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terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Pequenas Passagens























Zandvoort, 1960.

Quarta etapa daquela temporada da Fórmula 1.

Campeonato que foi vencido por Jack Brabham.

A foto acima é do inglês Lance Reventlow.

Foi abreviado.

São seis palavras que formam seu nome todo.

Assim como seis são o número de casamentos da sua mãe, a socialite Barbara
Hutton, uma milionária de sua época.

Seu progenitor fazia parte da nobreza européia, por isso Lance herdou o título.

Conde.

Seus pais viveram um casamento conturbado e em poucos anos se separaram.

Logo o jovem conde teria como padrasto o ator Cary Grant que o arrastou
para Los Angeles.

Hollywood.

O glamour do cinema.

Não durou muito.

Rapidamente sua mãe arrumou um novo amor: o príncipe Igor Troubetzkoy.

Foi neste momento que Lance, ainda adolescente, descobriu o automobilismo.

A razão foi simples.

O tal príncipe havia vencido nada mais nada menos que a edição da Targa Florio
de 1948 a bordo de uma Ferrari.

Foi a fome com a vontade de comer.

O garoto (rico) cresceu apaixonado pela velocidade.

Tanto que por conta disso se envolveu de vez no mundo das quatro rodas
construindo sua própria equipe a Scarab.

A equipe teve um início promissor, mas tentou um passo maior que a perna
ao correr na Fórmula 1.

Apesar de seu fracasso em sua aventura na Europa, o conde não se abateu
e passou então a se concentrar nos modelos esportivos na América.

Assim participou e ganhou diversas corridas nos Estados Unidos no final
dos anos 50 e início dos 60.

Nada mau.

Entre seus amigos e incentivadores estava o ator James Dean, um outro
apaixonado pela velocidade.

Dentre as pessoas que trabalharam com Lance estão pilotos como Carroll 
Shelby, que chegou a ter pelo menos uma vitória a bordo de um Scarab, e
AJ Foyt.

Como tinha muito dinheiro, Reventlow nunca precisou fazer carros para
venda.

Por esse motivo existem poucos Scarabs.

Apenas aqueles que foram utilizados em corridas.

São verdadeiras raridades.

Aos 36 anos, num acidente de avião, o Conde Lance Reventlow perdeu
sua vida nas montanhas do Colorado, próximo a Aspen.

Porém 10 anos antes, em 1962, ele já havia se desligado dos autódromos.

Essa brincadeira foi deixada de lado pelo garoto rico.

Nesse instante toda a equipe técnica e suas instalações foram assumidas por
Shelby.

Ninguém melhor.

Assim Carroll Shelby começou a criar ali seus lendários Cobras e Mustangs.

Roteiro de filme.

terça-feira, 16 de julho de 2024

Pequenas Passagens





























O piloto Ukyo Katayama não teve uma performance lendária em
sua passagem pela Fórmula 1.

Ao todo foram sete temporadas na categoria máxima do automobilismo.

Estreou em 1992 com uma Larrousse que era empurrada por um
motor Lamborghini V12.

Passou quatro temporadas na Tyrrell que tinha seu poder gerado
por uma unidade Yamaha V10.

E fechou sua participação em 1997 pilotando pela Minardi.

Seguindo o mesmo caminho de Satoru Nakajima e Aguri Suzuki,
Katayama também foi um grande pay driver em sua época.

Através de sua marca Mild Seven, a gigante Japan Tobacco 
(empresa que por muito tempo só ouviu conselhos de Briatore)
apoiou quase toda a aventura de Katayama.

Aventura que foi sofrida em seus últimos anos na F1 já que o piloto
de Tóquio precisou lutar contra um câncer.

Coisa que manteve em segredo para que ninguém tivesse pena
de sua dificuldade nas pistas.

Estamos no final de semana do GP da França.

1993.

Os jornalistas pedem para que alguns pilotos contem situações
engraçadas e brincadeiras dentro das equipes.

Risos garantidos.

Katayma, com seu inglês limitado, entendeu que deveria contar uma
piada.

E começou.

"Havia uma Cobra e um Elefante.

E eles se cruzaram no único caminho da selva."

Os outros pilotos arregalaram os olhos pois sabiam onde isso iria
terminar...

Katayama continuou.

"Os dois animais pararam.

Pois nenhum deles parecia querer dar passagem para o outro.

