sábado, 3 de junho de 2017

Reparação



















Ele havia aberto as portas para o Brasil invadir a Fórmula 1.

Ninguém imaginava que aquele rapaz que desembarcou no aeroporto de Heathrow
 em 1969 faria história nas pistas da Inglaterra.

No início ele encantou Jim Russell e Colin Chapman.

Depois o mundo.

No início dos anos 80 ninguém mias se lembrava de nada.

Emerson Fittipaldi havia perdido tudo.

Sua reputação e seu dinheiro.

O amor pelas corridas parecia estar no fim.

Talvez por isso retornou ao Kart.

Um encontro com as raízes.

Em 1984 ele disse que queria voltar à Fórmula 1.

As grandes equipes se fizeram de surdas.

Apenas a pequena Spirit Hart demonstrou interesse.

Os testes em Jacarepaguá foram um desastre.

Faíscas para todos os lados.

Emerson acusou o motor.

A pequena escuderia inglesa falou que o brasileiro só queria se promover.

No box ao lado a Toleman havia montado seu acampamento.

Também equipada com o motor Hart.

Vibrou com os tempos de outro brasileiro.

Ayrton Senna destruiu.

E foi 4 segundos mais rápido do que o bicampeão.

Todos acharam ser o fim.

Mas Emerson pensava diferente.

"Eu ainda posso vencer."

Partiu então para os Estados Unidos.

Ele queria reescrever sua história.

Na Indy teve que aprender a domar os ovais americanos.

Ficava impressionado como Mario Andretti corria tirando tinta dos muros.

Os americanos o abraçaram.

Enxergaram a humildade.

Através disso a adaptação veio depressa.

E com ela vieram as vitórias.

Em 1989 ele terminou de construir a ponte que ligava a saga americana ao seu
passado vencedor.

O título foi importante.

Mas a vitória nas 500 milhas de Indianápolis foi o ápice.

Ele havia liderado mais de 150 do total de duzentas voltas.

Faltando 5 para o final, Al Unser Jr. conseguiu facilmente ultrapassá-lo.

A equipe havia colocado combustível demais em sua última parada.

O carro mais pesado se tornou uma presa fácil para o adversário.

No entanto o templo de Indianápolis já havia escolhido seu herói.

Faltando 3 voltas, Al Unser Jr. se complicou ao tentar passar os retardatários.

Fittipaldi apertou.

E chegou no americano.

Os carros ficaram lado a lado.

Paro por aqui.

E deixo para os dois pilotos terminarem de contar essa história...



26 comentários:

Anônimo disse...

Eu lembro muito bem desta temporada de 1989, assisti todos os GPs junto com meu pai, e vibramos muito quando ele venceu as 500ª milhas, sendo que na mesma tarde de domingo, Senna conquistava a única vitória no México para o Brasil.

Foi um domingo fantástico!!!

A respeito do teste em Jacarepaguá, recomendo o pequeno vídeo abaixo.

http://www.youtube.com/watch?v=BUO6tqrdks0

Abraço a todos!

Mauro Santana
Curitiba-PR

Secastro disse...

Blog simplesmente emocionante.

Não acredito em ídolos, mas se eles realmente existem, Emerson é um ídolo.

Eu trabalhei de bandeirinha no Maqui-Mundi (RJ) com Emerson correndo de superkart (kart com dois motores), se não me engano patrocinado pela Staroup, logo depois que a Fittipaldi Automotive faliu e ele voltou ao Brasil. Ainda me lembro da seriedade com que ele competia, como se fosse realmente um novo start-up. Difícil imaginar algum outro piloto hoje fazendo algo parecido.

Se o Rubens hoje é motivo de chacota, naquela época era bem pior (chaleira, açucareiro, e neste teste da Spirit, Pateta). Pois com esta crítica ele reinventou o automobilismo para o Brasil, abrindo as portas dos EUA.

Na minha opinião, simplesmente o melhor esportista a motor do Brasil de todos os tempos, sem querer entrar em discussões inúteis sobre Senna, Piquet e outros que vieram depois e já encontraram as portas abertas.

André Candreva disse...

Corradi, meu caro,

nestes testes de pneus em Jacarapeguá em 1984 nos revelaram algo muito bom: o campeão da F1 que iria trilhar um novo caminho nos EUA e sagrar-se campeão por lá também e o início daquele jovem franzino que em breve se tornaria campeão mundial e nos daria tantas alegrias quanto Emerson e Piquet nos deram sem contar Pace, Barrichello e Massa com suas vitórias na categoria...

Seus posts são sensacionais mas este, para mim, é o mais patriótico de todos até aqui exibidos...

simplesmente sensacional e dá arrepios em rever a inesquecível vitória de Emerson nas 500 milhas de Indianápolis...

