quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Pagando o Preço























Estou acompanhando algumas discussões na internet sobre os pilotos pagantes.

Neste período em que os últimos lugares nas equipes vão sendo ocupados é
comum que um ou outro piloto mais querido fique de fora.

Ano passado foi Kamui Kobayashi.

Agora o nome gritado pela multidão é o de Nico Hulkenberg.

Vamos lá.

Sei que não é o ideal, mas dando uma passada de olho no grid a coisa não parece
tão feia como pintam.

Jenson Button, Sebastian Vettel, Lewis Hamilton, Felipe Massa, Nico Rosberg,
Kimi Raikkonen e Fernando Alonso não precisam desembolsar nada para correr
na Fórmula 1.

São os melhores.

Assim como Daniel Ricciardo e Jean-ÉricVergne por estarem num programa de
pilotos.

Alguns outros, tipo Jules Bianchi e Valtteri Bottas, por conta de parcerias,
também se dão bem.

Enfim os pagantes.

Aí aparecem Max Chilton, Gierdo Van der Garde, Charles Pic e o vilão
Pastor Maldonado.

Vilão?

Tratado assim por muitos por estar tirando o lugar que deveria ser de
Hulkenberg na Lotus.

Por direito.

Injustiças das injustiças...

Calma.

Assim como pedi paciência com Romain Grosjean no ano passado,
peço que ninguém coloque o bom piloto alemão de 26 anos acima de
suas possibilidades.

Já esqueceu do Sergio Perez?

O tempo, sempre sábio, ajudará a avaliar melhor essa figura.

Assim como Pastor.

Ter um piloto agressivo (Depois de ter visto Mansell e Montoya), e imprevisível,
brigando por vitórias novamente pode ser bem interessante para a competição.

E pra quem assiste.

Portanto entre Hulkenberg e Maldonado, escolho o segundo.

Acho que está na vez do venezuelano, que é um pouco mais velho. Nico terá
outras chances.

Mais.

Perdoem as pequenas.

E as médias também.

A vida de Marussia, Caterham, Williams, Force India, Lotus e Sauber não
está fácil.

Os custos para o ano que vem estão altíssimos.

Ao mesmo tempo que a dificuldade em se encontrar grandes patrocinadores
não termina.

Essas escuderias menores precisam fazer malabarismos para conseguir fechar as
contas.

Nos casos específicos da Lotus e Sauber, a chegada da PDVSA e do investimento
russo, respectivamente, vai dar um ótimo refresco. As duas estão a ponto de pedir
falência!

A situação da Lotus é a que me deixa mais decepcionado.

Contrataram um ótimo piloto (Raikkonen), tanto para as pistas como para a
mídia, conseguiram montar uma excelente imagem e no entanto nenhum grande
patrocinador se apresentou.

O que fazer mais?

O erro está no sistema?

A culpa é da crise econômica europeia?

Precisamos lembrar que a coisa sempre foi mais ou menos assim.

Equipes grandes com mais recursos e equipes pequenas inventando formas de
sobreviver com as sobras.

Recordo a passagem de Nelson Piquet pela Benetton.

Se você não sabe, o tricampeão nos dois anos em que esteve por lá não recebeu
salário.

O acordo do time com o brasileiro era de 100.000 dólares por ponto conquistado.

Na primeira temporada Piquet faturou 4,3 milhões, na segunda apenas 2,7 milhões.

Naquele antigo sistema de pontuação.

Uma solução equilibrada que levava em consideração a produtividade do motorista
e a colocação da equipe no Mundial de Construtores ao final de cada ano.

Hoje ainda existe criatividade.

A diferença do momento atual para o passado é que as contas cresceram demais e
as sobras parecem ter desaparecido na categoria.

A Williams vende tecnologia e busca parceiros em diferentes partes do mundo.

A Caterham se associou a Renault e se tornou uma importante parceira comercial.

Só que apesar de tudo as dívidas continuam.

