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quarta-feira, 22 de abril de 2020

Portago




A expressão Jet Set foi criada na década de 50 por um colunista americano
para denominar os ricaços que podiam viajar a bordo de um avião a jato.

Se você pertencesse a essa casta privilegiada da época, provavelmente teria
muitos nobres entre seus conhecidos.

Com certeza, Alfonso Antonio Vicente Eduardo Angel Blas Francisco de Borja
Cabeza de Vaca y Leighton seria um deles

O espanhol Alfonso de Portago (neto do rei Alfonso XIII), além de milionário,
possuía o título de Marquês.

Era também um aventureiro.

Chegou a ganhar uma aposta com seus amigos depois de passar com um avião
por debaixo de uma ponte.

Acredite!

Tinha apenas 17 anos.

Um bon vivant que passava pelas alfândegas dos aeroportos exibindo seu passaporte diplomático.

Sem bagagem.

Somente com uma escova de dentes no bolso...

Era atleta.

Participou da Olimpíada de inverno de 1956.

E gostava também das corridas de automóvel.

Da adrenalina da coisa.

Sabe essa história de pilotos que pagam pra correr na Fórmula 1?

Foi assim que Portago entrou na categoria.

Teve como companheiros Peter Collins e Juan Manuel Fangio ao ser acolhido
pela Ferrari em 1956.

Participou das últimas quatro etapas daquela temporada.

Chegou até a beliscar um segundo lugar em Silverstone.

O cara não aliviava.

Não tinha pena do equipamento.

A máquina sofria.

Era um destruidor de freios, embreagens e transmissões.

O rei do carro reserva.

Isso confunde os pesquisadores.

Tipo eu.

Pois nas fotos aparece na mesma corrida com dois números diferentes.

Sua morte em 1957 foi um divisor de águas.

Durante a tradicional Mille Miglia daquele ano, Portago participou defendendo
a Scuderia do Commendatore.

Numa das passagens pelo box, Alfonso desceu do carro, foi até a cerca e beijou
sua namorada Linda Christian.

Ao retornar, ouviu da boca do próprio Enzo a ordem que seus carros deveriam
manter as posições.

Mas Alfonso sonhava em se tornar piloto titular da equipe.

E não obedeceu ao comando.

Resolveu arriscar para ganhar tempo.

Como fazem os jovens.

Para surpresa de todos, não trocou os pneus.

O dianteiro esquerdo explodiu faltando quatro quilômetros para a chegada.

Seu destino estava selado.

Ele, seu co-piloto e mais dez espectadores morreram.

Cinco eram crianças.

Terror.

O corpo do piloto marquês foi encontrado dividido ao meio embaixo da Ferrari.

Foi a última Mille Miglia.

O acidente fez o governo italiano proibir qualquer corrida em estrada.

Portago colocou fim em sua vida.

E uma pedra sobre toda uma Era do Automobilismo.

terça-feira, 11 de setembro de 2018

Luigi Villoresi



























As imagens acima mostram pedaços da carreira de Luigi Villoresi.

Piloto que faz parte da linhagem histórica dos nobres da Fórmula 1.

Se dividíssemos por categoria, a foto desse italiano poderia ser colocada
facilmente ao lado de figuras como Mike Hawthorn e Alfonso de Portago.

Os nascidos em berço de ouro.

Não existia preocupações com o dinheiro.

Com apenas 22 anos ele já participava de corridas usando seus carros
particulares.

Seu maior companheiro era seu irmão: Emílio.

Estamos falando da louca década de 30.

Coppa Acerbo, Trípoli, Mille Miglia, Coppa Ciano...

A rica dupla de irmãos acelerou em todas.

Em 1938, veio a separação.

Emílio despertou o interesse de Enzo Ferrari.

Luigi seguiu para a Maserati.

Veio então a sombra da morte.

Numa demonstração em Monza, Emílio perdeu a vida.

Luigi (que já havia perdido os outros irmãos por doença, suicídio e acidente)
ficou transtornado.

Quis respostas sobre a causa do acidente.

O Commendatore foi seco.

"Ele comeu demais no almoço.

Deve ter tido uma indigestão enquanto pilotava."

Se deu o intervalo.

O hiato da Segunda Guerra Mundial cessou quase todas as corridas.

Ah, nada melhor que o tempo para curar feridas.

Cicatrizar.

Com a paz, Luigi Villoresi ressurgiu.

Dessa vez com um novo amigo e companheiro nas pistas.

Alberto Ascari.

1947, 1948...

A dupla da Scuderia Ambrosiana destruiu os adversários com seus Maseratis.

E se alternaram colecionando vitórias.

Estavam impossíveis.

Até no Brasil.

A prova é que em 1949 Villoresi venceu o Grande Prêmio do Rio de Janeiro.

