quinta-feira, 24 de outubro de 2013

A Economia de Bernie Ecclestone
























Não é todo dia que surge no planeta uma figura como Bernie Ecclestone.

Um cara com uma visão capaz de transformar uma categoria do automobilismo
numa máquina que movimenta dinheiro, paixão e até mesmo países inteiros.

Bernie tentou ser piloto durante sua juventude.

Mas seu verdadeiro talento apareceu quando começou a vender carros.

Sempre conseguia uma vantagem no "Toma lá Dá cá".

O empreendedor começou a ser reconhecido na Fórmula 1 quando passou a
gerenciar a carreira de Jochen Rindt ainda na década de 60.

Pouco tempo depois adquiriu a equipe Brabham.

A origem de seu patrimônio já causou muita controvérsia.

A história que Ecclestone teria participação no planejamento do famoso Assalto 
ao Trem Pagador já gerou processos na Inglaterra.

Calúnias.

Tudo por conta do nome de Roy James, o piloto encarregado de dirigir o carro
dos meliantes no cinematográfico roubo de 1963.

Depois de cumprir sua condenação, James, que também era ourives, trabalhou
confeccionando troféus para a categoria máxima do automobilismo.

As pessoas ligam as coisas e criam as lendas.

Na Brabham Bernie tinha a habilidade de sempre equilibrar as contas ao mesmo
tempo em que contratava pilotos promissores.

Economia era a palavra de ordem.

Gordon Murray, projetista ainda no início de carreira, chegou a colocar alguns
elementos de madeira nos primeiros carros da escuderia.

Além dessa criatividade toda, Ecclestone era um mestre em fechar bons acordos.

Martini, Alfa Romeo, BMW...

A estrutura da equipe sempre contava com um piloto principal, e até certo
ponto bem pago, e um companheiro que não ferisse o orçamento.

Assim foram formadas a maioria das duplas da Brabham ao longo dos anos.

À sua maneira Ecclestone conseguiu que Niki Lauda e depois Nelson Piquet
permanecessem por anos defendendo suas cores.

Lauda chegou em 1978 recebendo o mesmo valor que a Ferrari, sua equipe
anterior, havia lhe dado um ano antes.

Salário que foi dobrado por Bernie para que o austríaco permanecesse com
ele mais um ano.

A relação de vencimentos entre Lauda e Piquet em 1979 deixa claro como a
coisa funcionava.

Enquanto Lauda recebia 1 milhão de dólares por temporada, o brasileiro ganhava
20 mil.

Numa comparação, Jame Hunt tirava 750 mil na Wolf.

Valores da época.

Quando se tornou o primeiro piloto, Ecclestone particamente dobrou o salário
de Piquet nas duas temporadas seguintes.

Nelson ainda recebia um extra para participar de outras categorias recomendadas
pela equipe.

A coisa melhorou mesmo depois do primeiro título.

Piquet passou a receber 500 mil dólares anuais.

Nada demais.

Tudo dentro do orçamento.

Pra se ter uma ideia na mesma época Lauda ganhava 4 milhões na McLaren
e Keke Rosberg 40 mil na Williams.

Bernie teve que renegociar seu contrato com Piquet após seu segundo título.

O brasileiro então teve um merecido aumento: 1 milhão de dólares mais uma
bonificação por ponto.

O acordo que só terminaria após 1985.

Ano em que a proposta da Williams se revelou muito mais vantajosa financeiramente.

Frank ofereceu o dobro que Ecclestone estava disposto a pagar.

Assim Piquet trocou Milton Keynes por Grove.

Essa mudança marcou também o início do declínio da equipe que acabou sendo
vendida em 1987 por Bernie.

Com 2 títulos e 22 vitórias e, claro, sem prejuízos financeiros, Ecclestone partiu
para a dedicação exclusiva do negócio Fórmula 1 como um todo.

O resto é história.

Hoje, perto de inaugurar um Grande Prêmio na Rússia e fazer o skyline de Nova
York cenário de corrida, esse empreendedor, que abandonou os estudos durante
a adolescência, não parece conhecer barreiras para realizar seus desejos.

Pode ser chamado de polêmico, porém sem seu talento a Fórmula 1 seria apenas
mais um campeonato de automóveis.

Foi Ecclestone quem a elevou a um patamar nunca antes imaginado e mostrou
que nada resiste a um bom acordo.

Principalmente se for feito por ele.


12 comentários:

Jorge Dias Lage disse...

"Pode ser chamado de polêmico, porém sem seu talento a Fórmula 1 seria apenas mais um campeonato de automóveis", o que teria sido ótimo para quem realmente gosta de automobilismo.

Abs.

Tuta Santos disse...

É... um cara que se fez, entendeu onde estava, viu que as escuderias não são unidas, até hoje não são, e se beneficiou da fraqueza da classe. Sou fá dele, não me confunda, só que eu enxergo que meu ídolo tem falhas.