Assim o Elefante disse para a Cobra:

- Você sabe quem eu sou?

A Serpente respondeu:

- Sim, eu sei.

Você possui grandes orelhas, uma tromba e grandes dentes.

Você é um Elefante!

Aí a Cobra perguntou:

- E você sabe quem eu sou?

O Elefante retrucou:

- Claro!

Você tem uma pele estranha e escamosa.

Não tem cabelos e nem orelhas.

Você é o Niki Lauda!"

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2023

Pequenas Passagens






























Sentado.

Heikki Kovalainen começou a despertar real interesse em sua carreira após
eu título na antiga World Series by Nissan em 2004.

Categoria que seria renomeada World Series by Renault algum tempo depois.

Kovalainen venceu adversários como Tiago Monteiro, Enrique Bernoldi, Narain
Karthikeyan, Karun Chandhok e Rodrigo Sperafico.

O salto para a GP2 foi natural.

Em 2005 ele foi muito bem no degrau anterior para Fórmula 1.

 (apesar de ser seu ano de estreia, assim como o de Nelsinho Piquet)

O vice-campeonato não foi pouca coisa.

(o título ficou com Nico Rosberg)

Com essas credenciais, o jovem piloto finlandês desembarcou na categoria
máxima do automobilismo.

Em 2006 ele assumiu o posto de piloto de testes número 1 da Renault.

Quando se podia testar.

Assim ele acumulou mais 28.000 km experimentando para o time francês.

Com a ida de Fernando Alonso para a McLaren em 2007, Flavio Briatore
lhe concedeu a titularidade.

Entretanto as divergências dentro da escuderia de Ron Dennis levariam Ferdi
de volta para os braços de seu mentor no ano seguinte.

Com o acordo feito por Briatore com o Piquet, Kovalainen precisou procurar
um novo cockpit para 2008.

A Toyota queria Heikki.

Só que a McLaren precisava preencher o vazio ao lado de Lewis Hamilton.

Assim a tradicional casa de Woking levou a melhor sobre os japoneses.

Última etapa do ano.

Interlagos, Brasil.

Muitos especialistas creditaram a sorte o título obtido na curva final.

E houve uma enxurrada de críticas para a estratégia adotada pela McLaren.

Entretanto foi justamente uma ordem da equipe que permitiu que Hamilton se
sagrasse campeão.

No meio da prova, Kovalainen foi instruído a diminuir o ritmo para que dessa
forma segurasse os adversários.

O objetivo era que Lewis abrisse o máximo de vantagem.

Só que naquele momento, atrás do finlandês, estava Timo Glock.

O alemão que arriscaria tudo um tempo depois ao não colocar os pneus de
chuva, ao contrário de todos os outros pilotos.

O tempo perdido por Glock atrás de Kovalainen foi crucial para que Hamilton
pudesse ultrapassá-lo pouco antes da linha de chegada.

Ou nas palavras do finlandês.

"Me falaram para apoiar Lewis o quanto eu pudesse para o título.

E o fato dele ter passado Timo no final mostra que eu tive um papel nisso!"

Na imagem abaixo.

2007.

(um ano antes dos acontecimentos)

Ainda na Renault, Kovalainen observa Hamilton em Interlagos...






sexta-feira, 15 de julho de 2022

Pequenas Passagens


























Fórmula 3.

1990.

Na foto acima aparecem Mika Hakkinen em primeiro plano, com o carro número 2,
sendo seguido de perto por ninguém menos que Michael Schumacher.

Grande Prêmio de Macau.

Entretanto na última volta da prova as posições estavam invertidas.

O finlandês perseguia de forma implacável o alemão.

Quando chegaram na reta principal, o finlandês ficou na sombra do alemão.

Parecia que Hakkinen iria fazer a ultrapassagem.

OK.

No vídeo abaixo você poderá ver o final da história.

Sim.

O escorpião não perde sua natureza.


quinta-feira, 5 de maio de 2022

Pequenas Passagens






























Sim.

É ele mesmo com o número 15.

No final da década de 70 Ayrton Senna brilhava no Kart brasileiro.

Uberlândia. 

Minas Gerais.

Na primeira bateria, o futuro tricampeão de Fórmula 1 venceu todos os seus
oponentes com facilidade.

Passeio.

Seu sucesso já incomodava.