Aí as escuderias recorrem aos "Pay Drivers".

Claro.

Não é bonito e muito menos edificante.

Porém está na regra do jogo da sobrevivência na categoria máxima do automobilismo.


17 comentários:

Clube do Fusca de Áurea disse...

texto perfeito,
por isso que eu acho (Pastor e Romain na Lotus) uma dupla, no mínimo, interessante.
para evitar as equipes pequenas e médias (sempre a beira da falencia) no grid, não seria melhor termos 3 (ou 4) carros das grandes? não haveria mais "show" entre pilotos?
já pensou um grid com 3 RBR, 3 Ferraris, 3 McLaren...?

Anônimo disse...

Interessante a foto 1. Foto de encerramento da temporada, em Adelaide, ano 1991. A Minardi com seus 2 pilotos: Pierluigi Martini (esq) e Roberto Pupo Moreno (dir)... Moreno correu apenas esse GP pela Minardi...

Martini e Gianni Morbidelli era a dupla da Minardi naquele ano. Mas, como Alain Prost diminuiu demais a Ferrari, foi demitido e Morbidelli 'promovido' a piloto-tampão da Scuderia para aquele GP.


Corradi,

"Nico terá outras chances."

Substitua Nico por Gilles e você terá Enzo Ferrari falando sobre a vez de Jody, em 1979... a outra chance de Gilles surgiu apenas em 1982, mas, infelizmente, outra coisa aconteceu antes...

Quanto à pilotagem, entre Hülkenberg e Maldonado, sou mais o alemão... de maluco controlado, que pode surtar a qualquer instante, basta Grosjean...

O problema financeiro/econõmico na F1 é que as equipes maiores estão cada vez maiores, as médias diminuindo e as nanicas em vias de extinção... a não ser por um "milagre" que injete recursos em uma equipe média/pequena, o grid da F1 vai diminuir em breve... a F1 é um bom exemplo de capitalismo...


um abraço,
Renato Breder

Anônimo disse...

"Isso não significa que eu não ajudarei a encontrar patrocinadores, mas isso deve acontecer de uma forma profissional”. Felipe Massa

Inventaram uma nova categoria de pilotos "pagantes"...rs

Se Massa for mesmo para a Williams, vai estar no fundo do pelotão, brigando com os pagantes do mesmo jeito. A Williams esta com um ponto na tabela, muito por culpa do carro, só não esta pior que Marussia e Caterham, mas podemos dizer que a Williams virou equipe de resultados de "nanica".

Hilário mesmo é ver Maldonado e Grosjean brigando mais a frente por pódios com a Lotus. Vamos cair na real, Massa não pertence mais ao grupo dos pilotos da frente! Mesmo que a Williams fizesse um bom carro, ele não teria chances contra Vettel, Hamilton, Alonso e Raikkonen. Milagres como aconteceu em 2009 com a Brawn-GP, pode esquecer! Felipe fez uma boa corrida no GP da Índia, mas isso não apaga sua péssima fase que já dura quatro temporadas.

Não é vergonha levar patrocinadores para a equipe, isso é complexo de cachorro vira-lara, brasileiro que inventou essa merda. Barrichello foi piloto pagante por sete anos na Jordan e Stewart(bancado por Arisco, PepsiCo, Davene, Nokia e NET), mas se alguém esta bancando é porque acredita no talento do piloto. Fangio foi bancado pelo governo argentino, da mesma forma que Maldonado hoje é bancado pelo governo da Venezuela. Detalhe, Fangio só correu por times de ponta nos anos 50, Maldonado não teve essa chance.

Carlos Slim banca Gutiérrez e Pérez, Grosjean tem apoio da Total francesa, é gente apoiando sua gente, coisa mais normal do mundo, por isso se chama campeonato mundial.

