Imagem de Torger Christian Wolff conversando com Frank Williams.
Do Torgen que vem o "Toto".
Seu apelido.
É difícil escrever sobre tal personagem.
Decifrar uma figura do passado é bem mais fácil.
Sempre há um sentimento.
O contemporâneo traz tropeços e dificuldades.
Por que então dedicar um post?
Porque esse austríaco colocou o pé na porta da Fórmula 1 e está mudando
os rumos da categoria máxima do automobilismo.
Wolff alinhou a Mercedes com a Ferrari!
Num plano em que as fabricantes irão tomar conta do circo de uma vez por
todas.
Só isso já vale.
Toto Wolff trouxe um pensamento diferente para o paddock.
Diferente de Ross Brawn, ele comanda a Mercedes AMG F1 com consenso.
Manda, claro.
Mas também se faz entender.
Ele faz questão de sempre deixar claro para seus pilotos que a equipe está
acima de tudo.
Interessante como este conceito foi implementado no time alemão.
Lembro de uma passagem.
Quando venceu o GP da China em 2012, Nico Rosberg colocou uma pedra
sobre qualquer dúvida a respeito de sua capacidade.
Ainda mais que tinha o grande Michael Schumacher ao seu lado.
A declaração de Nico naquele final de semana foi emblemática.
"Meu objetivo é ser campeão em uma Mercedes.
Eu penso que seria melhor do que em uma Ferrari."
Pode não parecer, entretanto foram palavras duras.
Rosberg queria dizer que ele estava pronto para comandar o grande projeto
alemão na Fórmula 1.
E se a Mercedes não desse um bólido capaz de vencer, ele se mudaria para
a Ferrari.
Sua confiança estava nas alturas.
Afinal, ele havia passado na prova do heptacampeão.
Todos testemunharam aquilo.
A chegada de Lewis Hamilton e a permanência de Nico aconteceram por
duas razões.
A primeira foi evitar a dependência de uma estrela.
A segunda foi criar uma sombra para ambos os pilotos.
O resultado?
Hamilton (hoje) é a estrela, mas a Mercedes não é escrava de seus desejos.
Com firmeza, Toto Wolff controla seus cães de guerra.
E exige obediência absoluta.
Sob pena de abandoná-los.
Os negócios do austríaco no mundo do automobilismo impressionam.
Wolff é um dos sócios majoritários da Mercedes AMG F1 (30% de participação),
possui ações da Williams e é dono da HWA AG.
Pra quem não sabe, a HWA AG é a empresa que fabrica os carros de competição
para a Mercedes no DTM e FIA GT.
Tudo que envolve a Mercedes no esporte a motor passa pelo crivo dele.
Uma função parecida com a do seu antecessor, Norbert Haug.
Só que Toto tem muito mais poder.
Ele ainda constrói motores para a F3.
E também é proprietário da BRR, uma fabricante que fornece peças para os
carros de Rally.
Por fim, ele é parceiro de Mika Hakkinen num negócio de gestão de pilotos.
Sim.
É daí que vem sua ligação com Valtteri Bottas.
Olhando de forma rasteira, podemos dizer que Toto é o Flavio Briatore dos
nosso dias.
Force India e Williams se tornaram clientes fiéis.
Criar a Manor como uma filha, chega a emocionar.
Além da unidade de força, colocou um piloto de sua confiança, Pascal
Wehrlein, e ainda ajudará na aerodinâmica.
Não tem como dar errado!
A relação de boa vizinhança (respeitosa e elogiosa) com a Honda e de
parceria com a Renault (Esteban Ocon) mostram as sutileza de seus
lances no tabuleiro de xadrez da F1.
Wolff uniu as pontas soltas.
Pode sentar-se à mesa com praticamente qualquer força da Fórmula 1.
Lógico que existem exceções.
Red Bull e Bernie Ecclestone se debatem.
Mas as unidades de força são poderosas demais.
Elas não empurram apenas os bólidos
Conduzem as fabricantes para o topo da cadeia alimentar.
E quem não estiver associado a uma delas deverá ser engolido pela nova
ordem.
Um cenário que vai se formando e a cada dia se torna mais irreversível.
Um jogo para gigantes.
Com Toto Wolff sendo, talvez, o ator principal.
Genial.
Assim como fez sua fortuna.
Mais alguma coisa?
Sim
Preciso dizer que além de tudo o cara é piloto.
Já venceu até provas importantes em sua categoria, como as 24 horas de
Nurburgring em meados dos anos noventa.
Quando perguntado, Wolff costuma dizer que a esposa Susie tem muito
mais talento que ele ao volante.
Digo outra vez.
Genial, não?