A ponto de alguns boicotarem corridas para desmerecerem suas conquistas.

Já na segunda bateria a coisa começou mal.

Ele não largou bem e perdeu a liderança para um piloto local.

Nome?

Ronaldo, Ricardo ou algo parecido.

Entretanto a situação não durou muito.

O tal sujeito que assumiu a ponta se embolou e rodou.

Senna aproveitou a oportunidade e partiu para a vitória.

A torcida ficou irada.

Todos queriam ver a vitória de seu conterrâneo.

(até os fiscais de pista!)

O ódio cresceu.

E um expectador mais exaltado não se conteve e atirou uma garrafa de plástico
cheia d'água que por pouco não atingiu o capacete de Ayrton.

Ou como a imprensa escrevia na época, Airton Sena da Silva...

quinta-feira, 28 de abril de 2022

Pequenas Passagens

























Ele não era italiano, claro.

Mas nasceu num lar de sicilianos.

Por isso Alesi sonhava com a Ferrari desde a sua infância.

Corta.

1990.

O francês arregalou os olhos da Fórmula 1 após uma performance memorável
contra Ayrton Senna em Phoenix.

O piloto da Tyrrell havia se tornado uma surpresa desejada por outras escuderias.

Um acordo com a Williams foi feito para a temporada seguinte.

Mas a notícia de Mansell abandonando a categoria fez tudo mudar.

A Scuderia precisava de Alesi.

O piloto ficou aos pés de Frank Williams.

Implorou por liberdade para que ele pudesse realizar o desejo de sua vida.

Frank se comoveu e rasgou o contrato.

Um coração de ouro...

Porém no ato impôs duas condições.

Pequenas.

A primeira envolvia dinheiro.

Williams exigiu que os italianos pagassem 4 milhões de dólares de indenização.

Valores da época.

A segunda foi inusitada.

O dirigente inglês pediu um Fórmula 1 original da Ferrari.

O que aconteceu?

Alesi realizou seu sonho.

Frank ficou um pouco mais rico.

(e resolveu o problema da vaga assinando com Mansell)

Claro.

Tempos depois, em 1993, uma caixa misteriosa e enorme proveniente de
Maranello chegou a Didcot, antiga sede da Williams.

Dentro estava o modelo Ferrari 641 usado na temporada de 1990.

O bólido ficou por dez anos no museu particular da Williams.

Até ser vendido.

Sua localização atual é desconhecida.


quinta-feira, 9 de dezembro de 2021

Pequenas Passagens


















Testes

Jose Carlos Pace experimentando o motor Alfa Romeo na Brabham.

Paul Ricard.

O que disse o piloto brasileiro?

"A máquina é doce!"

No entanto todos só tinham olhos para o bólido que a Tyrrell havia levado
para a França.

(com seis rodas...)

Todos, menos um.

Emerson Fittipaldi parece ter ficado interessado mesmo no coração do
carro de seu compatriota.


segunda-feira, 16 de novembro de 2020

Pequenas Passagens














































Quando a Philip Morris se cansou das desventuras da BRM, ela procurou uma
outra casa dentro da Fórmula 1.

A poderosa fabricante de cigarros ficou diante de duas opções.

McLaren e Brabham.

A condição para receber tamanha fortuna era que a escuderia escolhida deveria
incluir entre seus pilotos ninguém menos que Emerson Fittipaldi.

Nada mal para um brasileiro que anos antes havia desembarcado em Harthrow
numa aventura improvável.

Vale dizer que Bernie Ecclestone, dono da Brabham, tentou de tudo para convencer
a gigante do tabaco.

Em vão.

Interessante é notar o prestígio do piloto campeão.

Por isso nunca devemos subestimar a capacidade de sobrevivência de um campeão
como Raikkonen no mundo da F1.

A história ensina.

quarta-feira, 15 de abril de 2020

Pequenas Passagens
























Interessante como os pilotos precisam tomar importantes decisões tão cedo
em suas carreiras.

Escolhas que podem definir se terão sucesso ou não nas pistas.

Lewis Hamilton teve que passar por isso pouco mais de uma década atrás.

2005.

Um ano antes (2004) Frank Williams já havia tentado trazer o jovem talento
para a Fórmula 1.

Uma joia.

Novo, inglês e ainda seria o primeiro piloto negro da categoria.

História, mídia e talento num pacote só.