O que não é normal é um país(Brasil) se lixar para sua gente. E assim ficamos sem nova geração na Formula 1. Fora dela, continuamos com a Educação burra, Saúde doente e Segurança com muito medo. Cada povo tem o que merece, palmas para a Alemanha que eles merecem, investem muito em sua gente. O resultado esta aí na pista, o legado de Schumacher esta em boas mãos...

Deve ser muito bom morar em um lugar onde você tem valor, no Brasil só acontece com "meia-dúzia" de bacanas. A foto abaixo diz tudo, nem Schumacher ou Vettel nasceram em berço de ouro:

http://img.thesun.co.uk/aidemitlum/archive/01807/Vettel_1807505a.jpg

Tuta Santos disse...

Corrida, digo, Corradi:

Hoje não basta jogar uma logomarca na carenagem, você tem que aproveitar a F1 para promover sua marca com força nos locais, aliar a figuras conhecidas, inventar eventos paralelos, seja para o público do seu produto ou para o seu próprio público. Acho muito mal aproveitadas as marcas que veiculam na F1. Esse lado o bernie estea rateando. Ele poderia fazer uma festa bem maior na cidade em que houvesse GP, o meu exemplo ee o que acontece naturalmente em Montreal, por exemplo, imersão da cidade, comércio, hotelaria, na F1. os americanos são muito bons nisso, Bernei poderia debruçar-se sobre isto... porque as marcas nnao são bem aproveitadas.

Tuta Santos disse...

Obrigado por esse longo texto, que parece um diálogo. Muito bom, terapêutico.

Anônimo disse...

Brasileiro é extremamente "mente fechada", Raikkonen teve que entrar com um forte patrocinador para correr pela Lotus, mas o que manda é resultado na pista. E Kimi mereceu lugar na Ferrari, não há problemas em levar patrocínios para a equipe, desde que mostre resultado na pista. Felipe Massa insiste nessa babaquice que não é pagante, mas na pista onde estão seus resultados? Desde 2010 é só fiasco na tabela do mundial de pilotos, eu sou mais um pagante com talento. Grosjean já fez cinco pódios em 2013, Felipe só conseguiu um. Maldonado em 2012 fez pole e venceu com a mediana decadente Williams, Felipe Massa com a poderosa Ferrari não sabe o que é vencer desde 2008.

Anônimo disse...

Pilotos pagantes sempre existiram na F1. Schumacher (ele mesmo!) só fez aquela prova na Jordan porque a Mercedes pagou. A Marlboro tinha vários pilotos sobre seu contrato e ditava o rumo deles escolhendo onde correr. A Minardi sobreviveu por duas décadas vendendo cockpits - e todo mundo sente falta dela. Andrea de Cesaris passou mais de 200 GPs na F1 com base na grana da Phillip Morris italiana. A Forti Corse saiu do papel devido ao grande apoio da família Diniz. E por aí vai...

Abraço,
Diogo.

Marques disse...

Maldonado na Lotus no lugar de Hulkenberg pode até ser necessário mas é patético. E não adianta dizer que ele vai evoluir. Imagina quantas besteiras ele vai fazer lá na frente com um carro competitivo. E ainda, anda rolando uma história de que o Chilton poderia pintar na Force India e deixar Hulkenberg a pé. Maravilha né?

Lucas disse...

Corradi, pense comigo: o valor que a Lotus pode conseguir caso termine o ano como vice, possibilidade muito realista de vir a acontecer, já conseguirá um valor tão ou quanto maior que o especulado pela vinda da PDVSA de Maldonado. Caso seja mesmo vice, ainda assim escolheria Maldonado em detrimento de Hulkenberg? Ah, mas Maldonado já venceu corrida e o outro não. Certo, era o começo do ano, ninguém ainda sabia ao certo trabalhar os pneus e nas 8 ou 9 corridas seguintes o cara passa zerado e foi quase superado pelo limitado Bruno Senna. Não consigo engolir.

Alfredo Aguiar disse...

