segunda-feira, 2 de julho de 2012

Delivery






















1973. A Ferrari de Jacky Ickx passeando em Mônaco.

Circuito de rua.

Coisa que parece ser o amanhã da Fórmula 1.

Olha.

Hoje no calendário estão: Mônaco, Valência, Cingapura e Albert Park

Pode considerar o Gilles Villeneuve também se quiser.

O futuro?

New Jersey, Mar Del Plata, Londres, Moscou...

A tendência.

Corridas nas avenidas das cidades.

Por que?

É mais barato que manter um autódromo.

Alguns dos novos circuitos criados por Hermman Tilke vivem às moscas.

O caso coreano é emblemático.

Rolhas de champagne e sacos de lixo de 2010 ainda estavam no Circuito de Yeongam
quando a Fórmula 1 chegou em 2011...

Fica a impressão que a estratégia de construir pistas monumentais em novas praças
deu errado.

Claro que há sempre muito dinheiro e interesses envolvidos.

Mas penso que também era uma tentativa de dar um passo em direção ao futuro.

Voltando um pouco no tempo.

A Era Schumacher foi nefasta para a Fórmula 1.

Eram corridas de um carro só.

Uma chatice.

E ninguém gosta do cara.

Não fica dizendo que você gosta porque é mentira.

Quando tudo terminou ficaram apenas os viciados.

O público comum foi embora.

Até que veio a bonança.

Primeiro Fernando Alonso trouxe os espanhóis.

Público, pistas, imprensa e dinheiro.

Raikkonen trouxe... sei lá.

Lewis Hamilton e Jenson Button agitaram a Inglaterra.

Ventos da mudança.

Apareceu Sebastian Vettel com sua Red Bull.

Outro alemão?

Sim, mas um garoto simpático e querido.

Patrocinado pela Coca-Cola do século XXI.

Tem ainda os franceses.

Bernie Ecclestone luta para que eles tenham pelo menos uma etapa.

Coisa que os americanos passarão a ter a partir deste ano.

Estão percebendo a construção?

O problema tem sido os Tilkódromos.

China.

Índia.

Sei lá.

Pode ser que a Fórmula 1 se volte para os centros das grandes cidades e mande
todos esses monstrengos para o espaço.

Os circuitos de rua aproximam o público.

Mexem com toda a cidade.

Querendo ou não as pessoas se envolvem.

Isso cria um vínculo.

Um elo emocional.

E emoção vende. E muito.

As pessoas passam a se interessar.

Entender.

A Fórmula 1 voltou  dar certo na TV.

Esquece o Brasil e a Rede Globo.

Não estou falando disso.

Isso é um caso a parte.

O horário de domingo pela manhã é cruel.

E a maioria dos brasileiros não sabe a diferença entre treino e corrida.

Imagine o esforço de Galvão Bueno para transmitir ao vivo em meio ao tiroteio
das críticas dos aficionados e a ignorância dos sonolentos que ligaram a TV achando
que ainda estava passando Globo Rural?

Isso é conversa pra outro post.

Hoje a Fórmula 1 se ressente por não preencher as arquibancadas.

E tirar o cidadão do conforto de suas casa para um autódromo não é fácil.

É daí que vem a ideia da pista de rua.

Uma solução simples.

Que coloca a casa das pessoas dentro do circuito.

Batido.

Mas tá valendo.

É o artista indo onde o povo está.

15 comentários:

Paulo Heidenreich Jr disse...

E digo mais Corradi, este é um mau que atingirá todas as categorias do esporte motor. Em algumas categorias já é bem visível a diminuição do público na arquibancada. Hoje em dia dá muito trabalho sair de casa. A cada dia as pessoas estão ipnotizadas pelo tubo..

Ron Groo disse...

Discordo, não é mais barato que manter autódromo porque o prejuízo do comércio nas áreas é grande. Tem que ficar fechado por dois dias no mínimo.
E quanto aos autódromos, bem... A FOM não gasta um centavo com eles. Apenas recebe grana de quem quer fazer as corridas lá.