Entretanto Williams falhou ao tentar convencer a BMW em bancar a aposta.

Apesar disso os alemães grifaram o nome do menino e passaram a acompanhar
mais atentamente seus passos.

Quando Lewis venceu o Europeu de Fórmula 3, ninguém tinha mais dúvidas
que havia um belo futuro ali.

A BMW, que no ano seguinte (2006) assumiria a Sauber, então finalmente
fez sua proposta.

O convite era pra que Hamilton se tornasse piloto de testes da nova escuderia.

Lewis recusou a parceria.

(que acabaria nas mãos de Robert Kubica)

Pouco tempo depois ele e seu pai firmaram um acordo com a McLaren.

Acordo que previa um lugar de titular na categoria máxima do automobilismo
em 2007.

Importante lembrar que na mesma época do contrato do piloto inglês, Ron Dennis
havia conseguido fechar com Fernando Alonso também para 2007!

Contando ainda com Kimi Raikkonen e Juan Pablo Montoya, a McLaren se viu
com um problema.

Quem sairia para dar lugar a Hamilton?

A solução foi elaborar um plano B.

Ron Dennis começou a trabalhar para trazer uma nova equipe para a Fórmula 1.

A Direxiv da GP2.

Assim as obrigações contratuais da McLaren com Hamilton seriam cumpridas.

A coisa foi evoluindo e a ideia era ter Pedro de La Rosa ou Gary Paffett como um
dos companheiros do novato.

Mas a perda do principal patrocinador da Direxiv (a japonesa Akiyama) colocou
um fim no projeto.

Flavio Briatore (Renault e maior conselheiro de Alonso) foi procurado.

Mas não se moveu a respeito do caso.

Sabendo que Ron Dennis procurava um encaixe para Lewis, o paddock se
agitou.

A Spyker tentou vender um cockpit por uma fábula de dinheiro e ouviu
um não.

A turma dos energéticos também encostou e ofereceu uma saída.

Um contrato de três temporadas: um ano na Toro Rosso e dois na Red Bull.

Com a possibilidade da McLaren resgatar Hamilton para suas fileiras a qualquer
momento durante a vigência do acordo.

Ron Dennis não respondeu.

E esperou.

(o big boss da McLaren muitas vezes me parece ter dificuldade com mudanças)

E o tempo solucionou tudo.

As coisas acabaram se resolvendo com a ida de Raikkonen para a Ferrari e a
(previsível) saída de Montoya para a Nascar.

Assim, finalmente, o dream team estava formado o pronto para grandes realizações
em 2007...



















sábado, 28 de março de 2020

Pequenas Passagens























"Felipe é um grande amigo..."

Palavras de Mattia Binotto.

Continua.

"Compartilhamos belos momentos desde sua época como piloto de testes."

Por fim, um lamento.

"Eu sempre vou lhe dever desculpas pela quebra do seu motor na Hungria
em 2008..."

terça-feira, 10 de março de 2020

Pequenas Passagens
























Monza.

1987.

Coletiva de imprensa para apresentação do time da McLaren.

Ron Dennis poderia ter resumido bem o discurso.

Poucas palavras bastariam.

Talvez algo assim:

"Reunimos vocês aqui para avisar que nós venceremos tudo nos próximos anos.

Obrigado."

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020

Pequenas Passagens































 Imagens dos pilotos finlandeses contemporâneos Mika Hakkinen e Mika Salo.

A Ferrari sempre buscou os vencedores para compor seu time de pilotos.

Principalmente após a Era Schumacher.

A exceção foi Felipe Massa.

Mais por conta do sobrenome Todt de seu empresário do que pelos méritos do
brasileiro.

Porém ainda quando Michael reinava absoluto houve duas tentativas de se montar
uma linha de primeira na Scuderia Italiana.

Na primeira, Luca di Montezemolo abriu tratativas com Mika Hakkinen para que
ele deixasse a McLaren e dividisse Maranello com o Barão Vermelho.

Mas a oposição a ideia era forte na casa italiana.

Jean Todt e Schumacher vetaram terminantemente a possibilidade de se ter "dois
galos de briga" no mesmo ambiente.

(os mitos vão caindo, não?)

Interessante que Mika Salo chegou lá.

Por vias tortuosas e por pouco tempo, claro.

