sábado, 14 de fevereiro de 2015

Mitologia






















Agosto de 1957.

Nurburgring.

Apesar de ter ido bem nos treinos Juan Manuel Fangio sabia que sua
Maserati não era páreo para as Ferraris.

Os bem educados Mike Hawthorn e Peter Collins estavam com a vantagem.

Seus pneus Englebert eram melhores que os Pirelli que calçavam o carro do
argentino.

Isso exigiu um plano da Maserati para derrotar a Ferrari.

Simples.

Fangio largou com metade do tanque de combustível.

Queria abrir vantagem na primeira parte da corrida.

Tudo teria que ser cumprido à risca.

Sem erros.

Tudo corria bem.

Na décima segunda volta o argentino entrou nos boxes para reabastecer.

Estava com quase 30 segundos de vantagem.

Mas algo deu errado.

A parada se prolongou além do esperado.

As Ferraris passaram e ficaram com quase 50 segundos de vantagem.





















Fangio que era um piloto comedido e cauteloso fica transtornado.

E começou a conduzir seu carro como nunca.

Aos olhos das testemunhas, ele parecia voar.

Cada vez mais rápido.

Superou seu tempo dos treinos.

Da pole position.

Desespero.

A cada passagem de seus pilotos o box da Ferrari implorava com placas e
bandeiras.

Vendo o perigo se aproximar queria que eles apenas acelerassem mais e mais.

Inútil.

Pois logo ocorreu o encontro.

















Registrado na foto logo acima.

Duas ultrapassagens.

Primeiro Collins e depois Hawthorn.

Fangio venceu.

Sua última vitória na Fórmula 1.

Uma das três mais belas pilotagens de toda história.

As outras duas?

Já contei no Blog.

Clique aqui para lembrar da mágica de Stirling Moss em Mônaco.

aqui para ler sobre a corrida perfeita de Jackie Stewart na temporada
de 1968.

Máquinas, asfalto, óleo e borracha.

Uma linguagem diferente essa da velocidade.

No entanto muito bela.

Poesia pura.

17 comentários:

Anônimo disse...

Assisti a um documentário sobre o Senna ontem no Sportv, sensacional, e ao mesmo tempo, muito, mas muito triste mesmo. Vendo hoje dá para ver que ele teve premonição do que lhe ocorreria. Bom mas porque falei de Senna se o assunto é Fangio, simples ele era o ídolo de Senna e essa corrida que você nos marrou me lembrou muito Donington Park 1993, ele também com um carro muito inferior meteu uma volta no francês.

André Candreva disse...

Corradi,

narrativa sensacional... dá pra arrepiar...

nos remete a grandes momentos da F1 aos quais já tive a oportunidade de assistir...

abs...

fernando disse...

fantástico esse post, Corradi.
evolui como um filme.
ok, é a história de uma performance extraordinária - mas, exatamente, as fotos narram, seguem junto o que o texto, sucinto, conta. e com um título primoroso.

apesar de já conhecer a história dessa corrida, e dos poucos momentos que há em filme - especialmente o da primeira ultrapassagem, sobre Collins - não tinha me tocado, o Cara alcançou as Ferrari justo em frente aos pits e tribunas principais, isso numa pista de quase 23 kms de extensão.
é incrível, não bastasse o sentido de apreensão criado em todos os que acompanhavam, volta a volta, nos cronômetros, a destruição da vantagem dos dois ingleses, o Cara efetivamente toma a prova das mãos deles no trecho onde a maioria estava.
não duvido ele tenha percebido isso e mesmo coordenado a situação pra que resultasse em tal sincronismo.

2 detalhes do 'evento',reportados:
- Collins teve sua viseira (goggles)estourada por pedregulhos atirados quando Fangio o ultrapassa, na curva à esquerda logo atrás dos pits (há filme dessa ultrapassagem).

- alguém da equipe Maserati afirmou depois, havia tufos de grama alojados nos braços da suspensão dianteira da 250F.

TW disse...

Fangio nem parecia deste planeta. Não era à toa que era ídolod e Senna e demorou tanto tempo para ser superado em títulos por Schumacher. Ainda assim, é difícil dizer quem foi melhor: o argetino ou Ayrton.

abs

Marcos Alvarenga disse...

Essa do Fangio na minha opinião é a mais espetacular de todas. Ele mesmo dizia que nunca havia pilotado tão rápido.
Colocaria a corrida de Senna em Donington, 1993 entre as mais também.

Abraço,

Anônimo disse...

Inspiração total do "dono do pedaço" nesse apagar das luzes de 2011!!

Só filé. . .e ainda faltam 4 dias. . .

Zé Maria

Rubem disse...

Incrível,grande pilotagem,bem acima da media.
Hoje em dia isso seria impossível de acontecer,bons tempos...
Aqui o link do vídeo:
http://www.youtube.com/watch?v=yWfrQivWUco

Humberto Corradi disse...

Rubem

Sensacional o vídeo. Ainda mais conhecendo a história.

Valeu amigo!

Rodrigo Felix disse...

Maestro é maestro!!

Edson Framil disse...

acho que podíamos considerar, mesmo que sem vitória, a quase impossível recuperação de Clark na Itália em 1968, se não me engano... ficou a pé na última volta por falta de combustível.

abraços e obrigado

Edson Framil disse...

ops 1967

fabehr disse...

Detalhe, ele já tinha 45 anos de idade, e quebrou o recorde do circuito 5x durante a corrida. Senão me engano, baixou o recorde em 9 ou 10 segundos

Delgado disse...

Fangio era irretocável, e correu em uma época em que a competição era mais limpa, sem as enormes pressões financeiras, e onde havia o romantismo e cavalheirismo entre os pilotos.
Poucos lembram, mas um de seus títulos foi ganho por favor de seu companheiro de equipe, que lhe cedeu o carro (algo permitido pelo regulamento da época). Apesar de nunca ter sido confirmado, dizem que foi espontaneamente, sem pressão ou ordem da equipe (Ferrari).

Eric Musashi disse...

Esse lance de pilotar alucinado. Ao vivo, só vi duas vezes: Schumi na Hungria em 98 e Vettel em Cingapura 2013.

Ron Groo disse...

Ninguém nunca se cansa das história de Fangio.

Társio disse...

Maestro! Fangio espetacular.

E que narrativa, Corradi. Fui embora nos pensamentos aqui.

Valeu!

Juanh disse...

Fangio y Senna, los dos más grandes en la historia de la F1.
Abrazos!