Anônimo disse...

essa parte da madeira no carro, tem fotos?

o "mestre" breder podia tirar uns coelhos da cartola nessa, hein?


felipe

Paulo Alexandre Teixeira disse...

Bernie Ecclestone foi o homem certo no lugar certo, no tempo certo. A Formula 1 atual é moldada nos seus propósitos e todos querem seguir o seu modelo. Até digo uma coisa: se não fosse ele, este campeonato já teria "rebentado" e surgido outro. Por causa das desuniões entre as equipas, por exemplo.

Bernie é um dos homens mais ricos da Grã-Bretanha, porque de uma certa forma, retêm uma percentagem das receitas para ele. Não a totalidade dos 50 por cento que a FOM (Formula One Management) fica a cada ano, mas com a parte que vai para o fundo Delta Topco, que normalmente anda pelos 17,5 por cento. Se a receita de 2013 for - vamos supor - de 1500 milhões de dólares, podemos ver a percentagem que ele ganha... teria dado para manter a Brabham e ainda levar mais algum para casa, se quisesse.

No dia em que escrevo isto, Bernie está a poucos dias de fazer 83 anos. Não sabemos quanto tempo ele têm mais de vida, mas todos suspeitamos que no dia em que não estiver mais por aqui, as coisas não serão mais o mesmo. Ficará a FIA, na figura do Jean Todt, ficarão as equipas, e personagens como Luca di Montezemolo - que cada vez mais olho como "o filho que Enzo Ferrari nunca teve" - Christian Horner ou até "Toto" Wolff, entre outros, e eles farão tudo para receber mais um pouco desse bolo.

Suspeito que os tempos a seguir serão muito agitados, apesar de haver um Acordo da Concórdia assinado até 2020, do qual sabemos muito pouco dos seus pormenores. O que é mau para uma firma que no futuro quer entrar em Bolsa.

Mas o que suspeito é que no pós-Ecclestone, algumas pessoas vão querer exercer a "vingança". E olho para a Ferrari, porque historicamente, eles sempre querem que as regras sejam feitas à sua medida, e barafustam muito para conseguir a sua parte.

Anônimo disse...

Felipe,

essa (elementos de madeira) eu não sabia!


Reconheço que Ecclestone é o personagem principal para o que a F1 se tornou... o que começou no início da década de 80...

No entanto, olhando para o "antes" e o "depois", a F1 transformou-se num híbrido 'show business + automobilismo', com propensão maior ao business.... acho lamentável isso.


Corradi,

a última foto do post é de algum treino em 1976? Parece a Brabham BT45 com uma asa dianteira híbrida BT45/42... é a primeira vez que vejo isso...


um abraço,
Renato Breder

Humberto Corradi disse...

Breder

1976 em Anderstorp. Deve ter sido durante os treinos mesmo.

Valeu

Emerson Fernando disse...

O que será da F1 pós-bernie? Ou melhor... Haverá F1 pós Bernie?

Ron Groo disse...

Sou muito fã deste velho. Muito.
O dia em que ele faltar a F1 vai virar Indy.
Isto se não sumir.

Marcos Alvarenga disse...

Corradi, te mandei uma foto do Bernie com o Cevert que nunca vi por aí. Já tem tempo.

Humberto Corradi disse...

Marcos Alvarenga

Agradeço sempre as colaborações.

Tem até uma seção especial para elas chamada Mail aqui no Blog.

Aos poucos elas vão aparecendo.

Valeu

walter disse...

Não concordo com a veneração ao Bernie. Ele ganhou dinheiro, parabéns para ele.
Mas matou o produto, fazendo uma gestão extrativista da F1 (ou seja, extrai tudo do ativo que tem e joga fora o ativo).
A F1 não tem futuro e as arquibancadas vazias provam isso.
Ela está saindo da tv aberta, no mundo todo e no Brasil também.
Entender a graça da F1 do ano dessa linda Brabham que está no 'post' seria uma missão importante para a F1. Não para o Bernie, que está no fim da vida e rico o suficiente.
Talvez não haja F1 pós - Bernie. Mas por CULPA dele e não por falta dele.

Anônimo disse...

estou mais para a opinião do Walter, creio; nao tivesse acontecido Mr.E na história da F1, alguém dirigindo a Federation Internationale d'Automobile teria tomado as rédeas e desenvolvido o negocio de um modo ou de outro, talvez conservando mais o aspecto esportivo da parada; a atracão televisiva era inerente ao espetáculo , Mr.E fez foi estruturar em função da TV a coisa toda, e lucrar individualmente-mais do q pelo conjunto das equipes - com aquilo.

mas lembrando q tudo isso teria sido o mais improvável: houve um concorrente ao britânico tentando agarrar o domínio do circo,nao lembro do nome agora mas acho q era francês , e também nao era da área esportiva, era tão business man quanto Mr.E; portanto provavelmente seria 6 por meia dúzia .
Fernando