No mesmo ano um jornalista se aproximou de Villoresi para lhe entregar um recado.

Enzo Ferrari queria tê-lo na sua Scuderia.

Carregado de sentimentos, Villoresi foi conversar com o Commendatore.

Havia muita carga.

Uma vida havia sido perdida.

Porém o passado acabou sendo resolvido.

E deixado para trás.

Depois da conversa, Villoresi deixou a Ferrari com um contrato.

E levou mais dois.

Um para Alberto Ascari e outro para Nino Farina.

A Era da Fórmula 1 não trouxe vitórias em corridas oficiais para Villoresi.

Sua carreira nos novos tempos foi pontuada por graves acidentes.

Mesmo assim ele conquistou alguns triunfos em provas extras.

Fora da maior categoria, Villoresi faturou a Mille Miglia e o Rally da Acrópole.

Esse último já no final de carreira.

Fica claro que esse italiano foi um dos grandes pilotos do seu tempo.

Penso que a guerra tenha lhe tirado seus melhores anos.

Talvez por isso as grandes vitórias na Fórmula 1 tenham ido para o jovem Ascari.

Villoresi viu seu amigo ser bicampeão mundial.

Viu também sua morte prematura.

Luigi morreu bem mais tarde.

Já com 88 anos.

Em Modena.

Mas a Maserati nunca esqueceu seus feitos.

E o cobriu de homenagens durante toda a sua vida.

Justas

E, sem dúvidas, mais do que merecidas.

segunda-feira, 6 de março de 2017

Piero Taruffi























Piero Taruffi era Romano.

A maioria dos que nasceram na antiga capital do mundo gostam de ser reconhecidos
assim.

A família não sofria com problemas financeiros.

Por isso o jovem conseguiu estudar em ótimas escolas.

Sempre se destacou como atleta no meio de seus amigos.

Entre outras coisas, dizem, era um ótimo tenista.

Quando estava cursando o doutorado em engenharia industrial descobriu
as pistas de corrida.

Primeiro sobre duas rodas.

Na louca década de 20.

Se tornou campeão nacional das 500cc.

Com apenas 22 anos de idade.

Nessa época já estava envolvido em algumas disputas de automóveis também.

Na década seguinte se dedicou a quebrar recordes de velocidade.

Usando inclusive seus conhecimentos para construir seus próprios bólidos.

É sempre importante estudar.

Quando dirigiu pela Bugatti, na lendária Mille Miglia, logo despertou o interesse
de Enzo Ferrari.

O fundador tinha bons olhos para escolher seus cordeiros.

Assim Piero pilotou por um tempo pela Scuderia Italiana.

Taruffi continuava a dividir seu tempo entre carros e motos.

E ainda achava brechas para competir em campeonatos de esqui.

De verdade.

Falo de Olimpíadas.

O Commendatore não suportava essa divisão.

A dedicação deveria ser exclusiva.

Sempre.

Por isso o piloto acabou se mudando para a Maserati.

Nesse período ele obteve vários resultados expressivos em provas conhecidas.

24 horas de Spa-Francorchamps, Coppa Ascoli, Coppa Acerbo...

Após a Segunda Guerra Mundial, Taruffi voltou a atividade na Fórmula 2 italiana.

Vieram as pazes.

Graças a suas seguidas vitórias recebeu novamente o convite da Ferrari.

No entanto sua estréia na Fórmula 1 se deu a bordo de uma Alfa-Romeo em 1950.

Já no ano seguinte, aí sim na equipe Maranello, ele teve a oportunidade de participar
praticamente de toda a temporada.

O Silver Fox (apelidado assim devido ao seus cabelos grisalhos) terminou em 6° na
classificação final.

Em 1952 aconteceu sua única vitória na categoria.

Justamente no GP da Suíça.

Que abria o campeonato daquele ano.

Apesar do excelente começo, terminou a temporada na terceira posição.

Ao todo foram 18 participações na categoria máxima do automobilismo.

Fora da Fórmula 1 o piloto romano continuou a faturar muitas vitórias significativas.

Volta da Sicília, Targa Florio e a Mille Miglia, a última no formato de competição.

De 1957.

A fatídica prova onde ocorreu o acidente de Alfonso de Portago.

Clique aqui.

O acontecimento destruiu Taruffi por dentro.

Tanto que prometeu a esposa que nunca mais iria correr novamente.

Ali morreu o piloto.

O homem se foi muito tempo depois, em 1988, com 82 anos.

Não devia ser fácil ver seus companheiros perderem a vida.

Talvez por isso Taruffi sempre esteve a frente de seu tempo quando nem se
falava em segurança.

Ele foi um dos pioneiros no uso de cintos e de capacetes rígidos.

Com essa preocupação conseguiu chegar até a velhice e acompanhou toda a
evolução do automobilismo.