Valência vai sair do calendário, ou revesar com outro circuito espanhol qualquer.
De todos, o único que realmente não corre risco é Mônaco, que sem ele não há F1.

Rodrigo Keke disse...

Groo, a FOM pode até não gastar nenhum centavo com os autódromos, mas os proprietários dos mesmos gastam bastante para manter tudo no altíssimo padrão exigido pela FIA. Isso sem contar a absurda taxa cobrada por Bernie Ecclestone. A FOM não leva prejuízo, mas os organizadores só faltam enfartar. Não a toa vemos tantas notícias acerca de possíveis desistências no calendário para os próximos anos...

Eu gosto de circuitos de rua, mas não quero que eles venham a ser maioria no calendário. Na IndyCar esse é o panorama e não é legal. Sei lá, se eles representassem 25% do calendário tava bom demais. E penso o mesmo sobre a F1, uns cinco circuitos de rua no calendário basta. Opa, quase estamos nesse número certo? (Vejo o Circuit Gilles Villeneuve mais como um autódromo permanente, visto que ele fica em uma área sem trânsito urbano, e com uma estrutura de boxes e paddock do nível de um autódromo)

No mais, belo artigo. Nos faz pensar sobre os rumos que a F1 está buscando para o seu espetáculo.

politicamente_incorreto disse...

O Briatore aproveitou o sinal do Balestre e entrou na categoria criando a bandalheira geral na categoria.
O que realmente melhorou na categoria foi esse crápula longe das decisões. bandido da pior espécie tratou a categoria como um porco gordo para encher os bolsos. Se aproveitou da ânsia do Montezemolo que queria a hegemonia da categoria e estava disposto a gastar o que precisasse.
O Briatore com a ânsia de ganhar o máximo jogou psado nos bastidores da categoria para fazer a Ferrari e seu pupilo único e inalcançável quer seja por clausulas, por pneus exclusivos ou por benefícios outros que fizeram um piloto mediano no grande campeão, dono de um curriculum invejável para leigos, mal humorados e mal informados de plantão.
Mas quem conhecia a categoria a fundo sabiam que a Ferrari hegemonica era fruto de uma fraude, que o Schumacher é uma fraude. Não como piloto mas como gênio.
A diferença é muito grande, pode não ser para leigos ou idiotas da objetividade. Mas para quem acompanha essa categoria a 20, 30 40 anos ou mais e conhece cada detalhe tecnico e os pilotos das mais diversas épocas sabiam que a categoria de grid magro e dominada por um carro apenas já vislumbravam um futuro negro para a categoria.
Não gosto das soluções artificiais e os pneus de farinha da Pirelli, mas antes eles do que o Briatore inventando eternos campeões e pensando apenas nos lucros.
Não sou muito chegado a corridas de rua, mas comparando com os tilkódromos eu prefiro os carros se esgueirando por ruas e vielas. sempre gostei muito dos traçados mistos, tipo Montjuich, Canadá e outras por aí afora. não deixa de ser uma solução mais palatável. Uma parte na cidade em sí e a outra parte em um parque publico ou até um pedaço mais veloz só construido para isso.
De qualquer forma, seja de forma artificial ou não, a categoria melhorou muito e isso é o que importa. o rumo agrada.


Rubem Rodriguez GOnzalez

Anônimo disse...

Só queria registrar o seguinte:

Assisti aos 2 primeiros GPs Brasil, em 72 e 73, depois nunca mais. . .

Porque foi um tal de dificultar o acesso, o estacionamento, a entrada do seu próprio farnel, porque queriam vender só as porcarias das lanchonetes autorizadas ($$$$), o retorno pós-prova caótico e por aí vai, daí você pensa:

"Aqui em casa fico de boa no sofá, tenho visibilidade da pista toda, se precisar uso meu banheiro limpinho e cheirosinho, não preciso chegar 200 horas antes nem demorar outras 800 para voltar prá casa. . .é só vantagem. . .ou tô errado?