Valeu...

Marques disse...

Demais esse vídeo. Sensacional mesmo.
Boa Corradi!

Abraços

Anônimo disse...

Lembro desses testes com a Spirit. Além do Mickey, tinha o PAteta também.

Abç,
Emerson Fernando

Anônimo disse...

O mais incrível no vídeo daqui é o que Al Unser Jr disse (ou fez) para Emerson na volta final, apesar da batida: "thumbs up", pela vitória.
Mario

politicamente_incorreto disse...

Emerson é desbravador, foi primeiro de verdade por onde passou e desbravadores devem ser reverenciados.

Emerson está acima do bem e do mal, e quem está acima do bem e do mal não pode receber críticas.

Emerson é redundância e redundância não se explica.

Emerson é adjetivo e adjetivo eu não comento, está acima da minha capacidade.

Em suma só falta para o Emerson virar verbete e pra falar a verdade eu não sei porque estão demorando tanto....

Rubem Rodriguez Gonzalez

Anônimo disse...

Al Unser Jr foi bem duro e justo na disputa com Emerson Fittipaldi...

Foi vencido e reconheceu. Em suas próprias palavras "... ele não fez intencionalmente...", "... ele liderou o dia todo..."

Belo gesto... thumbs (not middle finger!) up!!


um abraço,
Renato Breder

zamborlini disse...

humberto
mais um post inesquecível!!!

Rodrigo Keke disse...

ah, que capítulo saboroso da história do automobilismo! Gracias Corradi!!

Rafael Dias disse...

Épico. E um post monumental

Ron Groo disse...

Grande Emo...

E concordo com o Rafael Dias.

Fabiani C Gargioni #27 disse...

Concordo mais uma vez com o Rubem, Emerson Fittipaldi é Emerson Fittipalkdi e ponto final!!!

Paulo Heidenreich Jr disse...

Eu posso cometer um erro terrível no que vou dizer, ou não, mas os americanos assim como nós são apaixonados por corridas e carros. A grande diferença é que eles tem um respeito maior pela biografia dos pilotos e equipes. As vezes eu vejo as reportagens e programas da tv americana e vejo sempre um respeito muito grande a todos os pilotos, independente do quanto venceu, da sua nacionalidade, eles tratam os pilotos como heróis. Aqui no brasil o nosso palco máximo (Interlagos), fica jogado as traças o ano todo, recebendo tratamento decente somente para a F1. Os circuitos americanos na maior parte do ano recebem corridas e são bem cuidados. Lá, a escola de automobilismo é muito forte, começa muito cedo e tem muito apoio, aqui uma categoria que é criada pra revelar talentos não dura 5 anos. Não é perfeito, lógico, tem muitos problemas como em todo lugar tem, mas para um país tão apaixonado por corridas e por carros, nós ainda estamos devendo muito.

Eugenio Borsatti disse...

O melhor blog sobre história do automobilismo que já conheci. Parabéns, vida longa!

Rodrigo Keke disse...

O Paulo Heidenreich Jr. disse bem no seu comentário, os ianques tem um profundo respeito com seus ídolos, de fino ou grosso calibre, inclusive com estrangeiros.

Rafael Schelb disse...

Fazendo uma paráfrase de uma música do Queen: The Great King... Rato!

politicamente_incorreto disse...

Ao Paulo Heidenreich Jr e ao resto da macacada que já cohabita o espaço há mais tempo:

O seu comentário é pertinente, navego em sites de automobilismo mas praticamente só comento aqui. Nos outros espaços só vejo recalcados, venenosos e invejosos.

Após cada corrida uma horda de unos e visigodos invadem esses sites e blogs babando ódio e tendo orgasmos por alguma atuação pífia dos brasileiros no grid. Se autoproclamam antenados e torcedores de automobilismo sem fronteiras mas na realidade é síndrome de colonizado e alma de vira-latas, sonham em viver em um mundo aonde todos falam inglês e tem cara de senhores feudais.

Tem blog elitista que coloca uma porrada de matérias em inglês e ai de quem falar que não entendeu, a camarilha elitista cai de pau em cima sem dó nem piedade. Não sei falar inglês , nunca me interessei e nem me faz falta alguma, costumo dizer que é a língua oficial dos pedintes e vagabundos de Nova Iorque e Londres, não me faz falta alguma e não me sinto menor do que ninguém por isso.
Essa é a mentalidade média dos nossos seguidores ditos "izpessializados" do automobilismo que se dão um valor maior do que realmente possuem e se acham os únicos credenciados a gostar e dar pitacos sobre automobilismo.