E viu como a coisa se tornou um negócio gigantesco nas mãos de um ex-piloto
que brigou com ele por posições nas pistas da Inglaterra.

Sem o mesmo talento que Taruffi, é preciso dizer.

Mas que no final acabou sendo o grande vencedor desse jogo.

Um tal de Bernie Ecclestone.

domingo, 26 de julho de 2015

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Ascari























Uma lenda para o automobilismo italiano.

Antonio Ascari foi companheiro de equipe de Enzo Ferrari na Alfa Romeo durante
os anos 20.

Juntos correram na lendária Targa Florio.

Ascari era seu amigo.

E foi ouvindo seus conselhos que o jovem Enzo começou a ter sucesso nos negócios.

A semente que montaria o império que todos nós conhecemos.

Uma pena que Ascari não tenha visto nada disso.

Mas o favor não foi esquecido.

Nem o amigo.

Antonio era um ótimo piloto.

Obteve vitórias em Monza e na corrida inaugural do circuito belga de Spa-Francorchamps.

Porém em 1925 perderia a vida num acidente no circuito francês de Montlhery, já bem
conhecido do pessoal que visita o Blog.

Antonio tinha 36 anos.

Quinze anos depois seu filho Alberto Ascari vai para Mille Miglia a bordo de um carro
construído pelo ex-companheiro de equipe e amigo de seu pai.

Em 1953 Alberto já era bicampeão mundial de Fórmula 1.

Pela Ferrari.

Um piloto tão surpreendente que trazia dúvidas aos seu pares na pergunta de quem
era o melhor.

Ele ou Fangio?

No entanto apenas dois anos depois o destino lhe pregaria uma peça.

Mas não sem aviso.

Tudo aconteceu após ter sobrevivido ao espetacular acidente em Mônaco em que
seu carro mergulhou no Mar Mediterrâneo .

Era a temporada de 1955.

Ele foi até Monza ajudar seu jovem colega Castellotti a regular a Ferrari para a
prova dos 1000 km daquele ano.

Ascari nem levou seu capacete.

Foi de terno e gravata.

Não pensava em pilotar.

Porém ele não resistiu.

Arrumou um capacete emprestado e partiu para a pista.

Duas vezes ele passou pelo box com sua gravata dançando com vento.

E foi só.

Alberto tinha 36 anos.

A mesma idade de seu pai quando perdeu a vida 30 anos antes.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Stirling Moss
























A imagem mostra o inglês, quatro vezes vice-campeão de Fórmula 1, Stirling Moss. Na foto,
de 1949,  Moss aparece pilotando um Cooper na F3 britânica nos primeiros anos da sua carreira.
Apesar de nunca ter sido campeão, ele possui no seu currículo 16 vitórias na categoria, além da
histórica conquista da Mille Miglia ( mais aqui ) de 1955.

Link corrigido

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Siciliana























A Targa Florio foi durante muitos anos a corrida mais antiga a fazer parte do
calendário da FIA.

Criada em 1906, seu percurso era feito através das montanhas da Sicília.

Na década de vinte já era o evento a motor mais importante da Europa.

Suas maiores concorrentes, as 24 horas de Le Mans e a Mille Miglia, não
existiam ainda na época.

Sempre foi uma prova de muito prestígio.

Basta ver as marcas que participavam.

Peugeot, Mercedes, Bugatti, Porsche, Alfa Romeo e Ferrari exibem com orgulho
suas vitórias na histórica prova.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Freccia Rossa












































Bom dia.

Começamos o dia com uma briga. Em 1922, os organizadores do GP da Itália deram a prioridade de corridas a Monza. Então alguns nobres da cidade de Brescia, magoados, resolveram dar uma resposta. Surgiu a idéia de oficializar seu hobby: apostar corrida com os trens que iam de Brescia a Milão.

Nascia assim a Mille Miglia. Com trajeto de 1600 km que era feito ligando Brescia a Roma (ida e volta), passando por diversas cidades italianas. Considerada por Enzo Ferrari "a corrida mais bela do mundo",
teve seu traçado alterado inúmeras vezes na sua história. Grandes marcas como Ferrari, Alfa Romeo e Mercedes sempre participaram e entre os vencedores da prova, podemos citar Tazio Nuvolari, Alberto
Ascari e Stirling Moss.

Mas, em 1957, um acidente com 12 vítimas fez o governo italiano proibir qualquer tipo de corrida em estradas. Em 1977 criou-se o festival Mille Miglia Storica, um evento comemorativo anual no qual só participam automóveis fabricados entre 1927 e 1957. Um resgate à memória da corrida.

A fotos mostram a equipe BMW, em 1940, se preparando para a corrida e um tipo de navegador usado
em 1955 para ajudar os pilotos.