Zé Maria

Anônimo disse...

Faltou comentar a foto:

Essa 312B/73 foi a maior bomba da história da Scuderia, inclusive Ickx não suportou tanta ruindade e plagiando o Capitão Nascimento com 35 anos de antecedência, "pediu para sair". . .e depois foi para a Lotus em 74.

Zé Maria

Fabiani C Gargioni #27 disse...

Bela explanação Corradi!!!

fernando disse...

boa Corradi, essa percepção do que possa estar ocorrendo em relação às pistas que a F1 utiliza eu não vi ninguém observar antes, e parece muito lógica e nada 'exótica' como idéia. nem mesmo um cara como o Joe Saward jamais pensou nisso, ele que sempre comenta toda e qualquer notícia - e também boatos - relativa aos circuitos e modificações nos calendários de uma no a outro. e ó que o cara gosta de elocubrar sobre esse tema.

da foto no post:o tipo de foto que eu gosto, carro em foco com o fundo levemente borrado pelo movimento da câmera que acompanha o bólido. aliás um que eu acho muito bonito apesar de ter sido historicamente não-competitivo, a primeiríssima 312B3.
claro que sendo em Mônaco, a beleza do cenário ajuda a imagem, mas de se notar que esse é o trecho da 'Piscine', o tal S da piscina, no primeiro ano de sua existência na pista, 1973, o que permitiu que o trecho que ligava a curva 'Tabac' ao hairpin do Gasômetro (agora 'la Rascasse') passasse a ser utilizado como pitlane.

fernando disse...

interessante que em SP temos, no presente, as duas situações, o autódromo permanente que fica no limite do prejuízo anual, e a pista temporária que utiliza ruas e avenidas da cidade - nesse caso específico tem a distintiva vantagem de também utilizar arquibancadas permanentes de uma arena praticamente multiuso (ok é pro desfile de carnaval principalmente, mas o lugar é usado pra diferentes eventos por todo ano, não por menos o prefeito ficou contente mem ter criado a corrida lá, a prefeitura lucra bem mais do que tem que investir no circuito a cada ano).

Rodolfo Leyton disse...

Só não entendi uma coisa. Que pistas Alonso chamou/atraiu pra categoria?? Valência, se tem a ver com ele mesmo, é singular.

Humberto Corradi disse...

Rodolfo Leyton

Quis dizer que o fato ter um espanhol vencendo na categoria atrai atenção do público, patrocinadores e governos locais.

Valeu

Rodolfo Leyton disse...

Entendi agora, Corradi. Obrigado pela gentileza em responder e desculpa por uma possível rispidez na minha pergunta. Abraço.

Mariana disse...

Corradi já ganhou algo parecido a uma medalha olímpica?
senão com esse carro pode fazer serviço de delivery e ganhar muitas gorjetas! rsrs

Rodrigo Vilela disse...

Circuito de rua é legal, desde que com um traçado atraente.

Aliás, era isso que deviam fazer nos centros afastados. O GP da Coréia do Sul podia ser nas ruas de Seul. A mesma coisa para o Bahrein.

Não é o caso de Interlagos, Silverstone, Suzuka... esses têm provas durante o ano todo.

Mas nas praças que recebem pouco, deveria sim, ser prova de rua.

E o de Valência só saiu porque a crise na Espanha está grave. Porque é um baita circuito e feito no porto, ou seja, não tem que fechar comércio.

Abraço, Corradi. Belíssimo post!

Milton Silva disse...

Comercio fechado!!! só se os caras forem bobos e só bater o pé que da certo em monaco funciona. só que tá no trajeto que fecha e toda cidade tem um lugar que dá para fechar e um fato valencia sai do calendário por que a espanha ta quebrada, verdade mesmo o ruim do circuito de rua e a falta de espaço pra passar o que torna a corrida monótona. do resto e melhor que voltamos a ver corridas de carros como corridas de carros.