Na segunda vez (curiosamente), Montezemolo buscou novamente um piloto finlandês
para ocupar o segundo cockpit ao lado de Michael Schumacher.

Dois galos de briga...

O veto se repetiu.

Dessa vez com um ultimato do alemão.

"Ou ele ou eu!"

(apesar de o próprio Michael ter induzido Montezemolo ao dizer que Kimi era melhor
que Fernando Alonso para ser seu sucessor)

Luca não hesitou.

Assim Raikkonen assumiu o volante do carro vermelho.

E Michael se despediu.














quinta-feira, 14 de novembro de 2019

Pequenas Passagens























Certas coisas são difíceis de esquecer.

Ainda mais se as mesmas alteram toda uma vida.

Interlagos.

2008.

A última etapa daquela temporada segue sendo uma ferida aberta.

Para a torcida brasileira.

Para a torcida italiana.

Para a Ferrari.

E, principalmente, para Felipe Massa.

Um título que poderia ter mudado a carreira do piloto brasileiro.

Porque pertencer a galeria dos nobres faz toda a diferença.

Massa ao relembrar aquele ano tem mais mágoa por Singapura e o
escândalo do muro do que qualquer outra coisa.

Mas a corrida no Brasil teve requintes de crueldade.

E sempre traz dúvidas sobre a última volta.

Massa cruzou a linha de chegada como campeão.

Lewis Hamilton precisava de forma desesperada ganhar uma posição
para mudar a história.

Aparece então o personagem de Timo Glock.

O alemão abre sua derradeira volta se arrastando na pista.

Fez um giro horroroso.

Olhando a câmera on board nos passa a impressão de estar passeando.

Ele conseguiu ser cerca de vinte segundos pior do que em sua volta
anterior.

Vinte!

Por consequência disso foi ultrapassado por Sebastian Vettel, Hamilton
e mais três retardatários.

Dessa maneira Lewis alcançou seu primeiro título.

Deixando Massa com um amargo segundo lugar.

As dúvidas.

Apesar da situação (asfalto molhado, pneu desgastado), o giro de Glock
não poderia ter sido melhor?

Houve desinteresse por parte do alemão da Toyota?

Perder tanto tempo em relação a volta anterior não levantaria uma suspeita
válida?

Perguntas.

Entretanto temos um dado crucial e extremamente relevante.

Quando comparamos o desempenho de Glock com seu companheiro Jarno
Trulli.

Já que ambos estavam em condições praticamente iguais.

E surge a surpresa.

Ao olharmos o tempo de Trulli na volta final todas as questões são respondidas.

As pessoas acham a verdade bonita, mas ninguém gosta muito dela.

Os tempos dos dois pilotos da Toyota não são parecidos.

São idênticos.

Até mesmo nos milésimos!

E, como sabemos, os números contam sempre a verdade.

sexta-feira, 26 de maio de 2017

Pequenas Passagens






























A pista de Mônaco é singular.

Obter uma vitória ali é uma conquista que marca a vida de qualquer piloto.

Mítica.

Junto com as 500 Milhas de Indianápolis e as 24 Horas de Le Mans, é o
que há de mais nobre no automobilismo.

Certa vez José Carlos Pace reclamou da sua dificuldade de se entender
com o circuito num dia de chuva.

1972.

"É como guiar um carro de passeio em dia de temporal, sem limpador
de pára-brisa e com o vidro embaçado."

Tenso.

"Caía tanta água que eu não via nada."

Para completar o carro do brasileiro ainda apresentava problemas.

A dificuldade era em um setor específico.

"Por três vezes seguidas, quando eu ia virar o carro não obedecia.

Eu tinha que parar, dar marcha à ré, e voltar à pista."

Irritante.

"Todo mundo devia estar pensando:

Lá vem aquele louco que não gosta de fazer a curva..."




sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Pequenas Passagens





Nas imagens acima aparece o inglês Alan Stacey.

Sua estréia na Fórmula 1 se deu na temporada de 1958.

Em Silverstone.

Era considerado um piloto seguro e competente.

Conservador.

Não era pouca coisa.

Já que Stacey possuía certas desvantagens em relação aos seus pares.

Acredite.

Uma de suas pernas era mecânica.

Para passar nos exames físicos exigidos em Le Mans ele contou com ajuda.

Os outros pilotos fizeram um teatro para distrair e ludibriar os médicos.

Uma verdadeira loucura!