A outra imbecilidade caro Paulo & macacada é o fato de que por burrice extrema e demagogia idem as autoridades da esfera dos governos federais estaduais e municipais acham uma heresia intervir ou até financiar o esporte automotor em geral.

-É esporte de rico!! bradam os administradores(?) demagogos e tome leis sociais "inteligentes" e oportunistas como transformar o FUNK em movimento cultural...

Está pronto o samba do crioulo doido que gerencia o Brasil de uma forma geral, de um lado meia dúzia de babacas que se julgam quase divindades e europeus que nasceram no lugar errado e do outro lado uma massa ignara que como bois vai por aí cantando "AI SE EU TE PEGO" e ao centro administradores, presidentes de ONG's CBF's, CBA's e outras entidades e autarquias especiallizadas em tirar dinheiro público de onde puderem. E num cantinho bem sujo ao fundo ficamos nós que não somos nem uma coisa e nem outra e enxergamos o esporte automotor como é enxergado pelos habitantes do primeiro mundo que muitos teimam em imitar mas são apenas aquelas caricaturas idiotas que citei lá em cima...

Por ultimo esqueçem que o esporte automotor é uma fonte imensa de empregos qualificados e que gira uma soma de dinheiro maravilhosa, dá emprego pra cacete, gera economia de mercado, dá emprego do pipoqueiro ao engenheiro e em quantidade considerável. Não tenho dúvidas que existiam mais pessoas vivendo do automobilismo em 1976 do que hoje no Brasil, o que existem hoje em sua grande maioria são manipuladores de verbas e escritórios especializados em passar a perna através das leis de incentivo ao esporte a cultura. Eu pessoalmente já recebi a oferta de duas cotas da Stock na base do fift/fift ( quem é do meio sabe o que eu estou falando)Sobra crime e falta punição.

P.S. O fato dos pilotos brasileiros estarem mal das pernas na F-1 e também de não termos levantado um caneco em 20 anos não tem nada a ver com isso. O Japão tem um puta automobilismo e JAMAIS UM JAPONÊS GANHOU UMA CORRIDA SEQUER NA F-1!!!!
Vu parar por aqui pois o assunto é extenso e estou cada vez mais chato...

Rubem Rodriguez Gonzalez

Enio Peixoto disse...

Vitória sensacional do Emerson que liderou a maior parte do tempo e no final, com o carro mais lento, quase perdeu a corrida.

Emerson se adaptou muito bem aos grandes ovais e quando seu carro correspondia, era o principal favorito, desbancando o rei dos ovais, Rick Mears.

Em 1990, Um ano depois,largou da pole position, liderou grande parte da corrida, com folga, mas um problema de pneu, o obrigou a fazer uma parada extra e terminou em terceiro.
Em 1991,foi prejudicado no pole day por uma decisão de Roger Penske em abortar sua tentativa. Depois, por causa da chuva, acabou ficando com a 15a. posição no grid. Mas fez uma corrida sensacional, passando todo mundo, até alcançar a liderança, mas acabou abandonando por problemas mecânicos.
Em 1993, venceu novamente, ultrapassando o Mansell por fora na relargada.
Em 1994, liderou a corrida quase toda, chegou a colocar uma volta no segundo colocado, Al Unser Jr, mas infelizmente, acabou batendo no muro a poucas voltas do final.

Juanh disse...

En 1984 yo había dejado de seguir las carreras (con motivo del retiro de Reutemann), así que no conocía nada sobra las pruebas de Emerson con el Spirit. Muchas gracias por enseñármelo.
Abrazos!

Társio disse...

Épico! Tanto o Rato, quanto o texto!

Anônimo disse...

Muito bom, tanto (re) ler o texto do Corradi, como (re) ver a narração dos envolvidos, acompanhada das imagens. . .
Curioso perceber que no momento da ultrapassagem, o Emerson passa com as 4 rodas abaixo da linha branca e não é penalizado, coisa que hoje, malvo engano meu, "nem a pau, Juvenal!!".
Outra coisa, revendo posts antigos sempre dá uma saudade do "politicamente_incorreto". . .
Zé Maria

Ituano Voador disse...

Putz, assino embaixo de tudo o que o Rubens escreveu: Emerson é Emerson, simplesmente isso, e isso é tudo!
Abs

Scriptor disse...

O curioso é que se Fittipaldi tivesse batido também, a vitória cairia no colo do Raul Boesel...

Daniel Chagas disse...

Ahhh se Emerson não tivese saído da Mclaren no final de 75....No mínimo seria tricampeão, mas independente disso foi e é um dos maiores pilotos da história, nunca teve medo de tentar algo novo e se reinventar como piloto.

Franklin Araujo disse...

Reza a lenda que o Al Unser Jr. levou um pedaço do muro onde ele bateu pro rancho dele