terça-feira, 1 de março de 2016

Pequenas Passagens


























A Fórmula 3000 nasceu cheia de boas intenções em 1985.

O objetivo era ser mais acessível e barata que a Fórmula 2.

Uma boa ideia.

Ela se tornou a principal categoria de acesso para a Fórmula 1 até ser
substituída pela GP2 em 2005.

Funcionou.

Veja os nomes de alguns de seus campeões.

Ivan Capelli, Stefano Modena, Juan Pablo Montoya, Jean Alesi, Nick
Heidfeld, Justin Wilson, Sébastien Bourdais, entre outros.

Brasileiros?

Roberto P. Moreno, Christian Fittipaldi, Ricardo Zonta e Bruno Junqueira.

Conhecidos.

Famosos.

Björn Wirdheim.

Quem?

O campeão de 2003, penúltimo ano da categoria.

É interessante a história deste sueco.

Ele entrou no automobilismo incentivado por Örnulf, seu pai, que também
é piloto.

Fez a escalada.

Kart, Fórmula Ford, Fórmula Audi e F3 da Alemanha.

Até que chegou na F3000.

Em 2002, sua ano de estréia, fez bonito na Arden.

Ajudou o time a chegar ao título de construtores.

Trabalho que foi reconhecido com o troféu de Rookie do Ano.

A próxima temporada seria sua.

Novamente com a Arden, dominou completamente seus adversários.

Ricardo Sperafico, Vitantonio Liuzzi, Giorgio Pantano e Gary Paffett estavam
lá.

Segundo colocado, Sperafico fez bonito, mas Björn Wirdheim foi espetacular.

O Sueco foi campeão com 35 pontos de vantagem.

Um recorde.

Deixando Liuzzi, da Red Bull Junior Team (de Helmut Marko), na terceira
colocação.

Apesar disso, proporcionou um dos momentos mais constrangedores da
história do automobilismo mundial.

Eu conto.

Ocorreu na etapa de Mônaco.

Björn Wirdheim vencia a corrida com facilidade.

Na reta final, antes de receber a bandeirada, passou devagar junto ao muro
para cumprimentar sua equipe.

O momento de bobeira custou a vitória.

Björn diminuiu tanto que permitiu que o dinamarquês Nicolas Kiesa o
ultrapassasse antes da linha de chegada e ficasse com a troféu.

Veja o vídeo.


A decepção do seu chefe de equipe é evidente nas imagens.

Caso você não tenha reconhecido, se trata de ninguém menos que
Christian Horner.

De qualquer forma, Björn terminou 2003 com um título da F3000
debaixo do braço.

E assim ele partiu para a Fórmula 1.

Jordan e BAR fizeram convites.

Mas Björn fechou com a Jaguar.

Piloto de testes.

Durante 2004 ele cansou de andar com o carro verde nas sextas-feiras
de cada GP.

O futuro se mostrava amistoso.

Porém tudo ficou nebuloso quando a Red Bull comprou a Jaguar,
escuderia que pertencia a Ford.

Björn tinha feito um contrato de três temporadas.

Sua esperança de continuar aumentou ao descobriri que seu ex-chefe,
Christian Horner, assumiria o comando do novo time dos energéticos.

Triste.

Björn tinha um teste agendado para o final da temporada.

Obedecendo ao compromisso firmado, ele foi até Barcelona, local onde
se realizaria o ensaio.

Björn foi tratado com tamanho desprezo por Helmut Marko e Dietrich
Mateshitz (dono da Red Bull), que ele não teve outra alternativa a não
ser voltar para casa imediatamente.

Christian Horner cancelaria o contrato do piloto em seguida.

Sem permitir qualquer chance de negociação.

Björn fez uma tentativa na americana Champ Car e depois continuou sua
carreira no Japão.

Hoje ele tem sua trajetória vinculada com o Endurance.

O sueco se convenceu que a falta de sorte e o momento errado o fizeram
perder a chance de permanecer na Fórmula 1.

Pode ser.

Todavia deve ser muito esquisito lidar com o sentimento ao pensar no
assunto.

Ainda mais para alguém que esteve tão perto e tão longe ao mesmo
tempo da entrada na categoria máxima do automobilismo.


2 comentários:

Renato Santos disse...

Há um buraco nessa história... o Dr. Marko ficou engasgado?

Anônimo disse...

O problema do Wirdheim foi tempo.

Pegou o final da Jaguar.Com a equipe já controlada pela Red Bull.

A empresa de Masterchitz já tinha seu piloto número um (Webber) e o jovem promissor para apostar (Christian Klien).

O sueco acabou sobrando como o piloto contratado por quem não estava mais lá (Jaguar).

Pode ter sido injusto,mas não foi uma resolução absurda.

E cá entre nós,o Wirdheim não faria muita coisa na F1.

Fora as duas boas temporadas na F3000,nunca fez mais nada nas categorias de base.

E pegou os piores anos da F3000,quando o nível dos pilotos estava bem fraco e a Arden dominava completamente a categoria.

Arthur Simões