Porém sua morte nada teve a ver com sua deficiência.

Aquele final de semana na Bélgica já dava sinais que tudo daria errado.

Spa-Francorchamps.

1960.

Stirling Moss já havia sofrido um terrível acidente nos treinos.

Logo depois foi a vez de Mike Taylor.

O outro piloto da Lotus estava apenas indo até o local do sinistro ver como
estava seu companheiro.

A barra de direção de seu carro quebrou.

Taylor nunca mais andou na Fórmula 1.

No outro dia, durante a corrida, foi a vez de Chris Bristow.

Foi quando duelava por posição com o imprevisível Willy Mairesse.

Bristow perdeu o controle do carro na mesma curva onde Moss havia se
acidentado um dia antes.

A Burnenville.

A tragédia não paralisou a prova.

A pista belga queria mais sangue.

Chegou então a vez de Alan Stacey.

Quando se aproximou do mesmo local ele perdeu o controle.

Algumas pessoas que assistiam a prova notaram que um pássaro havia 
atingido seu rosto.

Provavelmente quebrou seu pescoço.

Uma fatalidade.

Agora, imagine.

Se com toda tecnologia atual dos capacetes, mesmo assim, Felipe Massa
apagou quando a mola solta do carro de Barrichello o atingiu.

Você acredita que houve alguma chance para o pobre Stacey 50 anos atrás?

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Pequenas Passagens



























O inglês Vic Elford defendendo a Porsche durante a Targa Florio de 1971.

Um modelo de superação.

Um sobrevivente.

Uma amostra de como o automobilismo não é feito para os fracos.

Ele mesmo conta.

Um exemplo das dificuldades que passou no princípio da carreira.

1967.

Circuito de Snetterton.

Elford a bordo do 911 enfrentava Graham Hill e seu Lotus Cortina.

Hill o perseguia.

Parecia que não queria ultrapassar.

Brincava.

Atormentava.

Esmagava os nervos de Elford a cada volta.

"Olhava no retrovisor e via o sorriso sarcástico dele.

Seu bigode enchia todo o espelho.

Era como se ele estivesse no banco de trás do meu carro."

Um lobo e um menino.

Quem poderia suportar aquela pressão?

Nem é preciso dizer que Hill conseguiu atingir seu objetivo.

Foi uma lição.

Ao final, Elford setenciou.

"Não sabia, mas a velha raposa me mostrou que eu ainda era um novato."


sábado, 13 de agosto de 2016

Pequenas Passagens































David Beckham.

Em 2009, Bernie Ecclestone declarou que a Fórmula 1 precisava de um astro
como o jogador de Futebol inglês.

O visionário líder considerava Fernando Alonso e Kimi Raikkonen campeões
sem carisma.

Ou apelo midiático.

Até brincou sobre o aparecimento de uma mulher na categoria máxima do
automobilismo.

"Se fosse negra e judia, seria o ideal."

Tudo pelos holofotes.

Mas nada que não pudesse ser providenciado.

Corte para 2012.

Ainda a Era Vettel.

Meados daquela temporada.

Lewis Hamilton procurou Ecclestone.

Pediu que o dirigente interviesse ao seu favor na busca por uma vaga na Red Bull.

Bernie conhecia o futuro.

Logo viu a oportunidade de realizar seu desejo expressado três anos antes.

E direcionou o piloto inglês para a Mercedes.

"Disse aos responsáveis da Mercedes que contratassem o Lewis."

Assim a Fórmula 1 ganhou uma estrela para promover o esporte.

Ninguém está desmerecendo o talento.

Somente para mostrar como os caminhos são traçados.

E que nada é deixado ao acaso.

Ah, sim.

Só mais uma coisa.

Preciso dizer que Bernie já se cansou do domínio da Mercedes...











terça-feira, 19 de abril de 2016

Pequenas Passagens
























A Sauber está lutando outra vez para sobreviver.

Mais uma temporada e o time de Hinwil busca alternativas para resolver seus
problemas financeiros.

Participações no time estão sendo oferecidas no mercado.

O controle (Peter Sauber 2/3 e Monisha Kalterborn 1/3) da escuderia poderá
ganhar mais um nome.

Pelas conversas (e geografia do dinheiro), Marcus Ericsson parece estar envolvido
na busca por soluções.

