril de 2020

Portago




A expressão Jet Set foi criada na década de 50 por um colunista americano
para denominar os ricaços que podiam viajar a bordo de um avião a jato.

Se você pertencesse a essa casta privilegiada da época, provavelmente teria
muitos nobres entre seus conhecidos.

Com certeza, Alfonso Antonio Vicente Eduardo Angel Blas Francisco de Borja
Cabeza de Vaca y Leighton seria um deles. 

O espanhol Alfonso de Portago (neto do rei Alfonso XIII), além de milionário,
possuía o título de Marquês.

Era também um aventureiro.

Chegou a ganhar uma aposta com seus amigos depois de passar com um avião
por debaixo de uma ponte.

Acredite!

Tinha apenas 17 anos.

Um bon vivant que passava pelas alfândegas dos aeroportos exibindo seu passaporte diplomático.

Sem bagagem.

Somente com uma escova de dentes no bolso...

Era atleta.

Participou da Olimpíada de inverno de 1956.

E gostava também das corridas de automóvel.

Da adrenalina da coisa.

Sabe essa história de pilotos que pagam pra correr na Fórmula 1?

Foi assim que Portago entrou na categoria.

Teve como companheiros Peter Collins e Juan Manuel Fangio ao ser acolhido
pela Ferrari em 1956.

Participou das últimas quatro etapas daquela temporada.

Chegou até a beliscar um segundo lugar em Silverstone.

O cara não aliviava.

Não tinha pena do equipamento.

A máquina sofria.

Era um destruidor de freios, embreagens e transmissões.

O rei do carro reserva.

Isso confunde os pesquisadores.

Tipo eu.

Pois nas fotos aparece na mesma corrida com dois números diferentes.

Sua morte em 1957 foi um divisor de águas.

Durante a tradicional Mille Miglia daquele ano, Portago participou defendendo
a Scuderia do Commendatore.

Numa das passagens pelo box, Alfonso desceu do carro, foi até a cerca e beijou
sua namorada Linda Christian.

Ao retornar, ouviu da boca do próprio Enzo a ordem que seus carros deveriam
manter as posições.

Mas Alfonso sonhava em se tornar piloto titular da equipe.

E não obedeceu ao comando.

Resolveu arriscar para ganhar tempo.

Como fazem os jovens.

Para surpresa de todos, não trocou os pneus.

O dianteiro esquerdo explodiu faltando quatro quilômetros para a chegada.

Seu destino estava selado.

Ele, seu co-piloto e mais dez espectadores morreram.

Cinco eram crianças.

Terror.

O corpo do piloto marquês foi encontrado dividido ao meio embaixo da Ferrari.

Foi a última Mille Miglia.

O acidente fez o governo italiano proibir qualquer corrida em estrada.

Portago colocou fim em sua vida.

E uma pedra sobre toda uma Era do Automobilismo.

segunda-feira, 1 de julho de 2019

Todos

































O espetáculo não é feito apenas por quem está acelerando na pista.

terça-feira, 11 de setembro de 2018

Luigi Villoresi



























As imagens acima mostram pedaços da carreira de Luigi Villoresi.

Piloto que faz parte da linhagem histórica dos nobres da Fórmula 1.

Se dividíssemos por categoria, a foto desse italiano poderia ser colocada
facilmente ao lado de figuras como Mike Hawthorn e Alfonso de Portago.

Os nascidos em berço de ouro.

Não existia preocupações com o dinheiro.

Com apenas 22 anos ele já participava de corridas usando seus carros
particulares.

Seu maior companheiro era seu irmão: Emílio.

Estamos falando da louca década de 30.

Coppa Acerbo, Trípoli, Mille Miglia, Coppa Ciano...

A rica dupla de irmãos acelerou em todas.

Em 1938, veio a separação.

Emílio despertou o interesse de Enzo Ferrari.

Luigi seguiu para a Maserati.

Veio então a sombra da morte.

Numa demonstração em Monza, Emílio perdeu a vida.

Luigi (que já havia perdido os outros irmãos por doença, suicídio e acidente)
ficou transtornado.

Quis respostas sobre a causa do acidente.

O Commendatore foi seco.

"Ele comeu demais no almoço.

Deve ter tido uma indigestão enquanto pilotava."

Se deu o intervalo.

