quarta-feira, 8 de julho de 2015

Luigi Villoresi

























As imagens acima mostram pedaços da carreira de Luigi Villoresi.

Piloto que faz parte da linhagem histórica dos nobres da Fórmula 1.

Se dividíssemos por categoria, a foto desse italiano poderia ser colocada
facilmente ao lado de figuras como Mike Hawthorn e Alfonso de Portago.

Os nascidos em berço de ouro.

Não existia preocupações com o dinheiro.

Com apenas 22 anos ele já participava de corridas usando seus carros
particulares.

Seu maior companheiro era seu irmão: Emílio.

Estamos falando da louca década de 30.

Coppa Acerbo, Trípoli, Mille Miglia, Coppa Ciano...

A rica dupla de irmãos acelerou em todas.

Em 1938, veio a separação.

Emílio despertou o interesse de Enzo Ferrari.

Luigi seguiu para a Maserati.

Veio então a sombra da morte.

Numa demonstração em Monza, Emílio perdeu a vida.

Luigi (que já havia perdido os outros irmãos por doença, suicídio e acidente)
ficou transtornado.

Quis respostas sobre a causa do acidente.

O Commendatore foi seco.

"Ele comeu demais no almoço.

Deve ter tido uma indigestão enquanto pilotava."

Se deu o intervalo.

O hiato da Segunda Guerra Mundial cessou quase todas as corridas.

Ah, nada melhor que o tempo para curar feridas.

Cicatrizar.

Com a paz, Luigi Villoresi ressurgiu.

Dessa vez com um novo amigo e companheiro nas pistas.

Alberto Ascari.

1947, 1948...

A dupla da Scuderia Ambrosiana destruiu os adversários com seus Maseratis.

E se alternaram colecionando vitórias.

Estavam impossíveis.

Até no Brasil.

A prova é que em 1949 Villoresi venceu o Grande Prêmio do Rio de Janeiro.

No mesmo ano um jornalista se aproximou de Villoresi para lhe entregar um recado.

Enzo Ferrari queria tê-lo na sua Scuderia.

Carregado de sentimentos, Villoresi foi conversar com o Commendatore.

Havia muita carga.

Uma vida havia sido perdida.

Porém o passado acabou sendo resolvido.

E deixado para trás.

Depois da conversa, Villoresi deixou a Ferrari com um contrato.

E levou mais dois.

Um para Alberto Ascari e outro para Nino Farina.

A Era da Fórmula 1 não trouxe vitórias em corridas oficiais para Villoresi.

Sua carreira nos novos tempos foi pontuada por graves acidentes.

Mesmo assim ele conquistou alguns triunfos em provas extras.

Fora da maior categoria, Villoresi faturou a Mille Miglia e o Rally da Acrópole.

Esse último já no final de carreira.

Fica claro que esse italiano foi um dos grandes pilotos do seu tempo.

Penso que a guerra tenha lhe tirado seus melhores anos.

Talvez por isso as grandes vitórias na Fórmula 1 tenham ido para o jovem Ascari.

Villoresi viu seu amigo ser bicampeão mundial.

Viu também sua morte prematura.

Luigi morreu bem mais tarde.

Já com 88 anos.

Em Modena.

Mas a Maserati nunca esqueceu seus feitos.

E o cobriu de homenagens durante toda a sua vida.

Justas

E, sem dúvidas, mais do que merecidas.

4 comentários:

Ituano Voador disse...

Bela homenagem, Corradi! É sempre legal lembrar os grandes nomes que fizeram o automobilismo ter o prestígio que tem hoje.
Um detalhe interessante é que Gigi rompeu em definitivo com Enzo Ferrari em 1957, após a morte de Castellotti. Segundo consta, Castellotti foi intimado pelo Drake para testar um F1 em Modena, mesmo sabendo que ele estava em Florença com a namorada, Delia Scala. Eugenio saiu de madrugada e dirigiu por 3 horas até chegar ao autodromo, sentou no carro às 8h30 e na segunda volta bateu e morreu. E Villoresi descobriu que a ânsia em testar o carro era apenas resultado de uma aposta entre Enzo e Alfieri Maserati, para ver quem conseguia os melhores tempos (Jean Behra também estava testando no local, com a Maserati) - e o prêmnio da aposta era um almoço!
Pensando bem, o automobilismo daquela época tem histórias que poderiuam render muitos bons filmes...
Abs

Anônimo disse...

Uau, belo texto, Corradi...

E olha que Luigi Villoresi é apenas um dos grandes nomes dos 'Grand Prix' do pré-guerra.

Já imaginou se Tazio Nuvolari, Rudolf Caracciola, Jean-Pierre Wimille e tantos outros tivessem participado dos primeiros anos da F1?

Villoresi ainda disputou a temporada de 1954 pela 'Officine Alfieri Maserati', o time de fábrica da Maserati e pela Lancia. Em 1955, junto com os amigos Ascari e Castellotti migrou de vez para a Scuderia Lancia e seu fantástico D50.

Seu último GP no Mundial da FIA foi o da Itália de 1956, numa Maserati 250F da mesma 'Officine Alfieri Maserati'. O carro andou apenas 7 voltas e ele ainda dividiu a pilotagem com Jo Binnier...

A segunda foto do post parece ser de Villoresi numa Ferrari 375-F1, em Spa-Francorchamps, em 1951... GP da Bélgica.

A primeira foto parece de uma Maserati 4CLT/48... a pista parece Silverstone... seria o 'I British Grand Prix', em 2 de outubro de 1948, com vitória de Villoresi?


um abraço,
Renato Breder

Anônimo disse...

A Maserati usada por Villoresi na primeira corrida em Silverstone está no Museu do Automobilismo em Passo Fundo.

fernando disse...

legal, esse carro esteve uma vez exposto em Interlagos numa etapa do Paulista uns anos atrás; tinha a alavanca de câmbio entre as pernas do piloto…

como a foto de cima tem todo jeito de ser em Silverstone, talvez seja o mesmo chassi que está na coleção.