Enquanto isso, a Sauber fará pequenas parcerias a cada GP para completar seu
orçamento.

Não é de hoje que a escuderia suíça tenta se equilibrar.

Talvez a solução mais curiosa tenha sido quase realizada em 2013.

Do meio para o final daquela temporada, Andrei Tscheglakow (Marussia) e a
Sauber abriram tratativas para uma fusão.

O nome seria Marussia F1 Team Sauber.

O plano era promover uma interação entre os grupos técnicos utilizando as
instalações da Sauber, incluíndo aí seu túnel de vento para desenvolvimento
do carro.

Tscheglakow entraria com um investimento de 10 milhões de euros anuais e
ainda se comprometeu a trazer parcerias russas.

Avisado pelas partes, Bernie Ecclestone deu sinal verde para a concretização
do negócio.

Faltava apenas uma coisa.

Os pilotos.

O consenso indicou dois nomes.

Jules Bianchi (revelando que o motor da nova equipe seria Ferrari) e venezuelano
Pastor Maldonado.

Pastor e seus milhões de euros da PDVSA seriam essenciais para o time poder
iniciar sua caminhada.

Com o francês tudo foi bem.

O projeto foi apresentado para Maldonado.

E o trabalho pelo convencimento da Venezuela de entrar na empreitada foi intenso.

Entretanto o piloto latino e seu apoiador escolheram salvar a Lotus.

Enterrando qualquer possibilidade da fusão Marussia / Sauber se concretizar.














quinta-feira, 7 de abril de 2016

Pequenas Passagens

























"I have a dream..."

O tal sonho nasceu de uma necessidade.

A indústria do cigarro havia deixado a Fórmula 1.

E assim a Honda perdeu o apoio da Lucky Strike.

Ainda em 2006, os japoneses tinham como consultor de marketing Simon Fuller.

O cara que inventou as Spice Girls (hoje uma é casada com Christian Horner),
trouxe programas para a TV como o American Idol, conduziu toda a carreira
de David Beckham (outro que casou com uma Spice Girl) e estava ao lado
de Lewis Hamilton quando o piloto se moveu da McLaren para a Mercedes.

Foi da cabeça de Fuller que nasceu o projeto EarthDreams.

Uma ousadia.

Pois era uma plataforma para um conceito.

A ideia era que as empresas se associassem ao plano.

Fizessem parte e não apenas patrocinassem um carro.

Lembro da tentativa de conquistar os fãs.

Bastava inserir seu nome num site e ele apareceria escrito no carro.

(o site mostrava até em que parte do bólido ele seria impresso)

























De graça.

Sem contribuição alguma.

O meu estava lá!

Mas no final de 2008, em meio a uma crise global, a montadora japonesa decidiu
se desfazer da equipe.

O Grupo Virgin e o bilionário mexicano Carlos Slim mostraram interesse.

Mas a coisa acabou nas mãos de Ross Brawn.

O resto você sabe.

Interessante que a Petrobras ficou encantada com o sonho.

E a Honda recebeu da petrolífera brasileira a proposta de patrocínio master
para cinco temporadas.

Com valores altos que cobririam boa parte do orçamento anual da escuderia.

Nem assim houve mudança na decisão.

O sonho havia terminado.









quinta-feira, 24 de março de 2016

Pequenas Passagens



























Imagem de Rubens Barrichello em seus tempos de Jordan.

O herdeiro de Ayrton Senna.

Não pense que essa alcunha apareceu apenas em nossa pátria varonil.

O mundo daquela época também pensava assim.

Ron Dennis queria o piloto brasileiro na McLaren.

Eddie Jordan sorriu e pediu 5 milhões de dólares para rasgar seu contrato.

Dennis refugou.

Ao mesmo tempo, a Ferrari caçava um companheiro para Michael Schumacher.

No balcão da Jordan, Jean Todt pediu para embrulhar Eddie Irvine para viagem.

Pagou os mesmos 5 milhões de dólares.

Jordan era um comerciante no paddock.

(ele ainda venderia os passes de Giancarlo Fisichella e Ralf Schumacher)

A consumação de Barrichello numa equipe grande teria que esperar.

Ele ainda ficaria mais um tempo na Jordan.

E um período na Stewart.

Até que um dia, Todt reconheceu seu erro passado e firmou o acordo de
Rubens com a Scuderia Italiana.

O início do pesadelo para o brazuca.