O hiato da Segunda Guerra Mundial cessou quase todas as corridas.

Ah, nada melhor que o tempo para curar feridas.

Cicatrizar.

Com a paz, Luigi Villoresi ressurgiu.

Dessa vez com um novo amigo e companheiro nas pistas.

Alberto Ascari.

1947, 1948...

A dupla da Scuderia Ambrosiana destruiu os adversários com seus Maseratis.

E se alternaram colecionando vitórias.

Estavam impossíveis.

Até no Brasil.

A prova é que em 1949 Villoresi venceu o Grande Prêmio do Rio de Janeiro.

No mesmo ano um jornalista se aproximou de Villoresi para lhe entregar um recado.

Enzo Ferrari queria tê-lo na sua Scuderia.

Carregado de sentimentos, Villoresi foi conversar com o Commendatore.

Havia muita carga.

Uma vida havia sido perdida.

Porém o passado acabou sendo resolvido.

E deixado para trás.

Depois da conversa, Villoresi deixou a Ferrari com um contrato.

E levou mais dois.

Um para Alberto Ascari e outro para Nino Farina.

A Era da Fórmula 1 não trouxe vitórias em corridas oficiais para Villoresi.

Sua carreira nos novos tempos foi pontuada por graves acidentes.

Mesmo assim ele conquistou alguns triunfos em provas extras.

Fora da maior categoria, Villoresi faturou a Mille Miglia e o Rally da Acrópole.

Esse último já no final de carreira.

Fica claro que esse italiano foi um dos grandes pilotos do seu tempo.

Penso que a guerra tenha lhe tirado seus melhores anos.

Talvez por isso as grandes vitórias na Fórmula 1 tenham ido para o jovem Ascari.

Villoresi viu seu amigo ser bicampeão mundial.

Viu também sua morte prematura.

Luigi morreu bem mais tarde.

Já com 88 anos.

Em Modena.

Mas a Maserati nunca esqueceu seus feitos.

E o cobriu de homenagens durante toda a sua vida.

Justas

E, sem dúvidas, mais do que merecidas.

sexta-feira, 27 de abril de 2018

Mitologia






















Agosto de 1957.

Nurburgring.

Apesar de ter ido bem nos treinos Juan Manuel Fangio sabia que sua
Maserati não era páreo para as Ferraris.

Os bem educados Mike Hawthorn e Peter Collins estavam com a vantagem.

Seus pneus Englebert eram melhores que os Pirelli que calçavam o carro do
argentino.

Isso exigiu um plano da Maserati para derrotar a Ferrari.

Simples.

Fangio largou com metade do tanque de combustível.

Queria abrir vantagem na primeira parte da corrida.

Tudo teria que ser cumprido à risca.

Sem erros.

A estratégia ia bem.

Na décima segunda volta o argentino entrou nos boxes para reabastecer.

Estava com quase 30 segundos de vantagem.

Mas algo deu errado.

A parada se prolongou além do esperado.

As Ferraris passaram e ficaram com quase 50 segundos de vantagem.





















Fangio que era um piloto comedido e cauteloso ficou transtornado.

E começou a conduzir seu carro como nunca.

Aos olhos das testemunhas, ele parecia voar.

Cada vez mais rápido.

Superou seu tempo dos treinos.

Da pole position.

Desespero.

A cada passagem de seus pilotos, o box da Ferrari implorava com placas e
bandeiras.

Vendo o perigo se aproximar.

Queria que eles fizessem apenas uma coisa: que acelerassem mais e mais.

Inútil.

Pois logo ocorreu o encontro.



















Registrado na foto logo acima.

Duas ultrapassagens.

Primeiro Collins e depois Hawthorn.

Fangio venceu.

Sua última vitória na Fórmula 1.

Uma das três mais belas pilotagens de toda história.

As outras duas?

Já contei no Blog.

Clique aqui para lembrar da mágica de Stirling Moss em Mônaco.

E aqui para ler sobre a corrida perfeita de Jackie Stewart na temporada
de 1968.

Máquinas, asfalto, óleo e borracha.

Uma linguagem diferente essa da velocidade.

No entanto muito bela.

Poesia pura.

domingo, 3 de dezembro de 2017

Avulsas























Laguna Seca, Ferrari com fita crepe, Pomona e Riverside.