Quem ler os comentários vai pensar que o Hulkemberg é a ultima bolacha do pacote. Menos por favor, se o Grosjean está fazendo um bom trabalho na Lótus, mais por uma boa evolução da equipe. Com o Hulkemberg não é tão diferente, a Sauber achou um ponto muito bom e grande parte das conquistas do alemão apoiam se nisso! O Maldonado com um cheque gordinho na mão e o Hulk sem nada, o chefe de equipe tem que estar com a cabeça fora do lugar pra pensar em quem vai contratar. Até porque os dois são uma incógnita num carro melhor!!!

Jaime Boueri disse...

EXCELENTE texto, Corradi! Um dos melhores que eu vi por aqui ultimamente (claro, sem desmerecer nenhum outro).

Por essas e outras que sou seu fã, cara! Sensato, sempre...

Anônimo disse...

A velha máxima - "faço o que gosto e ainda recebo por isso" - na boca dos pagantes: "_faço o que gosto e ainda pago por isso".
O que pesa a favor de Maldonado é sua vitória convincente na Espanha, contudo, arrisco-me a dizer que veremos muito mais trapalhadas de sua parte, geradas por sua "agressividade" ao volante, que possibilidade de corridas inteligentes como as de Kimi.

Glaucio Branco disse...

No lado direito, com o uniforme da Ferrari, está o Giani Morbidelli, que substituiu Alain Prost nesta corrida.

Humberto Corradi disse...

Tuta Santos

O paddock da Fórmula 1 é uma feira livre internacional de comércio.

Cada cidade que recebe um GP é sempre escolhida visando altos interesses.

Valeu

Humberto Corradi disse...

Lucas

A Lotus está mais endividada do que você pensa.

A grana da PDVSA é uma questão de sobrevivência, mesmo contando com uma boa colocação no mundial de construtores.

Valeu

CPA disse...

sinceramente prefiro o pastor ao hulk.
pastor, tal como grosjean, vive sendo assombrado por erros do passado por quase todos os media.
mas não terão já outros cometido erros sem que isso tenha impedido o seu sucesso??
-Schumacher em 94 foi campeão atirando propositadamente o caro para cima de damon hill.
- vettel em 2010, na turquia, mandou-se para cima do webber.

Além disto, convém não esquecer na na primeira (e única até agora) oportunidade que Pastor teve para ganhar uma corrida, ganhou-a! E não, não foi à chuva...

Anônimo disse...

eu concordo com o ultimo comentário, acho q o Maldonado é subestimado, particularmente entre o publico aqui do bananal, muito por obra e graça do obscurantista narrador maioral da nossa retransmissora nacional das corridas de F1.
embora a principio eu ache q a Williams possa vir a ter grande sorte com o motor Mercedes ano q vem, compreendo q o cara tem a faca e o queijo a mão e naturalmente nao se conforma de ver uma vaga sobrando num bom carro, com o qual um antigo rival seu na GP2 tem feito grandes classificações no grid e pódios nas ultimas corridas.
ganhou pontos com um fan como eu quando , na sessão de autógrafos no GP DA Bélgica , numa quintafeira, mostrou sincero sorriso quando percebeu q eu fazia uma foto dele enquanto autografava o programa da corrida; B.Senna e outros mais visados nem olhavam na cara do fan; deu a impressão q se eu começasse a fazer perguntas o cara responderia enquanto continuasse autografando
além do q acho o Grosjean mais inconseqüente do q ele, mesmo agora; quero ver numa situação de mais pressão, o francês concorrendo a uma liderança de campeonato, por exemplo.
alias, interessante vai ser ver esses dois dividindo equipe, acho q o pega vai ser mais ferrenho q Kimi versus Fernandito lá no cavalo rancinante (se criarem um muito bom carro ano q v em, vão dar preferencia ao espanhol, claro, vão pagar a exorbitância exigida pelo finlandês e este ficara na dele sem atrapalhar o espanhol- é o meu palpite).

Fernando